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Idade: 25
Profissão:
publicitária
Vocação:
vadiagem
Hobby: ler,
comer e domir
Vício: pedalar
e escrever
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Pitty que pariu
Domingo, Julho 27, 2003

Este blogger não foi abandonado. Ao menos ainda. Aqui
estou eu para limpar essa possível nódoa que tenha ficado pela não atualização.
Nesta semana pude verificar a viabilidade da promessa de JK ¿¿50 anos em
5¿. Várias coisas que pendiam há anos resolveram-se ao mesmo tempo,
impedindo-me de dar a devida atenção a este espaço que muito prezo.
Agora tento assentar a emoção, os sentidos e as idéias.
Não creio estar plenamente normal, e estável, contudo já me sinto capaz de
tentar escrever.
Segue um escrito, um tanto longo, não obstante ao fato de
não ser este um estilo muito confortável para os bloggers, contudo entendendo
que é melhor ele se adaptar aos meus propósitos do que eu aos dele. Além
disso, dois outros motivos tenho para tanto. Primeiro, e óbvio, para me redimir
da ausência, e segundo para me calçar de uma provável futura. Aos que não se
constrangem com o volume, bom proveito!
O disparate da madrugada
Numa avenida apenas se ouvia os zunidos dos carros,
acelerados por loucos vindos das noitadas. Pobres cães esses que vazam o silêncio
da noite com seus carros rebaixados, com motores envenenados e vidros fumê.
Deixado para trás pelos carros, vinha ele. Vagava a pé, ao sabor dos ventos
frios nas fuças, furando a neblina densa e espreitando o perigo a cada esquina.
Atento a cada barulho. Fosse um inseto qualquer nas
jardineiras, ou mesmo o balançar das folhas de uma árvore. Ao passar próximo
aos prédios baixos, muito ao longe distinguia o ruído de televisões, por
coincidência no mesmo canal, em exibição um enlatado antigo de dublagem péssima;
ou de rádios, em estações diversas, porém com semelhantes timbres de vozes,
graves e bem baixas, e músicas melosas interrompidas quando em vez por algum
ouvinte ao telefone, vindo da portaria dos prédios.
Os passos são cadentes, acelerando, vez ou outra, junto e
conforme a freqüência cardíaca. Bastava ouvir um barulho suspeito, o coração
disparava e, conseqüentemente, a caminhada ganhava um ritmo acelerado. Já
estava acostumado àquela caminhada de volta para a casa, contudo, não
conseguia relaxar. Sentia medo sim. Vinha por ali para vencê-lo. Se perguntado,
não saberia dizer o que de fato temia. Apenas sentia um arrepio que o colocara
em estado de alerta. E o que haveria a temer?
Seguia a caminhar. Assentava ao chão o solado emborrachado
de seus enorme tênis preto, semelhante ao que seu ídolo do basquete usara.
Vestia uma calça jeans rota, desbotada e larga, que deixava-lhe metade de rego
exposto ao fluxo de um ar encanado. Matava corajosamente nos peitos o vento frio
e úmido, abusando da saúde e esbanjando beleza física numa camiseta branca
¿mamãe sou forte¿.
Seqüencialmente surgiam imagens em sua cabeça. Não havia
ali alguém para conversar, mas em suas rememorações, era como se estivesse
falando a alguém como fora a noite. Fazia um recorte, separando em títulos o
que tinha sido bom, o que tinha sido ruim e o que teria sido intermediário
entre os dois.
Os olhos não deixavam nada passar. Fazia cara de poucos
amigos, algo como uma carranca, para intimidar. Mas intimidar o que? Parecia
fugir mesmo.
Sua caminhada prosseguia e pensava no quão imprudente de
sua parte era ficar exposto aos perigos da noite, afinal, lera nos jornais e
revistas, e endossando ouvira em rádio e na televisão, notícias e mais notícias,
tudo com testemunho das vítimas e estatísticas, da assustadora onda de violência
que assombra o mundo. Sua cidade era local de destaque. Figurava entre os 10
mais. Bons motivos não lhe faltavam para medrar caminhar à noite sozinho.
Assim decidira, então fazia força para seguir.
