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Pitty que pariu
Segunda-feira, Novembro 14, 2005
Receitas ModernasO mundo está cheio de especialistas. Algumas pessoas são aptas a nos dar receitas que resolvem todos os males que atingem a humanidade. Isso é uma verdade tão una que atinge o ocidente e o oriente, ignorando fronteiras. E claro, com essas características, é uma invenção criada no ocidente e não raro utiliza o nome da ciência como uma muleta para dar sustentação à cambaleante crença. No Brasil, um país latino-americano líder em índices de disparidades sociais, essa vertente receituária emana, brota e se encorpa nas mais distintas áreas. Até porquê, com tantos problemas as receitas precisam ser numericamente proporcionais. Há receitas econômicas, políticas, ambientalistas, pseudo-religiosas, estéticas, e um sem número de divisões destas. Tornando o fato que eu discorro visível, posso citar alguns líderes de opinião com nome abalizado por terem receitas. Lair Ribeiro tem receitas para o sucesso. Seja lá que diabos você conceitue como sucesso, a receita para atingi-lo está inscrita em seus manuais, livros, vendidos em larga escala em quaisquer livrarias nas seções de auto-ajuda. A seção da livraria já dá a dica, mas as pessoas têm dificuldade de compreender. Então irei eu me dar ao trabalho de interpretar: auto-ajuda. Então, o autor do livro se auto-ajuda no impulso de ganhar dinheiro iludindo os que crêem que haja receita para sucesso. E, acreditem, a auto-ajuda funciona. Na pior das hipóteses, ao menos para quem escreve. Outro fenômeno com receitas, muito mais escamoteadas do que as inscritas como auto-ajuda, é o Paulo Coelho. Cheio de frases prontas, aforismos, contos, parábolas e demais furtadas de culturas diversas. Paulo Coelho em encaixa perfeitamente na frase da minha heroína Agrado, travesti de um célebre filme do Almodóvar: de original apenas os sentimentos. Seguindo a teia do que está no bojo da cultura majoritária, os conselheiros estéticos. Não creio que em outros tempos tenham vivido uma saga tão grande em busca da beleza baseado em formas mais ideais do que reais. Pois é, o auge da beleza é uma construção que vai se metamorfoseando ao embalo das estações. E é uma forma que é tão mutável quanto incisiva. Por exemplo, na atualidade, eu declarar que não acho a Gisele Bündchen bonita é por baixo um recalque, pura inveja, despeito. Existe uma forma de beleza, um padrão, do qual os estilistas, fotógrafos, designes, consultores de moda e demais profissionais do mundo do entretenimento, moda, estética e cirúrgico voltam seus esforços em legitimar, compor e recompor. Para fechar vem a miséria, se é que desses que elenquei é possível se fazer uma gradação do menos para o mais miserável. O conceito de felicidade. Esse conceito que paira sobre as aspirações modernas, mas que ninguém sabe definir, especificar. Vem sendo o filão principalmente de psicólogos, terapeutas, analistas e coisas do tipo. O conceito de felicidade é o último a ser citado porque é o mais complexo. Nele se encontram as receitas acima citadas, de se dar bem no plano profissional, estar bem espiritualmente, ter uma aparência mais que impecável (invejável), e ainda trás o elemento mais trágico que é o de êxito amoroso. Veja que a ênfase que eu coloquei não é no plano afetivo, e sim no amor, uma construção social ocidental, irmã ilegítima da ciência. Não bastasse o amor, há ainda aquele componente inadequado à atualidade chamado casamento. Mas, se o amor é embalado pelo desafio, pela inviabilidade, eis o casamento o seu lógico fim. Nesse último parágrafo permito-me desconstruir tudo o que parece estar muito bem estruturado socialmente. Aos mais sensíveis e politicamente corretos aconselho cessar a leitura por aqui. Aos que têm coragem, vontade, curiosidade ou não têm mais o que fazer, prossigam. De alguma forma, expor o que penso pode parecer uma receita. Mas, advirto, não é confortável seguir o que eu penso. Primeiramente, para Lair Ribeiro e seus competidores com receitas do sucesso profissional: se o trabalho enobrece alguém, é quem explora o alheio. Para Paulo Coelho e demais que tomando o caminho místico, religioso, espiritual ou o que seja: se vossas palavras fossem vossos atos o mundo não seria o paraíso, mas certamente não se assemelharia tanto com o que pintam ser o inferno. Aos mestres da beleza, dou os parabéns. Nunca um grupo foi tão bem sucedido em fazer uma crença tornar-se realidade. Minha curiosidade é se essa brincadeira não cansa. Doer eu sei que dói, haja vistas aos anoréxicos, bulímicos, viciados em exercícios físicos, em plásticas, em tratamentos de estética, em lipoaspiração, lipoescultura, e tantos sacrifícios mais inomináveis. Para arrematar, aos que investem na felicidade eu admito que até pretendo partilhar dessa crença. Desde que ela não seja uma receita pronta para alguém, e eu tenha que a ela me adaptar. Por exemplo, o casamento por amor, eu não sei quem inventou a idéia, mas imagino que até hoje está rindo do disparate. :: Postado Por Priscilla Xavier :: 8:21 PM :: Escreve que eu leio!: Quarta-feira, Novembro 09, 2005
Curtindo a CulturaEu posso falar de qualquer coisa. No mais das vezes lanço mão do deboche, da ironia e do sarcasmo para refletir sobre o que aos meus olhos não parece muito agradável. Em português claro, reclamo de tudo na base do escracho. Mas o que eu gosto mesmo é de escrever sobre filme. Essa semana o cinemark fez uma programação dedicada à produção cinematográfica brasileira. Segunda-feira, dia 07 de novembro, todas as salas do cinemark projetaram filmes nacionais. O ingresso para assistir aos filmes custava R$2,00 e toda a renda, segundo anunciado, fora revertida para o incentivo à produção cinematográfica nacional. Pelo descrito, três motivos animaram a minha segunda-feira. Motivo um, eu adoro cinema nacional. Dois, o preço é mais do que convidativo. E três, a idéia de incentivo à cultura. Os motivo me estimularam não necessariamente nessa ordem. Empolgada fui eu ainda bem cedo, por volta das 10h da manhã, para aproveitar a programação do dia. Chegando no cinema deparei-me com o triste cenário. Um bando de pessoas e uma única bilheteira. Isso não se faz. Cheguei 20 minutos antes da sessão que pretendia ver, mas apenas consegui, em tempo, comprar o ingresso para assistir um outro filme que não o que eu pretendia. Tudo bem pelo fato de que, os filmes nacionais ficam pouco tempo em cartaz e em cinemas não muito acessíveis e por assim muitos deles eu não tinha visto. Apenas um não assisti por convicção: Dois filhos de Francisco. Por sinal, deve ser o que deu a maior bilheteira. Mas pra mim não dá. Assistir a vida de Zezé de Camargo e Luciano no cinema, nem sob o poder se ácido. Respeito os numerosos espectadores do filme e fãs da dupla, mas por favor, me deixe não tolerá-los em paz. Então, fui ver "Mais uma vez amor". Uma comédia romântica com Juliana Paes e Dan Stulbach. O roteirista do filme é o primo da Bruna Lombardi, o Carlos Lombardi. É interessante pensar como a cúpula da cultura clama pelo acesso a cultura, projetos de inclusão social, amigos da escola, o caralho a quatro. Mas se levarmos a cabo, também são adeptos do nepotismo a panela como a nossa corja política. Querem exemplos? Vamos então pensar, sei lá, é tão nítido e fácil ver isso que até o Carlos Lombardi, que o nome soa familiar mas a imagem efetivamente quase ninguém vê, pode servir de exemplo dessa idéia de uma corrente em que um elo liga a outro. Já intencionalmente introduzi minha observação ao dizer que ele é primo da poetisa Bruna Lombardi. O que não chega a ser um argumento satisfatório, mas adiante imagino convencer-lhes melhor do que estou dizendo. Carlos Lombardi é autor de novelas globais. Sua marca é o humor, muito bem encaixados nas perspectivas das novelas do horário das sete. Entre as novelas de sua autoria posso citar Vereda Tropical, Bebê a Bordo, Perigosas Peruas, Quatro por Quatro, Vira-lata, Uga-Uga e, a mais recente, Cubanacan. Eu não