![]() Menu · Home · Arquivo : Diagnóstico Idade: 26 Profissão: publicitária Estuda: Ciências Sociais Vocação: vadiagem Hobby: ler,comer e domir : Prescrições · Minhas Impressões · Cabralia Folia · E-pipoca · Criado Mudo · Blogger da Line · Eyepunch · DiAAmante · Nighterói · Pequi-up · Anarcosauro · Padrão GHISI · O Pastim · We in black · Cérebro Siliconado · Tiro no Sovaco · Ki&Cá · Parafraseando · Admirável Blog Novo · Fried my Little Brains · Zona Contaminada · Minha Filosofia de Vida · Crocodilos : Visitaram meu rebento
|
Pitty que pariu
Quinta-feira, Agosto 19, 2004
Fahrenheit 9/11 - Michael Moore abalaDois filmes clássicos. E, parafraseando uma excelente professora, clássico não no sentido de velho e ultrapassado, mas sim no de algo que transcende o tempo e torna-se sempre pertinente, atual, seja ao debate, seja à apreciação. A fórmula do seu trabalho é simples, e tal seja provavelmente a justa medida de sua genialidade, sua argúcia em dirigir filmes documentários. Não meros documentários, mas contundentes, audaciosos e debochados documentários. Aliás, entre a contundência, a audácia e o deboche, sequer consigo apontar o que nele mais me fascina. Seus críticos mais ferrenhos o acusam de ser um sujeito que odeia os USA. Total equivocada essa acusação. Verdade fosse, ele estaria, tal e qual parte considerável da nação, batendo palmas para o palhaço em cena enquanto o circo pega fogo. Michael Moore vem nos presenteando com uma aula, ou melhor, um show de cidadania. Sem mencionar os méritos dos métodos empregados em suas obras, os quais, sem querer me precipitar demais, trazem considerável teor científico e que, não sendo legitimamente uma obra científica, ao menos trata a questão por um viés merecedor de análise. A fórmula do trabalho não tem mistério. Cenário, os Eua. Atores, os cidadãos estadunidenses. Roteiro, fatos e documentos que desencadeiam uma análise "investigativa" da pluricausalidade de uma determinada questão em foco. Tudo isso incrementado com cenas impactantes, ironia, inteligência e boa música. O filme ao qual pretendo apontar algumas questões é Fahrenheit 9/11. Não obstante a inviabilidade de num comentário abranger todas as diversas possibilidades de debate que podem ser extraídas do filme, minha intenção é a de construir uma brevíssima análise sobre uma ou duas que me despertaram atenção. Pessoalmente, me salta aos olhos a convivência dicotômica de dois fatos. O primeiro é o da disseminação cultural valorativa baseada no êxito individual versus uma potencialização da comunicação global que aumenta, além do fluxo de informações entre as pessoas, o grau de dependência em todas as esferas sociais, desde a afetiva, tecnológica e, sobretudo, nas questões econômicas e nas relações de trabalho. O que ocorre num ponto influencia a todos, atinge até os recônditos do mapa. Grosso modo, o expansionismo da cultura ocidental, em destaque o ¿American Way of Life¿, aniquilador das diversidades culturais que por tal mais facilmente dominam os culturalmente desenraizados, é uma reformulação do que outrora chamava-se colonialismo. Michael Moore é assaz ao apontar as interferências políticas dos EUA nos mais diversos países, ora como ¿aliado¿ ora como ¿inimigo¿, variando de papel conforme os objetivos mais imediatos, porque não dizer mesquinhos, de privilegiar uma nação via opressão desmedida de várias outras. A resposta para essa ação foi privilegiada num campo científico diverso ao da política, a física. Reza a terceira lei de Newton que ¿Para toda ação há uma reação igual e contrária¿. Tal assertiva, atualmente, pode até ser refutável no plano físico, mas no social e político parece funcionar. Ainda que não interada das vicissitudes endógenas a pseudo nação estadunidense, o filme me despertou atenção para um outro fato. Tal é o fim de uma nação. Segundo Rousseau, um contratualista, o pacto social se organiza no instante em que os indivíduos, em vontade geral, que unifique, atravessando os indivíduos e grupos, dissolvendo os particularismo por um caráter maior, o bem estar comum. O povo seria uma coletividade de indivíduos, a partir do contrato social, constituídos como cidadãos, com participação no sistema. Como cimento para a solidificação de um caráter nacional é imprescindível um elemento central que transcenda as diferenças dos indivíduos no grupo e tal é a vontade geral. A idéia de vontade geral é a ¿bandeira¿, o elemento identificador, mobilizador, algo que amarre, articule a coletividade, podendo ser de ordem simbólica ideológica, ou simbólica encarnada em um líder carismático. Se as diferenças forem mais fortes que as semelhanças, logo o contrato se esvai. E assim, aos meus olhos, não mais consigo enxergar essa coesão, aliás não é só nos EUA que ela está relegada. O filme demonstrou a decadência do patriotismo, da vontade geral, ao tratar a questão militar. A cidadania virou mero artifício de exclusão. O séc. XX é o século da guerra. Uma falta grave nenhum pensador ou teórico, anterior ao fato, ter se debruçado sistematicamente ao fenômeno da ¿Industrialização da guerra¿. O filme privilegia a questão militarista norte americana comicamente, não fosse o quadro suficientemente trágico. O alistamento é feito de acordo com a necessidade. Aliás, necessidade de duas vias. A primeira é a da nação, que precisa espalhar terror e violência em povos que se recusam a se submeter. E a segunda necessidade é a dos jovens desprestigiados, dos desprovidos, dos sem perspectivas, sem oportunidades, e dos marginalizados em geral, que podem ¿conhecer o mundo¿ e terem ¿melhorias¿ e ¿oportunidades de progresso¿ sendo enviados para batalhas, ocupações e guerrilhas em todos e quaisquer lugares, tendo seus corpos como alvos da artilharia inimiga em nome de sua mui honrosa nação. E realmente, experimentam o progresso, das mais variadas perspectivas, da vida para o pós-vida, ou da miséria dos Eua para a penúria por ele disseminada. E em nome do progresso, ou da ideologia furada que seja, ou sem qualquer ideologia, esses jovens, lindamente trajados, potentemente armados, sem saber como, onde ou porquê, atiram em, segundo consta, muito mais civis que militares, embalados por músicas de rock ao pé do ouvido. A morte de um iraquiano deve ter um som de um dó maior como backgroud de uma letra estapafúrdia. Tem coisa mais maravilhosa do que os direitos humanos? Aliás, os direitos, além de humanos, são ocidentais. Não é perfeito? Há algo mais ¿progressista¿ que isso? E tome chumbo, pólvora, TNT e que mais for explosivo e letal nos que não rezem por essa cartilha. E a tática, mais simples e genial impossível, que Michael Moore utiliza para escamotear a política militarista do atual presidente estadunidense é perguntar aos políticos se concordam em alistar seus filhos para a nobre defesa da nação. As respostas e reações não são surpreendentes. Um dos argumentos que costumo utilizar é o de que, aos olhos ocidentais, parece uma danação o ato de amarrar-se a uma bomba e com ela explodir. Mudam alguns critérios, aumenta ou diminui a emoção, mas no final das contas, um homem bomba explode por fé a uma causa. Já os soldados norte americanos, muito provavelmente por descrença de alguma outra possibilidade de ascensão social, ou melhoria de suas condições de vida, respeito e/ou dignidade. Não que um homem-bomba não tenha suas razões políticas, sociais e/ou religiosas para doar sua vida, porém, se a idéia é um paralelo, quanto mais ¿sofisticada¿ é uma cultura, maiores são as necessidades, anseios e paixãos que movem indivíduos e menores são as possibilidades de satisfaze-las. Nesse quesito os EUA disparam na liderança. E apenas deixarei no ar, sem problematizar ou ir à raiz de questão tão complexa, o teor fundamentalista das atuações do presidente da referida nação. Em vias de conclusão, o filme é um grito, é mais uma voz que repercute. É um protesto que reverbera, não para ironicamente incomodar quem incomoda, mas para conscientizar e despertar mais vozes para uma postura ativa de reagir contra um poder de uma minoria, desprovida de escrúpulos, nos ditames dos processos sociais, políticos e econômicos que influenciam os rumos da humanidade. :: Postado Por Priscilla Xavier :: 7:00 PM :: Escreve que eu leio!: Quinta-feira, Agosto 05, 2004
Devagar divagandoEmbora eu não esteja atualizando esse blogger, vez por outra entro para ler os comments. Adoro todos, e em abono da verdade alguns deles são os responsáveis diretos pela atualização, ou não, dos posts. O comment que me moveu desta vez foi o da Alessandra, que me perguntava por onde eu ando. Pensava em ir até o blogger dela e responde-la, contudo, por não ter acesso a uma resposta satisfatória entrei no meu mundo lingüístico filosófico onírico psíquico neurológico para elucidar essa questão, que passou a ser uma auto-indagação e, paralelamente, pauta deste post. Por onde eu ando? É uma variante, da exclamação para a interrogação, da frase que me arremessam sempre que me vêem "Você está sumida!". Sendo que com a exclamação nunca me preocupei em grandes conjecturas. Mas a interrogação foi assaz. Escrevo este poste como quem caminha numa corda bamba, não querendo fazer do blogger explicitamente meu divã, tampouco querendo ser absurdamente impessoal. Mas, se eu não sei responder por onde ando, é sintoma de que eu posso estar perdida. Não há com isso o que temer, pois todo caminho leva a algum lugar. E nessa sucessão de clichês infames, posso fugidiamente cunhar uma resposta para eu não estar escrevendo mais no blogger: preguiça! Sou especialista no tema, e espécie de rara indisposição tamanha. No mundo cão o preguiçoso é mal quisto, quase uma danação, e mesmo com inúmeros reveses, sou uma preguiçosa assumida. Defendo a preguiça, sem pudor. Preguiça não mata, eu garanto! Se preguiça matasse, eu não me daria sequer ao trabalho de nascer! Ademais, se a todo tempo eu tivesse disposição, não creio que me empenharia tanto em aproveita-la quanto o faço sendo preguiçosa. Admiro e respeito quem tem disposição, mas não invejo! :: Postado Por Priscilla Xavier :: 4:47 PM :: Escreve que eu leio!: |