Viu um caminhão fazendo coleta de lixo três ruas à
frente, e sentiu um alívio. Seu percurso estava seguro enquanto tivesse esse oásis
ao alcance dos olhos. Caminhou até emparelhar com o caminhão, deu boa noite.
Sem parar o trabalho, os lixeiros responderam, só que disseram bom dia. Ele
sorriu consigo dando razão aos lixeiros, contudo justificou o erro por não ter
mesmo um relógio. Tanto fazia um relógio, pois após 2h da matina qualquer
hora é hora até chegar às 6h.
Olhava para trás e não mais via o caminhão.
Retorna o desassossego. Arrepende-se de não ficar quieto num ponto, mofando a
espera de um ônibus. Táxi nem pensar, não vale à pena desperdiçar dinheiro
com isso. É coisa de bacana. Se tivesse dinheiro para táxi não estaria vindo
de um lugar tão mixuruca. Pensou melhor e concluiu que ele mesmo não seria tão
mixuruca. Seu medo agora revezava-se com uma depreciação. O que ele era? Um pé-rapado.
Um descamisado. Um desprestigiado. Um fodido. Um insignificante. Um imbecil. Um
pobretão. Um sem sorte. Um, um, um, um, um, um, um zaro à esquerda, mais um
nas estatísticas dos vitimados pela péssima distribuição de renda de um país
semeador de mazelas. Sequer dispunha de palavras para ilustrar em seus
pensamentos sua deplorável condição de ser.
Continha-se, pensava estar chegando em casa, apto a colocar
seu corpo e sua mente em descanso após uma farra. E que farra! Pensou como era
medíocre o baile que freqüentava. Sempre as mesmas pessoas, conversando as
mesmas idiotices, preocupados com fulano ou sicrano, se estão ou não
trabalhando, se ganham mais ou menos, se fazem ou não obra na casa, se têm ou
não um carro, se fodem desse ou daquele jeito. E todo esse papo horrível,
nesse local feio e fedido, era regado a cerveja, da mais barata, quente. E ainda
assim, era seu lazer, e deveria sorrir, grato pela diversão que lhe era
proporcionada. Sua mãe o ensinada: primeiro o dever, depois o lazer. Seguia à
risca. Mas valia a pena? Sim, estava perto de casa, tinha saúde, e nada de ruim
acontecera com ele. Nunca fora assaltado, que benção. Nunca sofrera qualquer
acidente. Era mesmo sortudo! Sorriu levemente orgulhoso.
Aos pouco ligava seus sentidos e punha-se em estado de
alerta novamente. Ouvia e via tudo ao redor. Estranhou o lugar onde passava.
Pensou em tanta coisa que distraidamente entrara em alguma rua errada. Era
apenas o caso de consertar sua rota. Andava, andava e andava. Ao aproximar-se de
uma esquina, sem ter ouvido qualquer barulho, avistou um homem. O homem andava a
passos firmes, era negro, forte, alto e vinha em sua direção. Pensou: -Ai Meu
Deus, será agora? Encarou o sujeito, tirou-o de cima à baixo, e sem vacilar
disparou: Não faz gracinha. Passe tudo, isso é um assalto!
:: Postado Por
Priscilla Xavier
:: 9:45 PM :: Escreve que eu leio!
Quinta-feira, Julho 17, 2003

Em virtude de falhas na minha conexão, via rádio, ando sendo vitimada pelo acesso gratuito discado. É menos pior que nada, contudo vejo essa caridade como um churrasco de costela ofertado a banguelas: Dá para ser, mas haja disposição!
Então nesse 'papel miséria' não disponho de muito tempo de conexão, pois a linha telefônica da minha residência é inexoravelmente vigiada. No curto tempo que disponho tento colocar meus e-mails em dia e hoje, que ninguém me note, demorarei um pouquinho mais postando. Lamento de nesse tempo não ser capaz de visitar outros bloggers ou mesmo retribuir comentários. Mas um dia minha conexão há de se estabilizar.
