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Pitty que pariu
Sexta-feira, Março 04, 2005
Achados da Terra do NuncaEm recente passeio às salas de projeção, ainda na bilheteria surgiu o impasse: que filme ver? Eu queria era ir ao cinema, sem hora marcada ou filme em mente. E assim, às escuras, tive a felicidade de entrar na sessão de um filme magnífico, Em busca da Terra do Nunca. Eu poderia preencher laudas e laudas com opiniões a respeito do filme, sobre a irrepreensível atuação de Johnny Depp e sua mui justa indicação para o Oscar como melhor ator, sobre a magnífica adaptação, trajes, e tudo o quanto compõe a obra. Mas, irei focar-me a idéia do ¿faz de conta¿, a qual deixou meus neurônios em frenesi. É impressionante como o ser humano necessita fazer de conta. Sem uma crença, a vida parece destituída de graça. A crença não é somente um rito, é, para além, uma mola propulsora das ações humanas, sejam elas edificantes, sejam elas degradantes. É tão construtiva quanto destrutiva. E até quando a realidade torna-se dura de se aceitar, a crença em algo que nos conforta, é uma perfeita bóia de salvação. Por acreditar que a terra era quadrada o homem se impôs limitações. Por acreditar que era redonda, quis nela dar uma volta e ampliou seus horizontes. E como no mundo não faltam dúvidas, nunca faltaram respostas para alimentar os que nelas queiram ou necessitem acreditar. Essa noção em corolário é o princípio fundador de algo que, para não glorificar ou vilanizar nada nem ninguém, chamarei de corpo doutrinário, ou religião. A religião é um ás do ¿faz de conta¿. Que não me crucifiquem os judeus, pois respeito religião. Contudo, não posso calar e consentir com injustiças. Que a humanidade tem uma dívida, irreparável, com as pessoas dessa religião eu não discuto, mas que o povo palestino e árabe tenha que pagar por isso, eu não concordo. Nítido esteja ao leitor a minha intencionalidade em chamar palestinos e árabes de povo, e judeu de pessoas. Minha ênfase é na distinção entre religião e nação. Desde a ideologia alemã de Marx, que era Judeu, ficou explícito que a capa da religião não cabe mais ao homem da ciência. O estado há de ser laico. Por crerem na escrita de antepassados de uma terra prometida, endossados pelo poderio irrefletido de uma nação ultrajante, os Judeus ocuparam o território da Palestina, e num ¿faz de conta¿, criaram Israel. Israel é realmente a ¿Terra do Nunca¿. NUNCA vai ter paz! Claro que tomei este caso como a ilustração maior, mas muitas outras covardias estão sendo feitas em nome da religião. E apenas para concluir o raciocínio que por distante que possa parecer me veio de um filme ¿infantil¿. Aliás, nunca subestimemos os produtos supostamente direcionados para crianças, pois neles ocultam ideologias com fórmulas temáticas atuantes no contexto político e social, com enorme eficácia. Enfim, imaginem se para cada religião houvesse uma terra prometida. Promoveríamos modificações vultuosas no mapa no mapa, que fariam das Napoleônicas fichinhas. Sobre o ¿faz de conta¿, há lideranças religiosas, disfarçadas de políticas, promovendo mais disputas fundamentalistas do que bem estar social. Parafraseando Maquiavel, a política está para dar rumo às nossas vidas, e a religião que se ocupe de salvar nossas almas. Supondo, claro, que para as nossas almas ainda exista salvação. Digam o que for, acreditem os que quiserem. :: Postado Por Priscilla Xavier :: 6:36 PM :: Escreve que eu leio!: |