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Pitty que pariu

 

Sexta-feira, Dezembro 26, 2003



É impossível






Por mais tempo que eu passe sem escrever nesse blogger, simplesmente não é possível resistir a falar sobre o natal. Podem dizer que é uma feta burguesa que enaltece o consumo, que é uma festa religiosa que legitima o dogmas cristãos, digam o que for, mas assumam que Natal é Natal e que, em maior ou menos medida, todos são tocados pela magia da época.
Entendam que eu não sou amargurada, não sou mal humorada, nada disso. Tenho apenas visão desporpurinada da época. É a data em que, por mais generoso que seja o seu décimo terceiro, somos tomados pelo impulso de consumir e conseqüente se endividar. Quem não paga as despesas do natal até o carnaval está cometendo uma falta cristã. Faz parte do calendário.
Outro tema relevante do natal é a gastronomia. Esse tema animaria comentários um ano inteiro. Começando pelas frutas secas. Onde diabos tiraram a idéia de no calor de versão brasileiro se comer nozes, castanhas, avelãs e o que mais for gorduroso. Isso seria nada, não viesse acompanhado de vinho tinto, peru, farofa, passas, panetone e aquela travessa de rabanadas. A rabanada é algo à parte. Quem foi o infeliz que inventou de molhar um pão dormido num leite açucarado, passar no ovo, fritar e, de arremate, polvilhar canela e açúcar?! Só de descrever a receita eu engordo dois quilos. Realmente, dieta equilibrada não rima com festa natalina. Tudo o que se come tem efeito de uma bomba, e no dia seguinte a ceia é complicado permanecer unido.
Sem falar na culinária reciclada, tudo a Lavosier (na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma) na qual o peru vira risoto, e as nozes e passas viram bolo, sobras do bacalhau viram bolinho, e as frutas machucadas viram salada de frutas. Assim damos prosseguimento à comilança.
Não gosto de elevar o pessoal nos posts que escrevo, mas abrirei exceção ao natal. Contarei apenas UMA das passagens desse natal. Minha irmã caçula, de doze anos, perguntou-me se era no natal ou no ano novo que se abraça todo mundo. Parei, pensei, e percebi que, devido a carnavalização de todas as datas do ano por parte da minha família acabam confundindo a mente de um ser em formação. Natal e ano novo, um assado, muita bebida, gente dançando e cantando varando a madrugada, árvore de natal, família fazendo fofoca, ¿confraternização¿, realmente a criança tinha motivos para se confundir. A única resposta que pude dar para ela foi que Ano Novo era quando alguns dos amigos dela iam para a praia. E creio ter clareado um pouco a mente dela, pois tudo o mais que eu pudesse dizer não iria ser bem assimilado. Meu pai se meteu na conversa, muito católico que é, e perguntou-a se ela não sabia o que significava natal. E ela levantou a sobrancelha, arregalou os olhos e disse: Claro que eu sei! Ele sentiu-se aliviado, visto que esse ano ela fez catecismo e achou que pelo menos não foi em vão. Perguntou-a: Então me diz o que significa o Natal, o que se comemora? Ela encheu a boca e falou: Não é o ressurreição de cristo?! Ele gritou: Herege...vai abrir teus presentes, e vê se cala essa boca!
Gente, quando eu era criança sonhava em ter uma família normal, agora eu aprendi a amar a minha do jeito que ela é! Feliz Natal!


:: Postado Por Priscilla Xavier :: 1:11 PM :: Escreve que eu leio!