A leitura tal e qual
No princípio ela queria conhecer uns tais sete anões. Andava na rua, e nas raras oportunidades em que via um anão, puxava a mãe pelo braço, acelerava o passo para alcança-lo e, nas três vezes que isso ocorrera, não o alcançara, pois sua mãe insistia em tomar outros rumos e não entendia porque estava sendo puxada. Ela queria ver o anão de perto, perguntar pelos outros seis e pedir permissão para um dia visitar a casa na floresta, cantar e dançar com todos eles, alguns animais e, claro, borboletas. A branca-de-neve ela não fazia tanta questão de conhecer. Caso ela estivesse em casa, até ficariam amigas, mas no fundo preferia que não estivesse, pois só assim poderia estar em seu tão destacável lugar. Imaginava como seria bom morar numa floresta, usar sempre o mesmo vestido, conversar, cantar e dançar com os animaizinhos e, sobretudo, ter sete homens para dar ordens, jogar charme através de chantagens sentimentais e, mesmo disfarçadamente, domina-los. Não se importava com o tamanho de tais homens contanto que eles fossem tão animados quanto sua avó lhe contara.
Essa não era a única ânsia. Num passeio ao jardim zoológico, entre um tal de lobo guará e a hiena, segundo lhe disse a professora guia de sua excursão, estava o lobo. Franziu o cenho, cerrou os olhos, empinou a sobrancelha e pensou - 'Nossa, nem parece!'. Estranhou num primeiro momento, mas não demorou a elaborar a idéia de ter um particular com o tal bicho, para que ele parasse de perturbar os porquinhos, pois eles eram branquinhos, gordinhos e tão bonzinhos. Ela queria mesmo era poder pular corda com os porquinhos, tomar sorvete, brincar de pique, jogar iô-iô e o que mais fosse brincadeira, sem ter que se preocupar se um estraga prazer como o Lobo iria aparecer. Aliás, esse lobo não tinha mais o que fazer. Chapeuzinho, dispensável mencionar o vermelho já que eram extremamente íntimas, também tinha problemas com esse meliante. Essa era então a oportunidade de tomar satisfação. Apontou o indicador para o lobo e deu uma seção 'Ai Ai Ai'. Não sabia que palavras usar com ele, e nem por tanto sua atitude perdia o tom resoluto.
Episódio triste foi quando viu um amigo mentir. Pronto. Quase chora de preocupação prevendo a deformidade nasal que tal ato poderia causar ao amigo. Conversou com ele, explicou tudo direitinho, da maneira que entendera, e insistiu para que ele não repetisse isso, pois se o nariz dele não crescera desta vez foi porque o responsável por tal castigo pode não ter ouvido a mentira direito, mas que nem sempre é bom abusar da sorte.
Ela não gostava de ver injustiças. Sentia-se mal ao ver alguém levando gritos, sendo maltratado ou passando por situação constrangedora. Apenas a consolava saber que talvez esse pedaço fosse a parte podre de um todo, e a parte boa não tardaria a sobressair.
Agora, ela se trancara em seu quarto. Ali criava um mundo só seu. Cuidava com carinho de suas bonecas, deixava tudo bonito e arrumadinho, tudo impecável, com sua cara, com seu jeito. Tanto quanto pudesse isolava-se em seu mundo. Criava ali diversas situações e aventuras. Para o mundo inteiro ela estava quieta num quarto fechado, mas para ela tudo ali estava em movimento, era seu mundo, e as coisas aconteciam independente das percepções alheias.
Passada essa fase, ela resolvera interagir. Sente-se diferente, como que predestinada. Numa arrogância disfarçada de timidez, orgulha-se de 'sem querer querendo' ser a melhor em tudo. Aprendera que, se uma situação não agrada, chute o pau da barraca. Se não gosta de alguém, perturbe-o, judie e faça-o ter noção disso. E isso tudo se justifica porque ela é a toda-poderosa, e tudo o que não a agrada merece ser detonado, nem que para isso tenha que recorrer a qualquer ritual de magia. E num destes rituais lambeu a casa em chamas e carrega agora em seu corpo, difícil crer mas felizmente, as chagas da exacerbação da supremacia individual na competitividade sem ética, estandarte de uma literatura comprometida com os mais vis propósitos, ainda mais vil e eficiente por utilizar-se da pseudo-justificativa samaritana de estimular entre os jovens o gosto pela leitura. E que leitura!
Observação: Escrito ficcional baseado na notícia de que uma menina incendiara a própria casa ao simular um ritual de magia, contido num dos livros da série Harry Potter. Endentendo que esse escrito não exime a menina da imbecilidade e estupidez, apenas aproveita a situação, cabe enfatizar que triste, para apurar a questão dos rumos da literatura infanto juvenil.
:: Postado Por
Priscilla Xavier
:: 11:34 PM :: Escreve que eu leio!
Terça-feira, Julho 15, 2003

Essa mania de blogar sobe mesmo à cabeça. Primeiramente, dediquei boa parte do meu domingo a incrementar esta página. Ela realmente parece simples, limpinha, mas não se iludam, pois para chegar a esse resultado deu algum trabalho. Um tal de baixar template, fazer alterações, inserir links, aliás quanto a isso me perdoem pois deixei alguns de fora, contudo me comprometo a reparar esse lapso. E então, quando ¿terminei¿ tudo, aproveite e já postei algo, que por sinal estava escrito antes mesmo de eu resolver alterar o layout do blogger. Enfim, filho pronto, era só babar. Eu não fiz por menos, e nem me envergonho em dizer que o número de visitantes deve ser algo em torno de um terço da metade do que demonstra o contador da página, pois só eu entro aqui quase que de hora em hora. É um bebê, recém-nascido, merece cuidado! Estou feliz pela aparência, pelo conteúdo e em especial, por não depende exatamente de mim, com as visitas. Meus visitantes me são motivo de orgulho, e digo isso não pela quantidade, e sim pela qualidade. Os que deixam algum comentário procuro retribuir a visita, e ao conhecer seus bloggers me encanto. É uma surpresa muito feliz poder apreciar tantas páginas com informações tão distintas e interessantes e com uma linguagem muito bem apurada. Salve a INFERNET por nos oferecer a oportunidade tanto de expor quanto de apreciar essa torre de babel literária. Então, vai aqui a minha congratulação e o meu agradecimento a cada um que visitou e deixou o endereço para eu poder retribuir a visita e deliciar-me com seus escritos.
Essa minha mania verborrágica sempre culmina em posts volumosos demais e, portanto, para não lhes perturbar tanto, nem ouso a postar muito freqüentemente.
Por estar empolgada com o blogger, até tenho tido bastante inspiração para escrever. No decorrer do dia penso em um milhão de coisas para escrever a respeito, mas a preguiça, minha implacável coibidora, meu pecado confesso, e meu charme discreto, no final das contas me derrota. Não sem luta! Nessa batalha escrevi sobre uma cena que vi e me fez ponderar sobre os conceitos vigentes. Aqui vai a cena, devidamente amparada com meu comentário.
Namorico
Um gramado verdejante, ao redor entrecortado de bancos, um céu de luminosidade intensa, um mar calmo com bordas empedradas desenhado sinuosamente a paisagem, e uma igrejinha ao fundo compunham o cenário. O vento soprava suave e gelado, quase paralisando as faces dos que ali se posicionavam. Alguns passavam caminhando rápido, tentando espantar o frio. Alguns corriam e uns outros poucos passavam de bicicleta. Enfrentando a inclemência climática apenas um casal de idosos sentados num banco, abraçados.
Ele de idade oscilando entre cinqüenta e setenta Semanas Santas, nem a mais nem a menos, ainda sustentava parcos cabelos pretos, perdidos entre o alvo emaranhado, desgrenhado insistentemente pelo vento. Ela, no auge da vaidade feminina, não trazia cabelos brancos, mas já estava na fase em que as mulheres, tendo a pele clara, invariavelmente tornam-se loiras. Não fossem as rugas tão traiçoeiras, diria que ela nem era tão idosa quanto ele. Todavia, regulavam idade.
