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Pitty que pariu
Domingo, Outubro 26, 2003
Vai bombarSe alguém aqui está preocupado em zelar por uma convenção moral, direitos humanos ou quaisquer coisas que se alinhem, por favor, não leiam esse post. Ele é tão interessante quanto cruel, e, tal qual nossas brincadeiras inocentes, guarda qualquer fundo de verdade que em nome do bom senso se disfarça. O que quero dizer, ou melhor, dizer não porque quem me conhece já está ciente dessa minha idealização, quero "documentar", sair da oralidade, tão característica da nossa cultura de orelha, entendendo essa orelha tanto como a parte física que se destina à audição, como também a orelha do livro, na qual um fragmento nos basta para presunçosa e milagrosamente julgarmos a obra completa, é que idealizo promover um mega evento. Imagino poder contar com o auxílio de um dos maiores organizadores, o mesmo Roberto Medina. Para quem fez Rock in Rio, essa minha empreitada é pouca monta. Deixando claro de início, que a presença do organizador será imprescindível no dia do espetáculo. Então, imagino um evento que possa reunir muitas pessoas. Alguns políticos, artistas, e demais classes que abundam especialmente na televisão em publicações semanais de fotos. Mas o carro-chefe será a dupla juvenil Sandy e Junior. Eu pensava fazer o evento gratuito para reunir os fãs da dupla, mas os que têm uma situação financeira melhorada poderiam se inibir, se desestimular. Para esses imaginei camarotes a preços astronômicos, pois não paira dúvidas de que não poupariam. Resolvi que para geral a entrada é um quilo de alimento não perecível, e para os "caga-cheiroso", camarotes de valores irreveláveis. Me emociono em vislumbrar o evento abarrotado de fãs da dupla, e devotados das publicações, felizes por esse tão feliz encontro. O local poderia ser o maracanã, mas no final das contas talvez fosse melhor lá pela Barra da Tijuca mesmo. Enfim, decidido, Barra da Tijuca! Dia lindo, todo mundo no evento, Medina na organização, Otávio Mesquita reportando, celebridades lindas, arrumadas, cheirosas, mal fodidas, romance recém- terminado ou iniciado, dá no mesmo, microfone em punho vomitando asneiras em prol de uma campanha sem fome, e para o gran finale, o animadíssimo show da dupla. Uma música atrás da outra, todas engrossadas pelas vozes da multidão. As quatro estações, "Smooth" com Junior percussionando e rebolando, "Era uma vez um lugarzinho no meio do nada", "A lenda dessa paixão/faz sorrir ou faz chorar"... só sucesso! A música mais aguardada, quando geral estiver delirando, será vamos pularrrr, vamos pular, vamos pular, vamos pular... Essa é a deixa! De uma distancia segura, quando ou ouvir isso, acionarei uma bomba e jogarei tudo para alhures. E caso, eu disse caso, alguém se pronuncie, me recrimine, ou me julgue, minha defesa será a de que mediante a um apelo tão emocionante e emocionado, "vamos pular", eu não pude resistir. Saca eutanásia? :: Postado Por Priscilla Xavier :: 11:47 PM :: Escreve que eu leio! Sexta-feira, Outubro 03, 2003
ConsideraçõesLeitores, prezados leitores, ninguém merece ser leitor desse blogger. Não que o conteúdo seja ruim, não que o visual seja incômodo, não é nada disso. O que ocorre é que enquanto eu perco o sono ele adormece. E para os que, por consideração ou por gosto, se dispõe a acessar esse endereço imagino o quão frustrante deve ser encontrar o mesmo post desatualizado. O que de novidade aparece por aqui uma vez por semana são os comments, e deles só tenho a agradecer. Tenho uma mania frustrante de colocar sempre uma escala de justiça em tudo quanto faço, e tomando a quantidade de visitas e comentários deixados e a desatualização do blogger, concluí estar em dívida. Não obstante, minha cabeça está absolutamente voltada para outros interesses, e escrever para um blogger requer um momento de ócio. Não tive o ócio, mas a abstração veio. Deixa estar que há dias está impertinente para correr mundo fora de mim. Estive pensando sobre a correria. Para quem não tem paciência com filosofia, abstração, sociologia e psicologia entre outros, advirto para ater por aqui a leitura, deixar um comment caso queira e procurar outro endereço menos extenuante. Prosseguindo sobre minha abstração, percebi que desde a metade da década de 90 não se tem tempo para nada. É uma correria constante, trabalho intermitente e insatisfação plena. É paradoxal, mas verificável. Sendo excessivamente prolixa, porém conferindo a cada qual o levantamento dos próprios argumentos bases para o encadeamento analítico, toda a expectativa social é para que as pessoas sejam bem sucedidas plena e simultaneamente profissional, financeira e afetivamente. FUDEU! Eis então a idéia, que por ignorância ou arrogância minha possa ser clichê, de que a psicologia, supondo que exista, tem uma relação muito íntima com a sociologia, supondo que válida. Eu me sentiria muito satisfeita caso alguém que por aqui aparecesse tivesse a coragem de expor algum argumento, psicológico puramente, que fossem relevantes à questão. Pois no fim de tudo, não há essa idéia do ser individual. Ou melhor, há, mas não faz sentido. Individualmente o sujeito não faz nem crise. E assim sendo, é muita pretensão do sujeito, e mesmo ingenuidade, acreditar que tem problemas pessoais. Os seus problemas "pessoais" são tais e quais os meus, os do Sr. Manuel da padaria, do acendedor de refletor do maracanã, da passista da escola de samba, do batedor de carteira, do especulador financeiro, do DJ, do seresteiro, do sapateiro, do pintor, do tradutor, do marceneiro, e pior ainda, do psicólogo e do sociólogo também. E sem excluir ninguém que se diga inserido socialmente, em destaque ao critério temporal. A brincadeira para por aqui, sem prazo para voltar! Contudo, cedo ou tarde reapareço. :: Postado Por Priscilla Xavier :: 3:16 PM :: Escreve que eu leio! |