quero me dar ao exaustivo trabalho de expor aqui o elenco de cada qual dessas produções. Mas julgo absolutamente viável a cada um lembrar de ao menos duas dessas novelas e de alguns personagens e relacionar um elenco com outro. Só se deve ter algum cuidado para não confundir uma novela com a outra. Carlos Lombardi adora colocar um jovem peludo com o peito de fora (Marcello Novaes, Murilo Benício, Marcos Pasquin, Guilherme Fontes, Guilherme Leme, Umberto Martins, Marcelo Faria, Mário Gomes, Eri Johnson), uma mulher boazuda e/ou fútil (Letícia Spiller, Betty Lago, Andréa Beltrão, Luana Piovani, Bianca Byington, Silvia Pfeifer) um pai ou mãe hipocondríaco e/ou superprotetor (Nair Belo, Tony Ramos, Betty Lago, Walmor Chagas, Murilo Benício) e umas crianças muito espertas fazendo adultos de bobos. As crianças não se repetem tanto, pois crescem muito rápido. Enfim, o fato é que pelo elenco da novela pode-se ter uma noção do autor. Muito claro esteja que eu tomei Carlos Lombardi como um exemplo, contudo, não é o único que faz isso, tampouco o que mais efetivamente opera nessa prática. Do fim ao cabo prevalece a prática da camaradagem, ou afinidade, ou que raio de nome queiram utilizar para dizer que há um circuito, uma trama, entre os produtores culturais, desde autores, diretores até elenco e demais técnicos. E não é pra restringir a lógica ao cinema. Ou alguém acha que a filha do Gilberto Gil é professora de química? Por acaso e filho e a filha da Elis Regina trabalham com manutenção de computadores? A mãe da Leandra Leal tem um teatro, né? O que têm em comum Walter e João Moreira Salles? Fora o dinheiro, claro. Glória Pires e Cléo Pires? Não acho o esquema absolutamente ruim. Sequer ponho em questão o mérito da maioria. Não me venham com aquela cruel e sórdida máxima em favor da estagnação e perpetuação das diferenças sociais, signatária do pensamento aristotélico de um lugar pra cada coisa e cada coisa em seu lugar, acomodando cada qual em seu lugar, na forma do "filho de peixe peixinho é". Também não me venham com o determinismo biológico de dizer que está no sangue. Isso não existe. Se fosse assim, eu queria muito receber uma doação de sangue do Bill Gates (pra não ter ética e ficar milionária), do Almodovar (solamente el mejor) ou até da Sharon Stone (pra seduzir o mundo e saber cruzar as penas). Não que eles só façam isso, mas é o que mais me admira. A lógica que eu me refiro é cruel não por favorecer parentes e amigos, mas porque dentro muitos outros também me desprestigia, me exclui das oportunidades por pesar o conhecimento em detrimento do mérito de algum desconhecido. Por essas e outras meu pai vive a filosofar: Filho de rico se dedicando a literatura, cinema, música e artes em geral é erudito ou artista; filho de pobre que se propõe ao mesmo é vagabundo, está perdido, não quer nada com a vida. Devo fazer a menção de que, embora haja esse sistema muito viciado, há iniciativas de reverter esse quadro através de projetos de canto, teatro, música e dança na maioria das comunidades carentes, ao menos do meu conhecimento, no Rio de Janeiro. :: Postado Por Priscilla Xavier :: 11:09 AM :: Escreve que eu leio!: Segunda-feira, Novembro 07, 2005 Coisas que eu não entendoHoje pela manhã estava ouvindo rádio. Achei triste ficar ouvindo as coisas e não poder interpelar o locutor para tentar esclarecer minhas dúvidas. Desde muito nova as pessoas sempre me pediam para eu ser mais clara, para eu falar direito, perguntar direito e no entanto ninguém nunca se preocupou se a minha lógica de raciocínio é tal e qual a majoritária. O que eu escrevo pode estar confuso, mas posso dar uns exemplos práticos da minha transcendente ineficiência comunicacional diária. Vocês estão interados dos conflitos violentos na França? Eu estou tentando a todo custo entender como esse processo se dá. As notícias do jornal, televisão e rádio não estão colaborando. Não precisa ler atentamente, mas observe o sequenciamento da informação: 1º Parágrafo: Paris, 7 nov (EFE).- Pelo menos 34 policiais ficaram feridos, dois deles gravemente, em um confronto com grupos de vândalos na localidade de Grigny, ao sul de Paris, enquanto 839 veículos foram incendiados e 186 pessoas foram detidas na 11ª noite de violência urbana na França. 2º Parágrafo: O último balanço policial, divulgado às 4h (1h de Brasília), mostra um aumento da violência usada nesta nova modalidade de guerrilha urbana, que agora não hesita em utilizar armas de fogo contra a Polícia. 3º Parágrafo: Em Grigny, ao sul da capital francesa, mais de 30 policiais foram feridos por disparos com armas e dois deles, ambos agentes antidistúrbios, foram hospitalizados com ferimentos de consideração, disseram fontes policiais. E seguem-se mais doze parágrafos dando detalhes do onde e do que foi destruído pelos manifestantes. Ao que eu e minha ignorância perguntamos: Realmente, tudo muito bom, muita destruição, mas porquê? Apenas pude compreender que é muito mais relevante fazer notícia em forma de auditoria das perdas materiais, com ênfase numérica, do que expor os motivos que levaram os jovens franceses a darem início a essas manifestações. Não sei dos manifestantes os motivos. Posso sem grande esforço especular diversos. Mas tenho certeza que não foi porque amanheceu um lindo dia que eles, por votação, decidiram quebrar tudo. Outra coisa que eu simplesmente não compreendo é o porquê das pessoas que pronunciam erroneamente algumas palavras fazerem questão de pronunciá-las em tom elevado ou, quando não, repetidamente. Alguns exemplos: "Isso é um pobrema, Pobrema sério" , "Ainda bem que você se alembrou" ou "Meu vizinho quebrou a cravícula". Há também os que têm um jeitinho singular de falar o plural: "As mulher se amarra" ou " A megasena vai pagar mais de trinta milhão". Da pergunta do porquê repetem ou pronunciam a palavra em bom som, me surgem algumas possibilidades: a) Estão em dúvida sobre a maneira correta de pronunciar b) Estão convictos que a sua maneira de pronunciar é a correta, mas o mundo precisa perceber c) Sabem a maneira correta, mas da maneira que pronunciam é bem mais bonita d) Estão falando e pouco preocupados se correta ou incorretamente. Outra coisa que eu não entendo, essa passa pelo medo, é o fato de considerarem o aviao um meio de transporte seguro, e ainda assim as empresas aéreas investirem em todos os vôos numa hilária apresentação com instruções de como reagir em caso de acidentes e panes. Avião é seguro, em caso de acidente, imagino a morte ser segura. O investimento nas apresentações é para: a) Justificar o valor da passagem, alegando ter investido em segurança b) Demonstrar como os comissários estão devidamente adestrados e têm dom para teatro c) Iludir as pessoas com a idéia de que máscaras de ar são suficientes e eficientes para salvar vidas num caso de despressurização d) Passar uma ilusão de que em caso de acidente, até o minuto final, o passageiro terá com o quê se distrair (as máscaras) e) É um artifício para dar tempo da tripulação se conformar com um vôo que será tranqüilo se não for mal Uma outra questão me atormenta não de agora. Porquê é que quando nos dão um benefício temos que pegar fila, e quando nos cobram vão até nossa casa? Certamente essa pergunta está colada a máxima de que "pobre só se fode". Pegando o gancho da pobreza, acho lindo como uma ONG precisa de miséria pra viver, mas insiste em fazer crer que sem ela "pobre" não vive. E quem é miserável nesse corolário? Então, por ora, essas são as dúvidas que consegui colocar pra fora hoje. Mas todos os dias me surgem perguntas. Me sinto tão "idiota" quanto uma criança de 5 anos. Mas vivencio essa idiotice muito mais como uma fonte da juventude e uma abertura para aprender, do que pelo lado pejorativo de meramente ser ignorante. Não é raro as pessoas falarem coisas que eu não compreendo. Nessas circunstâncias costumo brincar, sem constrangimento, que me sinto tão burra, mas tão burra, que se por acaso eu cair no chão relincho e não levanto mais. :: Postado Por Priscilla Xavier :: 10:30 PM :: Escreve que eu leio!: Quinta-feira, Novembro 03, 2005