No banco da praça os dois, indiferentes ao mundo, namoravam. Ele, sorrateiro, escorregava a mão pelo dorso dela, um tanto inclinado ao esquivar-se, impedindo-o de alcançar onde ela, mais que ele, desejava. Ele, na artimanha viril, insistia nas investidas ousadas avaselinadas por palavras picantes, sorrisos maliciosos e promessas habilmente lançadas ao pé do ouvido num sopro quente. Era um jogo de sedução. Ela sorria tímida, ansiando por mais, e ele não se continha. Vez por outra davam uma trégua bem rápida, mas logo voltavam aos beijos e carinhos, sorrisos e abraços, olhares e suspiros, até que a situação se aquecia. Em algum tempo não mais puderam ali permanecer. Levantaram-se. Ele, engrandecido e convicto deu a mão para ela que, boba e orgulhosa, passo a passo, deixou-se conduzir. Unidos caminharam até sumir, não nos cabendo saber para onde, mas sendo fácil imaginar para que fim.
Olhando essa cena, achei o senhor um velho tarado. Morri de inveja da senhora! Velho tarado e inveja são as palavras exatas para eu não fantasiar-me de politicamente correta, pois tal não me cabe. EU QUERO UM VELHO TARADO! Acalmem-se os de idade avançada. Não quero um senhor por ora. Quero simplesmente hoje fazer um pacto, um acordo, ou algo que o valha com um homem da minha idade. Nosso acordo reza que daqui a uns 35 anos, não interessa em que estado civil estejamos naquele momento, nos encontremos num banco de praça e simplesmente namoremos, felizes e despreocupados, sem medo de parecermos ultrapassados, ou assexuados, pois assim boa parte dos idosos de hoje são vistos e uns tantos outros se vêem. Claro que esse acordo tem um teor protesto aos que reprimem, ridicularizam ou ignoram que os idosos tenham uma vida sexual, tanto quanto social, ativa. Não custa lembrar que todos os que não morrem, envelhecem. Aos que se animaram garanto que, com a ajuda de Deus e de São Viágara, teremos um encontro bonito, romântico e voluptuoso. Espero vocês no futuro!
:: Postado Por
Priscilla Xavier
:: 9:54 PM :: Escreve que eu leio!
Domingo, Julho 13, 2003

Nada como um dia frio e chuvoso para inundar nossa cabeça com idéias. Cortando pelas arestas, algumas são proveitosas. Isso sem mencionar a disposição de ficar quietinha num canto, aquecida por um edredom e entretida numa leitura. E foi o que fiz. Porém me tiraram do casulo e uma vez fora dele resolvi por bem realizar uma das idéias que me brotaram nesse dia de neblina densa e chuva rala.
Há alguns dias venho tendo sonos em períodos variados do dia, sem qualquer motivo de cansaço aparente. Dá sono e pronto. E desses sonos, que inclusive me fazem recear por sair sozinha, pois não consigo controlar, sonho muito. Aliás sempre sonhamos, o diferencial é que desses sonhos eu lembro. Sem falsa modéstia, meus sonhos são os mais loucos e desconexos que pude ter conhecimento. É algo como um roteiro de filme surrealista, esplendido, a ponto de deixar Luis Buñuel e Dali arrebatados de inveja.
No meu casulo eu fazia um remake de um sonho, entremeando-o com boas risadas e tentativas inúteis de compreende-lo, e pensei: As pessoas conseguem tornar um pau entrando numa boceta algo poético e realmente instigante e bonito, http://morphyne.blig.ig.com.br, porque não descrever meu sonho em forma de poesia? Dedos nas teclas em busca das palavras apropriadas, na ordem mais eloqüente, aqui vai meu sonho. Por falta de imaginação, seu título será literal:
Do onírico ao poético ou patético
Mãos amparam o círculo espectral
Relâmpagos e trovões prognosticam catástrofe
Em câmera lenta, no asfalto escorregadio colidem carros
Diante aos que poderiam lhes socorrer
Corpos excessivamente adiposos, reinos de celulites
Esvaindo-se por falta de habilidade
Tudo terminou em olhares consternados e banha
Da janela acompanhei o agonizo distante
Assisti a tudo e justifiquei-me a omissão com a distância
Mas foi só olhar ao lado, ao alcance das minhas mãos
Um outro corpo adiposo perdera a vida,
Este pendurado num fio de alta tensão
A partir de então, onde quer que meus olhos mirassem
Corpos e mais corpos sem vida me apareciam
Mortes das mais distintas
Em comum a todos as generosas proporções,
A tez alva, a nudez, a flacidez esburacada,
E a ausência de sexo
Seriam anjos?
Se fossem não morreriam
Corri asfalto, mato e estrada
Pulei poças d'água e de lama
Falei com um cachorro
e ele riu de mim
Cheguei a um abrigo de pau-a-pique
Dentro o conforto palaciano
Uma recepção de calorosos desconhecidos
O casaco do loiro complementava
O desenho geométrico do piso da sala
Ele era uma peça decorativa
Não devendo sair ou mal se posicionar
De cima de um beliche
Conversávamos e eu o examinava
Ao meu lado sentava
Uma desconhecida íntima
Nunca a vira nem em sonho
De mim tudo ela sabia
Fitei-a e materializou-se Camila
Enfim alguém conhecido
Sorri, pisquei, olhei e ela sumiu
Isso algumas vezes se repetira
Pisca-pisca de gente
Deitei ali mesmo
Era muito para um dia
Aconchegada num abraço quente
Finda a agonia.
:: Postado Por
Priscilla Xavier
:: 4:33 PM :: Escreve que eu leio!
Sexta-feira, Julho 11, 2003

Um comment apenas foi suficiente para estimular minha confiança. Sim, confiança e não inspiração, pois escritos tenho alguns guardados. Guardados não, tão zelosamente guardados que posso dizer escondidos. Perdurava somente a dúvida sobre se eu deveria mesmo publicar. Então, eis aqui um da série dos escondidos.
Em tempo
Hoje observei cada hora passar
Quase todas chatas, soberbas, opulentas
Reparei também vários minutos
Tampouco me agradaram
Simpatizei mais com os segundos
Discretos e resolutos
Porém não gostei de todos
Apenas dos pares
Dedicaram-me um dia inteiro
Dediquei-os um inteiro de atenção
Ouvi o silêncio do tempo
Contemplei a imagem do vento
Que expira o tempo passado
Que retem o tempo presente
Que inspira o tempo futuro
:: Postado Por
Priscilla Xavier
:: 8:13 AM :: Escreve que eu leio!
Quinta-feira, Julho 10, 2003

Deixa
Ao fazer um blogue nunca nos atemos ao ínfimo detalhe de haver uma certa necessidade de atualização. Ora, que bobagem. Bobagem mesmo, daquelas que dão dor de cabeça. Para início, as pessoas fazem os blogues por mais diversos motivos. Uns para pôr em prática, ou porque não assimilar, conhecimentos em Java ou html. Outros para poder extravasar seu potencial de designer. Há também os que escrevem, reportando minuciosamente seu enfadonho dia-a-dia, aumentando uma coisinha aqui e outra ali e inventando descaradamente outras, afim de maquiá-lo como interessante. Uma lástima! Há os que escrevem sobre causos, poupam-nos do banal e nos expõe uma espécie de clipping. Nos dois últimos casos, cabe salientar que há os que o fazem muito bem, porém são exceções. Há os que escrevem divagações, os que reproduzem divagações alheias, os que mesclam os dois, e efim há designers e escritores para todos os gostos, e de consensual apenas a necessidade de atualizar o blogue.
Me atirem um mouse quem dono de um blogue nunca pensou: ¿Maldita foi a hora que eu arrumei de criar esta droga!¿. Quem costuma ler os blogues sabe que um dos principais temas é a falta de inspiração para atualizá-los. Após este não tão breve enrolar, percebe-se que este é bem o meu caso.
Pensei em alguns temas que seriam interessantes. Algo sobre televisão, afinal de contas, aos que não sabem, sou uma comunicóloga. Não será possível pois não tenho paciência para pôr-me diante dela. Pensei em escrever sobre filmes. Por falta de companhia também ando em dívida, e ir ao cinema sozinha não tenho paciência. Livro então seria o tema. Numa boa, achei que iria espantar parte considerável de prováveis leitores. Não falo isso por nivelar por baixo o potencial cultural dos meus leitores, e sim por achar a literatura um tema muito específico sobre o qual, não sendo um grupo muito bem delimitado, não há como tecer comentários, já que os mesmos podem não ser alcançáveis ou interessantes. Enfim, o post já se avoluma e nada de tema bom. Pensei então em colocar na inquisição o culpado por minha escassez temática: a impaciência.
