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Idade: 26

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Pitty que pariu

Segunda-feira, Junho 28, 2004




Minha Homenagem


A semana que passou foi marcada por um evento. Não, não foi a descoberta de quem matou Lineu. Foi uma perda irreparável para a política brasileira, que doravante, tal e qual uma jamanta sem freio na ladeira, ruma à insipiência. Lenonel Brizola é o nome do homem que viveu para a política. A despeito dos prós e contras, faço a minha homenagem reconhecendo sua audácia e relevância em empreendimentos sociais.
O primeiro deles, e imagino que mais famoso, é o CIEP (Centro Integrado de Educação Pública), batizado pela população carioca de Brizolão. Foi pensado como um local que oferecesse educação, alimentação, cultura e lazer gratuitamente. A idéia, grosso modo, era a de um espaço que abrigasse e desenvolvesse social e intelectualmente, período integral, filhos de trabalhadores que são desprovidos de tempo, e claro que também de dinheiro, para faze-lo. A parte concreta do projeto está em todos os cantos do Rio de Janeiro, porém é uma estrutura sem conteúdo, é um corpo sem vida. Não há interesse de investir na educação. A palavra de ordem, nesse momento, não é educação de base, e sim cotas nas universidades. O mais interessante, sem querer fugir da homenagem, é que a elevação da violência é uma resposta muito explicita de que, se não há um projeto realmente preocupado em amenizar as desigualdades sociais, as pessoas procuram faze-lo, cada qual a seu modo, sem qualquer controle, numa espécie de sinfonia do kaos.
O segundo empreendimento de destaque é o da CTC (Companhia de Transporte Coletivo). Dessa eu tenho lembranças particulares que algum dia ainda irei tomar coragem e registrá-las no papel, coisa que nesse momento de homenagem não vem ao caso. A idéia era de uma empresa de transporte público concorrente com as de licitação. Era uma idéia ótima, pois somente assim era viável algum controle sobre este mercado, prestador de um serviço tão fundamental, o qual deveria prestigiar, mas acaba por comprometer e vitimizar toda uma população. Quem depende de condução no Rio de Janeiro, ou quem já fora lesado por qualquer empresa de transportes, sabe exatamente da tristeza que estou falando. E o Garotinho, muito PDT, muito esquerdista, em seus acordos com o bom moço Sérgio Cabral, já fez o favor de piorar o que se imagina um inferno. Enfim, tudo aponta para a máxima, pós Brizola, que acabo de adaptar: Já não se faz esquerda como antigamente.
E apenas para fechar, antropologicamente falando, a distinção entre direita e esquerda, longe da concepção meramente natural, é culturalmente construída. O Brasil é um país tão avançado, tão inacreditavelmente ímpar, que conseguiu a proeza de relativizá-la! Essa é a perspectiva mais otimista que consigo forjar.


:: Postado Por Priscilla Xavier :: 12:40 PM :: Escreve que eu leio!:


Domingo, Junho 20, 2004




A tiete


Pois então, hoje irei me valer da máxima de que uma imagem diz mais que mil palavras. Estava eu, hoje, no Arraial da Ana Maria Praga, quando deparei-me com esse sujeito. Não pude deixar de registrar. É o meu momento tiete.
Ele é um dos ícones do período de ouro da televisão brasileira. Época em que o lixo reluzia como ouro. Russo, sujeito que transcende nosso tempo, é totalmente inserido no meu cenário infantil. Ficava eu nas tardes de sábado contorcendo-me sofregamente no afã de equiparar-me ao bailado das Chacretes. Eu sonhava ser Chacrete! Podem acreditar. Mas, Chacrinha morreu, e com ele meu sonho.
Vocês conhecem aquela partícula constrangedora "SE" ? Pois então, se Chacrinha não tivesse morrido, e se eu tivesse virado Chacrete, eu não teria feito a faculdade de publicidade e sequer estaria estudando ciências sociais, porém, tal qual Rita Cadillac, estaria famosa por atributos físicos e lascivos, faria shows de dança em presídios, participação em filme, e, aos 50 anos, ganharia um razoável cachê de R$500.000,00 para estrelar um filme pornô. Criança sonha mesmo!
Obs: Na foto dá para saber quem sou eu? Eu sou a um pouco mais nova que o Russo. Sonho meu, sonho meu...tirando pelo físico, tô mais para Lacraia do que para Rita Cadillac! ;)