FOTO/GRAFIASobre a atualização desse blogger? Eu não quero falar sobre esse assunto. A mente fervilha, mas nem tudo digno de ser publicado ou interessante ao ponto de ser lido. Coisas mais próximas da filosofia etílica ou mesmo das verborragias sórdidas. Grande número dos que lêem esse blogger deveriam me agradecer longamente por poupá-los. Mesmo sem intenção expressa, continuo a falar sobre imagem, dessa vez de fotografias. É magnífica a materialização chapada de uma imagem. Em sépia, preto-e-branco ou colorido as fotografias difundiram-se através do desenvolvimento social e técnico científico, num percurso rico às análises diversas. Meu primeiro movimento é o de tratá-la como um mecanismo análogo a uma máquina do tempo. Uma pessoa abre um empoeirado álbum de fotografias e segue as folhas a fazer uma narrativa de remontagem dos eventos retratados nas imagens. Há uma perspectiva visual amparada pela reflexividade e imaginação mediados pela linguagem. Uma imagem opera como uma máquina do tempo, como olhos que testemunharam e cristalizaram um evento. Através da imagem pode-se reavivar a memória de um passado, ou mesmo tentar reconstruí-lo. As fotografias não estão à salvo das especulações fantasiosas que não poupam palavras para forjar o discurso da "época de ouro", tão comum em todo tempo e espaço. Há uma espécie de recorrência de angulações ou fotos, para retratar tais e tais coisas e acontecimentos de períodos diversos. Por exemplo a burguesia utilizou muito bem a fotografia para firmar determinadas ideologias e entidades, haja visto nada mais burguês do que um retrato de família sentada à mesa fazendo uma refeição. É um misto de unidade da vida privada com a ritualização católica da ceia. Isso é apenas um exemplo da eficiência da composição das imagens em prol de uma ideologia. Um outro "padrão" de fotografia interessante é a de times de futebol. Não especificamente de times profissionais. Todas as fotos de time têm aquela fileira de homens, em posição reta com os braços para trás, com outros agachados numa fileira à frente. Os de pé figuram numa pose com ares "meio guerreiro meio garçon", e os abaixados naquela ingrata e antiga posição de defecar. Por certo há uma simbologia própria, contudo, não as imagino tão boas a ponto de inibir transgressões. Pode-se pegar fotos com 100 anos de diferença e nota-se que a composição é a mesma. Alguém manda os jogadores ficarem naquela organização específica? Há uma regra que normatize a pose dos jogadores e o ângulo do fotógrafo? Se de um campeonato para o outro não mudarem os jogadores e a faixa uma nova fotografia torna-se algo desnecessário. Sobre os times de várzea as fotografias tendem a ser tanto quanto ou mais padronizadas do que as de times profissionais. Peladeiro adora sair com a pose ou na posição do ídolo. Quanto mais se aproxima do padrão dos profissionais, mais se sentem legítimos jogares. Sem querer me alongar mais do que já o fiz, o gostoso de ver fotos antigas é aquele dedo indicador que explora sobretudo as pessoas, dizendo o nome e uma série de características de sua personalidade, e seus feitos. É lindo quando vemos uma fotografia, ficamos imaginando quem fazia o quê e como era, e depois alguém se dá ao prazeroso trabalho de nos contar os detalhes contidos na imagem retratada. Coloquei-me a pensar na imagem na era digital. Não quero me posicionar como absolutamente apocalíptica, mas o frame da situação precisa reflexão e análise. Num momento em que toda semana tiramos fotos em boate com um monte de estranhos sorrindo e fazendo ares de "estamos nos divertindo horrores" para postar num fotolog, isso não é algo sem conseqüência. Todas essas fotos de noitada têm também um ar padrão. O cenário é boate, e os personagens são "os mais recentes amigos de infância". Dessas imagens, daqui há 30 anos, o que temos pra contar? :: Postado Por Priscilla Xavier :: 6:43 PM :: Escreve que eu leio!: |