Eu, aqui em torno do meu umbigo, ¿estou paciência zero¿ com uma gama de coisas. Hoje, mais do que em tempo algum, hei de entoar o refrão Timmaiano ¿Eu quero sossego¿. Não me venham perguntar onde está isso ou aquilo. Quem quer saber onde está que procure. Não me venham dizer que isso ou aquilo está incorreto. Quem quiser a coisa correta, que arregace as mangas e faça. Não me venha dizer que tá calor, já que quando está frio não deixas de reclamar. Não me peça opinião, pois quando a dou sinceramente, mesmo sem eu pedir, me retribuis com algum julgamento. Não me pergunte nada que não queira ouvir resposta atravessada. Tudo bem, minha paciência pode estar zero, mas sua chatice é dez. Se me ligarem não estou. Se me vierem já vou. Se quiserem ir comigo, já fui. E se você acha que o post tá chato, paciência...faz um melhor e me manda!
:: Postado Por
Priscilla Xavier
:: 3:11 PM :: Escreve que eu leio!
Quinta-feira, Julho 03, 2003

Cara, não ter comments me desestimula muito a atualizar esse blog, mas não a escrever. Fico em dúvida se alguém de fato lê o que aqui exponho, mas enfim, continuarei tentando. E você que me lê, por favor, escreve um comment, nem que seja apenas pra dizer que leu, pois só assim posso saber se alguém tá lendo.
Aos ignorados
O amanhecer, um dia novinho em folha para aproveitar. Ao olhar no espelho, como uma mulher comum, repleta das vicissitudes ocidentalistas, diante do espelho enceno o clássico do ¿espelho, espelho meu¿. O espelho, mais que simples reflexo da minha imagem, meu alter ego, me reflete e me diz coisas arrasadoras. Nada surpreendente ou original, que ninguém nunca tenha passado por semelhante situação num dia praticamente destinado à depreciação.
Após os esculachos do espelho não dei folga à consciência. Ela tentava me consolar, mostrando-me que as coisas não podem ser tão radicais, necessitam ser apuradas, pois tudo tem dois lados. Realmente ela tem razão. Não é porque me vejo de uma forma que o restante do mundo me vê com os mesmos olhos. Daí surgem mais e mais premissas e falácias gastas e dispensáveis no momento.
Ora, vejamos. Ao passar pelas ruas não desperto atenção ou interesse de ninguém? Claro que desperto. E bastante. Não passo despercebida em nenhuma obra. Entre os garis sou vista como musa. No entanto, parece-me que até hoje a opinião deles pouco importava. Porquê tão pouco caso com eles? A profissão, a classe social ou nível cultural, não os fazem seres humanos diferentes. Para o inferno toda a questão social, de preconceito, ou de simples estigmatização, não estou entrando nesse mérito. O que hoje senti foi o quão semelhante humanamente sou, e creio ter o direito de dizer somos, deles. Praticamos o mesmo exercício, o de lançar nossos suspiros aos que, ao menos aparentemente, não se importam. Continuaremos a fazer isso, aspirando sempre o que não temos, ou que nos é complicado alcançar. E, não querendo separar as coisas da vida entre certas ou erradas, boas ou ruins, esse exercício por vezes é frustrante, porém por outras progressista. Frustrante por ser raro o êxito em tão ousadas investidas, e progressistas por nos moverem, pois no dia em que nos conformamos com apenas o que é facilmente alcançável, eis o cabo à evolução nos aspectos mais distintos que ela possa envolver.
Eu amo os peões, eu amo os garis. Esse texto é dedicado a eles que, fora a profissão, exercem uma atividade de presteza valiosíssima: são, no inconsciente feminino, exímios polidores de egos. Lá no fundo, onde covardemente se escondem as verdades que o mundo tenta menosprezar, está o orgulho bobo feminino que, além de adorar, nunca ignora um elogio. Seja ele de quem for.
:: Postado Por
Priscilla Xavier
:: 12:28 AM :: Escreve que eu leio!
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