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Pitty que pariu
Terça-feira, Fevereiro 28, 2006
CarnavaisCarnaval é época de curtir. E que cada qual eleja o seu alvo de curtição. Há os foliões que curtem desfilar pela Marquês de Sapucaí, os que curtem sair atrás de blocos, os que curtam os bailes e mesmo os que curtem tudo isso. Há pessoas que curtem um retiro, um sossego, uns filmes, um livro, uma praia, enfim, todos aproveitam de alguma maneira os dias folgados de carnaval. Eu, no auge da minha preguiça, curto de tudo um nada. E nem assim me desanimo. Adoro ver as pessoas se divertindo e pensar o que vai na cabeça de cada um. Vejam como meus dias são animados: se vejo um pessoal entulhando bolsas, colchonetes, ventilador e até cachorro no carro para ficar horas no engarrafamento até chegar num local cheio e se alojar numa casa pequena e empoeirada, eu me pergunto o que se passa na cabeça desse sujeito, e além disso, que argumentos ele usou para convencer as demais vítimas a toparem essa empreitada com ele? Quando vejo uma escola de samba eu fico pensando no miserável trabalho de um carnavalesco de elaborar luxo do lixo. Penso também que se há algum ser que faz carnaval, esse não é o humano e sim o pavão. Penso também nos miraculosos cálculos financeiros de se colocar uma escola na avenida. Não desconsidero a elavada quantia pega pelas fantasias, nem sempre tão bonitas, e não me sai da cabeça o COMO aquelas pessoas conseguiram chegar até ali, seja para desfilar, seja para trabalhar ou apenas para assistir. Sim, porque o trânsito na região em dias comuns é trágico, e no carnaval é todo desviado, interrompido e confuso. Imagino que o pessoal das arquibancadas anda mais de um quilômetro da condução até o local de ver o desfile. E isso é nada se pensarmos que os integrantes das escolas devem fazer o mesmo percurso, sendo que munitos de uma parafernália desconfortável e pesada. Esfolam-se todos, tomam esporro dos diretores de harmonia a todo instante, e quando saem da avenida com as chagas do desfile, ainda são capazes de dizer que tudo valeu à pena pelo amor a escola. É um potlach onde tudo o que foi cuidadosa e desgastantemente elaborado em um ano, depois do desfile é lixo. Outra atividade carnavalesca que me deixa ávida de curiosidade é a de foliões que acompanham blocos. Compreendo que deve ser uma terapia não ter mais o que fazer e ficar tocando um instrumento, contudo, os que vão atrás desse instrumento têm uma tarefa que colorem como divertida, mas aos meus olhos parece ingrata. É um sem número de pessoas pés suados, melados de cerveja e sujos de poeira, andando ao som de algum batuque, se acotovelando e tendo que se desvencilhar dos catadores de latas e dos vendedores ambulantes. Esses sim, os vendedores ambulantes são os campeões de inconveniência. Se seguir um bloco já é uma tarefa hercúlea, o que dizer que fazer isso na companhia de ambulantes gritando, esbarrando com seus isopores molhados em todos, arrastando seus burros-sem-rabo, e em resumo, atrapalhando o já complicado andamento do bloco. O interessante do bloco é que, não precisa fantasia, o som pode ser pouco e ruim, que o que conta é a aglomeração e sua animação. Quanto mais desvairados tenha um bloco, maior o seu sucesso. Deixando de lado os ossos do ofício, eu ressalto a alegria dessas festas populares, pois têm um caráter expressivo de um povo, de uma nação. É realmente lindo o espetáculo que as pessoas promovem. Notável a harmonia brasileira em celebrar a diversidade, seja nos estilos musicais, seja na organização de eventos. Do frevo, maracatu, axé, samba, marchinhas, e todas as danças, sons e ritmos. Preciso ainda me indagar sobre QUEM disse que o Ivo Meirelles tem empatia para ser comentarista de samba. No quesito samba ele se auto intitula uma autoridade, detentor de todo o saber e astúcia do que possa compor o ofício do carnaval. Ele é um expert, com informações SÉRIAS para todos os detalhes de uma festa dita popular. Sabe tanto de carnaval, que nesses dias de folia ele incorpora a função de suplente de Jesus Cristo, enviado para salvar o carnaval. Eu não sou das pessoas que acham a humildade uma característica positiva, pois creio que por trás dela de um lado está a submissão e do outro a esperteza. Portanto, Ivo Meirelles entende mesmo do riscado, e não precisa se fazer de humilde. Contudo, no quesito empatia ele passou LONGE. A frase mais usada por ele esse ano foi a de que a rainha da bateria é trê lê lê pra televisão, que ousadias e coreografias da bateria são trê lê lê pra televisão, e coisas mais são trê lê lê pra televisão. O tapa na cara com luva de pelica é que ele e pago pra fazer tre lê lê pra televisão. O carnaval é lindo, maravilhoso mas, convém admitir, quem faz essa festa tomar vulto é o espaço que a mídia dá. Se o rádio, jornal, tv e a internet não cobrirem as escolas do grande grupo, as escolas passam e somente os seus componentes dariam importância. Por essas e outras é que tenho até saudade da Leci Brandão. Dos comentaristas desse ano, tenho um elogio ao Dudu Nobre, que entre arrotar teorias ignóbeis da realeza do samba e meter o malho na mídia, toma a decisão mais acertada: fica calado. Ele se vale com propriedade daquela máxima que diz que é melhor ficar calado e parecer idiota do que abrir a boca e dar a certeza. Da maneira que for, reconheço o desafio de fazer comentários para escolas de samba. Não é fácil esconder a emoção de cada um quando vê a sua escola desfilar. É um nó na garganta, é aquela furtiva lágrima, é o coração batendo forte. Eu, que não sou fanática, tenho as minhas fraquezas. Torço para duas escolas que chamo de escolas iô-iô, pois um ano sobe e no outro desce: Vila Isabel e São Clemente. Mas, esse ano chorei ao ver o desfile da Portela. O enredo me tocou! Sobre a cobertura da Rede Globo, é sempre um atrativo tosco. Esse ano a castigada foi a Claudia Rodrigues, pois ficou numa tal esquina, como um despacho, perguntando coisa nenhuma às pessoas que não tinham nada a dizer. É o papo de surdo e mudo. Saudade mesmo eu tenho do Fernando Vanucci, que num momento auge de sua opinorância (opinião+ignorância), comentando o desfile do Salgueiro falava que o Ita veio do norte, foi descendo pelo Brasil, passou por minas. Eu rolava de rir e me perguntava: COMO? O senhor das gafes se foi, mas a Rede Globo, como sempre, transcende. Agora, uma última frase para elucubrar na ressaca da folia: O mundo é gay e ponto. Mas o que são os carnavalescos? :: Postado Por Priscilla Xavier :: 9:08 AM :: Escreve que eu leio!: Quarta-feira, Fevereiro 22, 2006
Que trindade é essa?Não sei precisar quando, mas sei que houve um tempo em que três eram as regras básicas a serem seguidas: O respeito aos homens, o amor à família e a honra à pátria. Confesso que ainda hoje essas regras soam muito bem, contudo, o que ganham em beleza e sonoridade perdem em aplicabilidade e eficiência. Não obstante a criação civilizatória de cada um desses conceitos. Destrinchando, como respeitar os homens se a cada dia é mais expressiva a famigerada guerra de todos contra todos, tão bem formulada por Rousseau? Como ter amor à família se fora dela há um mundo atrativo de prazeres efêmeros, distantes de quaisquer compromissos? Por fim, e mais prosaico, como ter honra por uma pátria em que as obrigações dos cidadãos aumentam na proporção inversa as do Estado, em detrimento da maior arrecadação possível? Para quê eu quero uma nação? Onde se esconde a vontade de todos, ou o cimento que une e fortalece, conferindo legitimidade ao Estado? É sobre essa última colocação que as reflexões são mais contundentes. Procurando plausibilidade na idéia de nação, só cheguei aos grandes eventos desportivos. Nas olimpíadas e na Copa é que ter uma nação faz sentido. É nesse momento que há emoção, vibração, luta e as lágrimas correm. Distante dessas circunstâncias, se pudéssemos efetivamente escolher, sem enrolos burocráticos, a que nação pertencer, ficaria numa balança o ideal do maior benefício com o menor ônus. No Brasil essa balança pende demasiadamente para um lado desconfortável. E claro, em outros países, tomando a crise mundial, a realidade não é tão distinta. Para fins edificantes, cabe parafrasear José Roberto Toureiro, em seu livro "O Chalaça": numa certa idade apenas três sons fazem a felicidade de um homem: os aplausos dos amigos, o tilintar das moedas e os sussurros das mulheres. Na minha inútil opinião, essa certa idade não tem começo, mas é o fim. :: Postado Por Priscilla Xavier :: 8:45 PM :: Escreve que eu leio!: Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006
O gloriosoO glorioso é o campeão da Taça Guanabara! Após o jogo tive que ir à rua, gastar a paciência dos torcedores adversários e engrossar o coro da torcida campeã. Eis que no caminho havia um bloco, um bloco havia no caminho. Eu estava de bicicleta e não era possível transpor esse maravilhoso e inusitado obstáculo. O jeito foi encostar minha bicicleta e cantar e dançar com os integrantes. Eu não sou das mais ávidas pelo carnaval, mas devo confessar-lhes que desejo de todo coração que esse tipo de festa nunca se acabe. É divertido demais ver pessoas que nos dias da semana se paramentam de profissionais e investem num semblante sisudo. Mas, vestido de Clark Kant está o Super Homem. E não é que o Super Homem, em seu extravagante traje, estava no bloco. Por sinal, não era apenas ele. Lá também estava outro membro da Liga da Justiça, a Mulher Maravilha. E também não faltou Fred Flinston, noiva e o Máscara. A festa estava armada. Ao som de sambas enredos, um cavaquinho e uma bateria o bloco se concentrava. As pessoas eram animadas, a música era boa, mas o melhor da festa era a madrinha do bloco. Quem vocês acham que era a madrinha? A musa da novela das oito? Não! A modelo mais badalada das revistas de fofoca? Não! Alguma mulata de corpo escultural? Não mesmo! Era uma senhora, como toda senhora de pele clara, já tornada loira. A sobrancelha era um fino risco a lápis de olho. Segurava a bandeira do bloco com animação e orgulho. Sem querer precisar a quantidade de primaveras vividas, imagino que a madrinha do bloco já tenha visto o cometa Halley umas duas vezes. E se sua idade era muita, maior ainda era sua maestria em levar entusiasmadamente os ritimistas e os foliões bloco adiante. Esse é apenas um pequeno demonstrativo da relevância da alegria de blocos carnavalescos, distante das opulentas fantasias desfiladas num espetáculo para gringo ver e dos mega eventos baianos que extorquem uma soma considerável de dinheiro em troca de um lugar muito espremido e sem segurança numa multidão que traja uma camiseta fuleira personalizada agarrando corpos e beijando bocas como um esporte, num rankeamento de bocas beijadas. Sou à favor do beijo, das experimentações, do amor livre e do que mais seja, porém, para tudo nessa vida é preciso o limite do bom senso. Às véspera do carnaval, meu fogão campeão! É isso! :: Postado Por Priscilla Xavier :: 2:27 PM :: Escreve que eu leio!: Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006
MuniqueSe alguém se dar ao trabalho de traçar detalhadamente a trajetória profissional de Spielberg irá perceber que ele é Judeu. E não é de hoje. O fato é que agora, com os conflitos se intensificando em Israel, deixou sua posição bem mais escancarada. Se nos determos ao ideário de ET, conseguimos extrair um ar "extra"-terrestre, que sobra. Um ser diferente de qualquer outro e que deseja voltar pra casa. Ora vejam bem que os judeus acreditam que Israel é sua casa, sua terra prometida. Se fizermos observações sistemáticas em Inteligência Artificial, veremos que os humanos são chamados de org, e os outros são chamados de Meca. Ele pode tentar me convencer que é de mecânico, mas é uma coincidência muito triste Meca ser a capital sagrada do islamismo. Os meca, em Inteligência Artificial, são inferiorizados ao extremos e mesmo combatidos. Enfim, esses são detalhes perdidos em suas produções. Mas há também as ideologias inoculadas de maneira mais perceptível, como em "Lista de Schindler". Mas, Munique foi o escancaro. Nos primeiros dias de exibição do comentadíssimo filme, Munique, não havia filas no cinema. As salas não estavam lotadas, tampouco os espectadores pareciam muito empolgados. Mas, Spielberg é Spielberg, e não ganhou notoriedade sem mérito. Seu filme joga um fósforo na fogueira acessa dos conflitos entre palestinos e israelenses. Não irei me dar ao trabalho de destrinchar a questão judaica presente no filme. Até porque eu entendo tanto de Judeus quanto albaneses de jabá com jerimum. Enfim, o longo e arrastado filme me transmitiu uma mensagem para além das desavenças com relação a legitimidade da posse das terras da palestina que, segundo a crença de uns e o consentimento de outros, é o atual de Estado de Israel. Podando pelas arestas, excluindo as mortes, os tiros, as religiões, as olimpíadas e a visibilidade mundial de um drama que se arrasta, apreendi a entidade família. Na Palestina, em Israel, na Itália e na maioria dos lugares do mundo a idéia de família tem um poder construtor e destruidor. A família é um excelente motivo para viver e matar. Quando matam um membro da nossa família é covardia, quando matamos um membro da família de outro é justiça. Spielberg embora levante sua bandeira, mostra muito bem a força que tem a entidade família. Para assistir a Munique não é preciso ser ávido por cinema nem estudioso sobre conflitos religiosos ou terrorismo. Basta ter tempo, paciência e força de vontade. Agora, para entender o filme é preciso usar um barrete ou ser circuncisado. No caso eu não atendo nem ao primeiro, muito menos ao segundo quesito. :: Postado Por Priscilla Xavier :: 7:40 PM :: Escreve que eu leio!: |