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Pitty que pariu

 

Sexta-feira, Novembro 21, 2003



Estou na data base de atualização desse blogger. Mais de um mês sem postar é demais. Hoje estou bastante inspirada, contudo, não sei se os assuntos que tenho interesse de dar uns pitacos chegam a se relacionar. Se vocês acharem que uma coisa nada tem a ver com a outra, por favor, tentem entender que esse post tá mais pra braim storm que qualquer outra coisa.

Continua Bombando


Começo por reelaborar o super evento que empolgou a mim e aos visitantes desse blogger, para transforma-lo em mega evento. Me perdoem ter pensado tão pequeno, realmente a mediocridade por vezes nos assola. Nada de Barra da Tijuca, tampouco Sandy e Junior. Penso sobre as mesmas bases um show internacional, homenageando George W. Bush e, como não pode deixar de ser, seus assessores hão de prestigiar o evento, incluindo a Condoleza Rice e Collin Powell (Já que a capital do Brasil é Buenos Aires, se os nomes estiverem incorretos, nem ligo!). Pois então, Alexandre Pires, negro, latino (nos EUA sequer consigo numa escala hierárquica saber o que é mais desprezível) e amigo de abraço de Little George, cantando e dançando, no Central Park, para americano ver. Delírioooooo!

Jornal I


Eu sou o tipo de ser que a leitura de jornal é desaconselhável. Simplesmente não consigo abrir um jornal e fechá-lo achando que tudo bem, li as notícias e pronto. As coisas ficam retumbando na minha cabeça, há um desconforto, nada se encaixa. Insisto que há um absoluto pouco caso com a inteligência alheia nos meios de comunicação, e o jornal é tão sofrível quanto a televisão, com a diferença de que para notar que estão te colocando um nariz de palhaço é necessário ter um raciocínio um pouco mais sofisticado.
Há pouco tempo li a seguinte matéria, de certo escrita por um alguém de QI fortíssimo no O Globo, ¿Volume de informação dobrou em três anos¿.
Assim que bati o olho me desesperei. Se alguém se der ao trabalho de ler, é até divertido de se pensar. Para começar, tinha que ser norte americano para se empenhar em uma pesquisa tão relevante. Dando seqüência, eu na consigo conceber formas prováveis de mensurar informação, embora seja óbvio que esta esteja num processo aceleradíssimo de crescimento qualquer tentativa de mensurar algo imaterial é de uma estupidez glorificável. Seja como for passa muito longe da realidade, tão longe quanto se possa descartar tal empenho.

Jornal II


Ainda sobre esse fenômeno que é a imprensa, li outra coisa (sim, é qualquer coisa), coincidência ou não, também sobre as relevantes e abalisadíssimas pesquisas norte-americanas: Preconceito racial 'exaure' o cérebro, revela pesquisa. Só lendo! Eu não agüento com os norte-americanos...eles são muito inteligentes. Não tem NaPall que dê conta deles! A pergunta que não quer calar: Como foi que eu consegui viver 26 anos sem saber disso?

Preconceito Racial


Numa semana dedicada à Consciência Negra não posso me eximir de tocar na ferida. Existe preconceito no Brasil? Certamente. E diversos. Por essa diversidade não consigo colocar o racial como o ponto chave para pensar o Brasil.
Nosso grande ícone internacional, Pelé, declarou certa vez que nunca sofrera qualquer tipo de discriminação racial. Eu acredito! Aplaudo o Pelé de pé por sua postura. Ele tem consciência de que é, além do atleta do século, um formador de opinião. Portanto, sabe medir exatamente a importância e ressonância de suas declarações.
Mas daí surge um jovem pagodeiro, que atende pela singela alcunha de Netinho de Paula, pregando uma cultura de negros, de crioulos ou algo que o valha. Um sujeito desses me dá vergonha de ser Brasileira. Para quê criar uma cultura especificamente negra num país miscigenado como o Brasil? Essa idéia funciona para os norte-americanos, onde o multiculturalismo é sinônimo de distinção entre culturas das convencionadas raças negra e branca. Aqui isso não procede, isso não existe de maneira visível. Sabe aquela lógica de que para acabar com a violência, só com muito porrada? Então, é a mesma coisa que o tal Netinho anda propondo: para acabar com o preconceito, só segregando. Partindo dessa máxima entende-se perfeitamente a declaração do Pelé que, mesmo que tenha sofrido qualquer preconceito, não enfatiza a idéia de diferença.


Preconceito Cultural


Uma das últimas gafes do presidente Lula foi, numa num discurso de improviso em Windhoek, capital da Namíbia, declarar: ''Estou muito surpreso, porque quem chega a Windhoek não parece que está num país africano. Acho que poucas cidades do mundo são tão limpas e bonitas arquitetonicamente quanto esta cidade. E (poucas cidades têm) um povo tão extraordinário como (Windhoek) tem''. E como se não bastasse, tentou consertar ¿''A visão que se faz sobre a América do Sul, e sobretudo sobre o Brasil, é que nós somos apenas um país de índios muito pobres. E a visão que se faz da África é a de que também é um continente só de pobres''. Tudo bem que, como chefe de estado, ele perdeu ótima oportunidade de conter suas impressões, contudo, não deixou de ser uma ótima oportunidade para pensar sobre a idéia que se faz sobre as coisas sem de fato conhecê-las.
Tive a oportunidade de visitar a magnífica exposição África, no Centro Cultural Banco do Brasil. Aconselho a todos quantos tiverem a oportunidade de visitá-la que não a perca. Mas saí da exposição com a convicção de que é um clichê colocar a África num só saco de gatos, como um país, veja bem, um país que é simplesmente um bolsão de miséria e atraso. Embora a exposição traga a arte africana e a coloque numa posição até um tanto romantizada, ela não deixa de colocar todos os países do continente africano como uma só coisa. As obras estão expostas por temas, e a origem de cada peça não serve de referencial para nada, é uma misturada que nos faz crer que tudo é a mesma coisa, a mesma religião, a mesma população, a mesma língua, a mesma cultura. E o nome da exposição já é algo generalizante demais para um continente que tem suas diversidades. Cabe ainda salientar que as peças são do museu etnológico de Berlim e, não é difícil supor, que sua origem seja predominantemente dos países Africanos de colônia alemã, eu daria a sugestão de que a exposição se denominasse ¿África - Prisioneiros de Berlim¿. A exposição, portanto, se enquadra na metáfora, que por sinal eu adoro, de ¿Ascender uma vela para Deus e outra para o Diabo¿, pois ao mesmo tempo em que enaltece a cultura do continente, o subestima em sua diversidade, insistindo na idéia da África como um todo igual. Mas a meu ver é melhor ascender vela para os dois lados do que não ascender vela nenhuma.

A frase


¿O mundo é perfeito. Imperfeita sou eu que em algum momento ouso pensar sobre ele.¿
(Priscilla Oliveira Xavier 21/11/2003)


:: Postado Por Priscilla Xavier :: 2:34 PM :: Escreve que eu leio!