:: Postado Por Priscilla Xavier :: 7:08 PM :: Escreve que eu leio!:


Sábado, Junho 12, 2004




A visionária


Estava eu caminhando na praia e ouvindo meu rádio, carinhosamente apelidado de Muun-Ra (velho, imortal e todo coberto de silver tape tal e qual uma múmia), quando ouvi a notícia que convulsionou meu cérebro.
A notícia era sobre a polêmica dupla T.A.T.U., a qual não media esforços em convencer o público de que as cantoras eram homossexuais, e que inclusive namoravam uma a outra, cabendo como artifício de convencimentos cenas e mais cenas com olhares insinuantes, e até frases de efeito para que as deixassem se amarem em paz. Pois então, agora a dupla entra no armário e assume que tudo não passara de uma estratégia elaborada por seu antigo empresário. E tudo isso porque uma das meninas está grávida de um lutador, não sei do quê, casado. Elas andavam sumidas, era necessário um escândalo novo para reformular o trabalho e continuar na mídia, e creio que por ora este esteja de bom tamanho. Mas, o que farei é reconhecer a presteza, argúcia e sensibilidade do antigo empresário, e farei não meramente imitando, e sim sofisticando o seu raciocínio que, por mais inescrupuloso, feio ou sujo que alguns possam pensar, funciona.
Mais falsa do que uma cédula de R$137,00, penso em promover uma dupla de cantoras, o que não chega a ser original. O interessante é que, apostando no potencial polêmico, as meninas serão, além de homossexuais (condição sine qua non às vozes femininas na música brasileira), serão negras e judias. O nome da dupla será STIGMATA.
A dupla irá prosperar nas paradas de sucesso! Suas músicas, as quais as letras pessoalmente irei compor, serão transbordadas de sentimentalismo barato num background de melodia de no máximo quatro notas, e uma batida repetitiva. O CD está quase completo, algumas músicas já têm nome, faltando apenas uns dois ou três versos para ficarem prontas, tipo: "O dia em que você não veio", "Sozinha e feliz, é tudo o que eu sempre quis", "Você é meu céu azul", "Com você meu céu tem estrelas", "Brilho do sol, raio do luar", "Tempestade no meu coração", "Fiquei, sei que errei, mas te amo", "Sua amiga pra mim é homem", "Vá mas devolva a chave"...
Nas rádios, de ponta a ponta no dial, as músicas irão tocar como hino, embalar romances e separações. Nas boates serão mixadas, e exaustivamente executadas, até que as pessoas dancem e cantem sem sequer notar.
Nas revistas abundarão fotos não autorizadas da dupla dormindo numa cama king size de algum hotel da vida. E flagrarão a dupla no jardim de casa, descontraídas, fazendo um churrasco com os amigos. Fotos, fotos e mais fotos.
Na televisão, domingo ninguém vai aturar. A dupla vai atirar para todos os lados. Uma hora no Gugu, outra hora no Faustão. Irão falar da vida de cada uma das integrantes,desde a infância. Uma queimou a mão no fogão quando a mãe preparava o seu bolo de 1 ano. Ela tem trauma de aniversário, pois com 2 anos o tio foi ascender a churrasqueira e o fogo o lambeu. E a outra, falando dos seus fins de semana, que enquanto os filhinhos de papai tomavam seu todinho no café da manhã para depois caminhar na praia, ela tomava um copo de água morna com vinagre, e equilibrava-se com sua mãe cega pelas palafitas da favela em que morava até o posto de saúde mais próximo para pegar a senha para a velha ser atendida no mês seguinte, para o doutor "arresorver um pobrema no panque, figo e no strombo". Tudo na base do quanto pior melhor. Há uma idéia de que as pessoas se identificam com a miséria alheia, se compadecem em saber que, embora fudidas, sempre há alguém pior. E eu irei mesmo investir, sem regular, nessa vertente.
O final da dupla também está planejado. Uma das meninas aparecerá grávida do segurança, um negão 4X4 que é matador nas horas vagas, e isso abalará a relação das duas. A dupla briga, e a que não engravidou irá assumir ser umbandista e não judia. E o estardalhaço não para por aí. O bebê nascerá branquinho, o segurança se sentirá traído, e junto da outra integrante da dupla, com quem mantém um caso às escondidas, irá preparar uma cilada para matar a mãe do bebê. Um fotógrafo enxerido, suposto pai da criança, ouve os planos e divulga para a imprensa. Tudo termina como um enorme mal entendido, e a dupla engatilha mais um CD.

Traçada toda a trajetória da dupla, preciso tão somente das voluntárias. Farei uma seleção rigorosíssima das candidatas. Você que:
a) Mulher, fêmea do sexo feminino, espécie humana
b) Di maior
c) Cabelo afroasiático (alisado) ou afrojudaico (relaxado)
d) Cor de pele dentro dos padrões das cotas da UERJ
e) Mandou carta para "Um dia de Princesa" com Netinho de Paula
f) Poligrota ( I a ni ou, i a ni silver)
g) Sonha com o estrelato

Aliste-se, digo, escreva-me. Eu não sou a solução do seu problema, mas posso fazer do que você acha que é sonho uma breve realidade.

Observações: Já tive uma experiência de falar sobre negros e não foi algo muito bem aceito. É interessante que assimilem o que eu escrevo como uma brincadeira de essência crítica, não nego, mas nunca como algo de ordem pessoal.


:: Postado Por Priscilla Xavier :: 5:07 PM :: Escreve que eu leio!:


Domingo, Junho 06, 2004




Minha atração é você


É inusitado o fato de eu não conseguir iniciar um post sem que logo pense em agradecer as visitas e os comentários. Virou um clichê, não consigo me livrar disso, e sequer tenho interesse de faze-lo por ora. Então, vai aqui meu agradecimento às visitas e aos comentários. Mais satisfatório a quem escreve do que alguém que leia, apenas que esse alguém, além de ler, compreenda.
Intento escrever hoje um post sucinto, nada pretensioso. Aliás, nem chegarei a tecer comentários ou refinar algum raciocínio. Hoje eu vou perguntar!
Com freqüência, ando sendo abordada por conhecidos e amigos, os quais invariavelmente têm uma lista, extensa mas não muito variável, de problemas, desilusões, aspirações e demais coisas dessa natureza . Sou só ouvidos. Alguns querem falar e ouvir, outros querem apenas falar. Eu, ávida pelas análises dos comportamentos, acabo sendo agraciada por um manancial informacional, tá certo que desconexo, que indicam alguns caminhos para a compreensão dos atos, das idéias, das pessoas, e, sucessiva e conseqüentemente, do todo.
Freud em suas especulativas, não raro forçosa, e via de regra inspiradoras teorias, em algum momento se indagou sobre o que afinal queriam as mulheres. Nos encontramos num período em que se forja uma equivalência em relação ao gênero, portanto, não me direcionarei a algum especificamente. Minha indagação é, afinal, o que querem as pessoas?
Embora não tivesse o interesse de expor minha opinião, ou algo que o valha, o impulso é mais forte do que eu. Sobre os desejos, eles são a mola propulsora do homem. A humanidade, a tecnologia, a ciência e tantas outras coisas evoluem a partir de algum desejo humano. Não se vive sem desejo, ou o quê quer que se traduza por um sonho, expectativa ou querer. Pode ser algo entre o pequeno, imediato e material, e o infinito, transcendente e ideal. Do necessário ao fútil, supondo que entre tais haja distinção. Há de haver desejo.
Nesse momento meu desejo é que você, estimado leitor, se encha de coragem e exponha no comment o seu desejo, e assim sacie minha curiosidade. Garanto que tão logo sejam expostos os desejos de uns três audaciosos colaboradores, meu comment vai ser muito mais interessante de ser lido do que o post em si. Dá para entender a idéia de que vocês, ou vossos comentários, serão a atração desse blogger?
Então, por favor, me diga, francamente, o que você deseja afinal! Estou curiosa mesmo, e se acaso você queira dizer, mas receia faze-lo publicamente, pode apelar para meu e-mail. E vou adiantando que estou inclinada a escrever meu próximo post sobre segredos, polêmicas, ou os dois.


:: Postado Por Priscilla Xavier :: 12:36 AM :: Escreve que eu leio!: