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Idade: 26

Profissão: publicitária

Estuda: Ciências Sociais

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Hobby: ler,comer e domir




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Pitty que pariu

Terça-feira, Julho 20, 2004




Pura Disposição


Esse blogger não anda sendo atualizado porque a sensação da infernet nesse momento é o Orkut. Ele realmente está ocupando parte do tempo que eu direcionaria para o blogger. Então, mesmo quando tento atualizar, não consigo pensar nada realmente interessante como pauta. O orkut me instiga a debater tantos temas restritos e inúteis, que não me resta inspiração para escrever aqui. Quem estiver lá e quiser me adicionar aos amigos, fique à vontade. E quem ainda não está lá, mas gostaria de entrar, é só deixar o pedido no comments com o nome, sobrenome e respectivo e-mail. Em abono a verdade o orkut, embora divertido, é um vício terrível e nada edificante. Mas até para falar mal temos que experimentar.
Férias! Elas chegaram com alguns dias de atraso, pois eu já me encontrava inapta a quaisquer atividades que exigissem raciocínio ou força. Coisa boa essa vida de dormir na hora que bem entender, acordar quando o corpo não mais agüentar estar deitado e comer o que der na telha, na hora que achar melhor.
O complicado dessas férias está sendo esse frio cruel, diga-se de passagem, o carioca não sabe o que fazer nos dias de frio. E quando chove ele dá uma demonstração clara de sua absoluta inadequação com a estação. Quem diz que gosta do inverno porque as pessoas se vestem melhor e ficam mais bonitas certamente não passou pelo rio, tampouco aqui em casa. Onde quer que passemos nos deparamos com pessoas fantasiadas de tambor. Eu, muito ávida pela moda, tenho como uniforme básico uma calça de moletom azul turquesa, acompanhada de um casaco de linha cinza e, por cima deste, uma jaqueta aveludada cor de cachorro encardido. Tudo isso faz parte do meu guarda-roupa moda inverno 2000/2001/2002/2003 e agora brilha como tendência vanguardista 2004. Eu castigo! Ninguém atura esse layout, essa composição tão elaborada. Quando chego na padaria nesses trajes, noto que as pessoas fingem se engasgar para poder rir. O que me deixa aliviada é que ninguém faz por menos.
E os pés? Tenho uns pares de meias da Barbie, e o que tenho a dizer é o seguinte: Que boneca imunda! Saio com ela limpinha, e a desmazelada da Barbie me volta com a cara cheia de lama. Que nojo!
Já coloquei um copo com um ovo na janela, para Santa Clara. E já até desenhei um sol no chão. Mas se alguém conhecer alguma outra simpatia, forte, para o sol aparecer, por favor, deixe nos comments, pois preciso!
Frase das Férias: O dia é feito para descansar, e a noite para dormir!


:: Postado Por Priscilla Xavier :: 8:56 PM :: Escreve que eu leio!:


Sexta-feira, Julho 09, 2004




Tira e bota, bota e atira


Devo confessar-lhes que se algo me alegra, é a diversidade de opiniões que meus posts suscitam. Adoro demais. Mesmo os mais afeiçoados não temem em discordar ou concordar. E realmente, meus amigos escolho não por concordarem com o que penso. Costumo me afeiçoar as pessoas de personalidades marcantes, posturas firmes, insanas que sejam suas opiniões.
Eu estou bastante habituada a dosar na exposição dos meus pensamentos. Faço um meio termo, algo como o limite tolerável para se argumentar. Meu pensamento é quase que plenamente niilista. Quando comento a violência, a questão racial, sexual, religiosa, social e seja lá qual for, de forma e maneira pretendo me colocar à parte, pois como qualquer pessoa eu sou susceptível as pressões sociais, embora imagine que lido de maneira um tanto distinta. Então, numa demonstração inversa da que faço normalmente, não irei problematizar algo com algum distanciamento, mencionarei um fato que ocorreu comigo, colocarei minhas observações como personagem da situação, e deixarei os comentários a quem queira.
Sexta-feira a noite, após sair de uma casa noturna, dessas que promovem aquele badalado happy hour no centro do rio, paramos, meu namorado e eu, num ponto de ônibus. Nove e tantas da noite, rua bastante movimentada, e no meio da conversa meu interlocutor ficou pálido e mudo. Quando olhei em volta, vi um rapaz de camisa preta balbuciando ódio. Quando esboçamos sair de perto dele, encostou outro um rapaz. Foi então que tivemos a certeza: FUDEU! Paulo perdeu um celular que continuará pagando, e uns cascalhos. Eu uns cascalhos e um cordão estimadíssimo, presente do papai. O celular não foi porque, tenho até vergonha de admitir, reagi.
E então quando comentamos isso com parentes e amigos, surgem perguntas e mais perguntas:

1) Não tinha ninguém por perto? Era só o que tinha...mas ninguém apto a ajudar.
2) Era só um? Eu tive o desprazer de ver dois ao esboçar andar. Talvez se tentasse agir violentamente, pudesse ver mais. Quem sabe? Dois nos bastavam! Eu já estava satisfeita.
3) E eles estavam armados? Não paguei para ver! Se há algo que eu não duvido nessa vida é da facilidade de uma pessoa portar arma. Que controle se tem sobre a venda e o porte de armas?
4) Porque vocês não gritaram? Isso irei responder por mim, e Paulo (caso leia e queira) responde por ele. Eu não gritei porque eu adoro meu sorriso! Fiquei quase dois anos alinhando-o, e investi uma grana. Não vale a pena perde-lo numa situação dessas. Além do que, eu não tenho menor vocação para masoquista.
5) Vocês ficaram com medo? (essa é a melhor de todas!) Não...eu até gosto. A sexta estava muito paradinha, é bom pra dar uma animada. É igual pular de Bungee Jump, você paga caro e arrisca a vida! Uhhhuuuuuuu

E o mais destacável da situação, que não sai da minha cabeça, é o vocabulário básico do assaltante. Lembro-me que, em forma de ameaça, o rapaz disse: Não reagi não, não faz gracinha senão vou riscar vocês. Será que ele me vê como uma folha de papel, um quadro negro, ou coisa que o valha?! Essa frase fica se repetindo na minha cabeça sem cessar. É preciso confeccionar um dicionário com as frases de efeito dos meliantes. Na hora do apavoramento, é claro que liguei a tecla sap e praticamente adivinhei o que ele quis dizer com aquele olhar doce e voz suave, contudo, nem por isso deixo de reconhecer que a falta de entendimento poderia ser, aliás é, fatal.
Concluindo, eu não canso de repetir, se não derem por bem, as pessoas tiram na marra. Enquanto não houver uma política social séria, realmente interessada não especificamente em abolir as disparidades visto que isso é utópico e absolutamente inconciliável com o sistema capitalista, e sim em uma equidade, a escalada da violência não irá ater-se por aqui.


:: Postado Por Priscilla Xavier :: 4:30 PM :: Escreve que eu leio!:


Quinta-feira, Julho 01, 2004




Usos, desusos e abusos


Hoje, ao ver esta cena, no centro do Rio, mais precisamente na Rua do Ouvidor, não puder me furtar de registra-la. Naquele momento eu não sabia que tipo de comentário exatamente ela iria inspirar. Certeza eu tinha apenas de que aquilo não era algo muito convencional. Convencional denomino a idéia que dá origem a um ato ou produto/objeto. Numa das minhas imprescindíveis e edificantes aulas de marketing (tenho asco de toda a teorização, mas a utilizo sempre, pois tudo nessa vida tem utilidade, e o marketing serve pelo menos de exemplo cômico) aprendi que primeiro se cria um produto, para que as pessoas adaptem seu uso, depois ele é incorporado até tornar-se imprescindível. É mais ou menos a idéia de que precisamos de muito pouco para viver, mas não mais sabemos viver sem um monte de coisas. Havia vida antes da geladeira e da televisão, contudo, para a maioria das pessoas, sem esses dois objetos, e muitos outros, a vida não mais é possível.
Partindo de tais pressupostos consigo assimilar que, sobre a cena que me inspirou esse post, a graxa teve seu uso adaptado para lustrar calçados de couro. Os tênis foram inventados como calçados, mas não necessariamente de couro, e sequer para serem engraxados. Mas está aí, uma hilária ilustração que demonstra o quão originais e até forçosas são as pessoas em suas ações e condições materiais de existência. Primeiramente morri de rir, e coloquei meia dúzia de amigos para rirem também, dizendo: Vejam se aquilo não é o ensaio do apocalipse! Fotografei e fiquei rindo sozinha bastante tempo, até dar-me o estalo de que eu estava rindo daqueles malucos à toa. Na minha casa, e mesmo nos meios em que convivo, muitas são as adaptações dos usos. É bem verdade que nos enxergamos através do outro. Parei para pensar sobre as coisas na minha casa (chamo de casa por convenção, mas os habitantes e os hábitos aproximam-na muito mais do que chamam sanatório):
- Fazemos pipoca na panela de pressão
- O escorredor de arroz, de alumínio, é usado como fruteira
- Quando meu pai vai apertar um parafuso e me pede a chave, é melhor eu não me fazer de rogada e pegar logo a faca de manteiga
- Minha certidão de nascimento é bloco de anotações. Atrás dela meu pai escreveu o nome e telefone de alguém com um hidrocor verde.
- A certidão de casamento dos meus pais era calço da televisão velha que bambeava
Não pensem que minha casa é o único exemplo. Eu estudo numa universidade pública sem biblioteca. Para não dizer que não tem nada que se assemelhe, eles fizeram uma biblioteca provisória, a qual denomino carinhosamente "Anexo Lavoisier", já que segue a máxima de que nada se cria, tudo se transforma. Uma vez lá estava eu estudando e reparei que o assento era daqueles bancos de madeira, comuns em igrejas, e que para estudar era muito inconveniente. Sempre que chegava ou saía alguém, tinha que parar tudo e arrastar o banco para trás, esperar a entrada ou a saída, e depois realinhá-lo à frente. E quando eu dava a sorte de aparecer um estudante adiposamente favorecido, me via fazendo quase que malabarismo mediante a distância entre o banco e a mesa. Aliás, a mesa é também algo merecedor de comentário. Belo dia reparei que na lateral tinha dobradiça. Fui conferir as pernas, e eram dois cavaletes. Daquele momento em diante passei acreditar em reencarnação, pois em outra vida aquela mesa tinha sido uma porta.
E para finalizar, com chave de ouro, falarei do grande churrasco promovido por Sr. Ivo, um vizinho amigo do meu pai. Moramos num condomínio com apartamentos de primeira. Sim, de primeira porque se passar a segunda você vaza pela janela. Pois então, nosso vizinho Ivo promoveu um churrasco no banheiro. Onde era a churrasqueira? (perguntei ao meu pai) No vaso! Pensei ser algo realmente muito bem bolado. Mas churrasco, cerveja... como é que faz quem quiser tirar uma água do joelho? Ao que meu pai respondeu achando a pergunta estúpida: no tanque! Mas e no caso de querer dar uma barrigada? Meu pai galhofou e disse que esse sujeito acaba de ser convidado a se retirar. Não sabe brincar, não brinca!
Duas são as perguntas: Sem o que você não mais viveria? E o que você já reinventou ou viu o uso reinventado?


:: Postado Por Priscilla Xavier :: 5:38 PM :: Escreve que eu leio!: