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Idade: 26

Profissão: publicitária

Estuda: Ciências Sociais

Vocação: vadiagem

Hobby: ler,comer e domir




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Pitty que pariu

Domingo, Dezembro 19, 2004




Dedicado ao meu computador


Computadores têm sentimentos. E quem acha que não, por favor, me convença. Pois eu irei discorrer uma série de fatos que me asseguram disso.
O ano inteiro eu trabalhei com esse computador, o qual estou dedilhando e dedicando esse texto. Ele atende as minhas necessidades acadêmicas, profissionais e recreativas. Aliás, não exclusivamente a mim, pois os demais membros da minha família dele também fazem uso. No início do ano, quando estávamos ansiosos por deixa-lo zerinho para mais um ano de atividades, ele ficou muito estrela, e passou a manter relações estreitas com arquivos de origem duvidosa, acabou contaminado por vírus e mais vírus. Pudera, a promiscuidade rolava solta, ficou exposto a introdução de disquetes dos visitantes que queriam se divertir com ele, mais especificamente os mafiosos amigos da minha irmã caçula. Em resumo, num mês, tive que zera-lo três vezes. Extirpei alguns carcinomas malignos como o Kaaza e o ICQ. Ano novo, vida nova.
No decorrer do ano, comportou-se bem. Quanto eu me vira entretida, ou melhor, atolada, com as atividades acadêmicas, alguns amigos me encheram de pedidos para copiar Cds dessa ou daquela banda, fazer coletânea de sucessos que embalam noitadas, e um sem número de outros afazeres inconciliáveis com o tempo e paciência que eu tinha disponível. Logo, meu computador, sentindo que eu estava sufocada e estressada, tomou uma decisão radical. Ele tem um leitor de Cd e um gravador. O leitor não fechava, e o gravador não abria. Remediado um problema e criado outro. Como eu teria acesso aos meus documentos guardados em Cd? Simples! Espere a boa vontade dele, pois sem dia ou hora marcada ele funciona perfeitamente.
E para finalizar meu relato da atividade anual do meu querido, estou eu em vias de finalização de trabalhos, e ele sentindo que eu não mais agüentava, estava prestes a pedir arrego, começa a exalar um odor de equipamento eletrônico queimado. Eu não queria crer! Todo o meu sacrifício de compor páginas e mais páginas num trabalho de conclusão de uma disciplina, que por sinal estava ainda na metade, parecia ter um sumiço decretado. Desliguei a máquina mais do que depressa. Tornei a liga-la, com um disquete reformatado em punho, e salvei meu bendito trabalho. Mas como finaliza-lo? Sem chance, o computador passara a se autodesligar, tipo um desmaio, umas ausências. Fui fazendo meu trabalho a mão. Deixei ele de lado, e a noite rezei muito para que ele melhorasse. Rezei pela memória dele, pedi muito anos de vida para a placa-MÃE dele, e ao que parece minhas preces foram atendidas. Hoje pela manhã, no último dia possível para a entrega, ele colaborou comigo. Não falhou nenhuma só vez. Não cheira a queimado. Não trava.
Mas, dos que estão lendo, quem nunca perdeu um trabalho de horas, ou dias num computador? Quem nunca ficou sem imprimir um arquivo de imediata importância? É só o computador sentir que você precisa dele, que ele dá erro.
E mais do que isso, quem não tem grande intimidade com ele padece. Ele pifa na sua mãe, mas quando vê o técnico funciona normalmente. Ele sente que você tem medo dele, e judia de você.
Mas ele não é ruim de todo, é um excelente amigo, companheiro. Ele canta para embalar minha dança e meus sentimentos. Faz silencia quando preciso pensar. Lê coisas que eu não teria coragem de falar nem para minha melhor amiga, e guarda segredo direitinho. Já viabilizou inúmeras e longas conversas noturnas em chats diversos. Já me viu marcar momentos inesquecíveis e mesmo inconfessáveis e abomináveis. Ajudou-me a conhecer e preservar amigos, claro que não faltam os efêmeros. Foi um perfeito mediador para um grande amor. E também de alguma forma alimentou algumas antipatias. E o melhor no momento, é que me possibilita escrever esse texto que chega até vocês.
Como é que o computador não sente?



:: Postado Por Priscilla Xavier :: 3:32 PM :: Escreve que eu leio!: