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Pitty que pariu
Segunda-feira, Agosto 28, 2006
A marcha réEu penso muito, mas infelizmente a minha escrita não acompanha o raciocínio nem de longe. Em termos percentuais, creio que eu consigo escrever, sendo generosa, 0,047% do que penso. Como eu cheguei a esse resultado? Simples. Do mesmo jeito que os institutos chegam a mirabolantes números de resultados e opiniões eleitorais: EU NÃO SEI. Mas sei que o número é esse. Me esforcei, juro que quando comecei a escrever um post eu não tinha a menor intenção de falar de política. Sobretudo porque entendo tanto de política quanto um passarinho de elementos da família dos alcalinos terrosos. Mas nesse período não há escapatória. Mudarei de assunto, drasticamente. Creio ainda não ter comentado que assisti ao filme "A marcha do Imperador". Os pingüins são simpáticos, a marcha é poética, mas o filme é chato pra caralho. Desculpe o linguajar, mas determinados palavrões são perfeitos em muitas circunstâncias, e no caso desse filme ele não tem como ser suprimido ou substituído. Fazer documentários não é a coisa mais fácil do mundo. Ser original fazendo documentário, é ainda mais complicado. A marcha dos pingüins contornou a já surrada fórmula de fazer documentários sobre o mundo animal, a vida selvagem, ou algo que o valha, enxertando ares romanceados, fala aos animais e no final das contas tornou sentimento humano o que é instinto animal. A fotografia é ótima, e naquela imensidão de gelo não há como ser diferente. Contudo, o roteiro é bem arrastado, à cargo da tal marcha. A sensação é de que o filme não desenrola, e quando mencionam uma marcha a mais, dá medo de que essa marcha seja também exaustivamente acompanhada. É como uma ameaça que se cumprida me arrastaria para fora do cinema. Não sem empenho consegui acompanhar o filme e a famigerada marcha. Compreendo um filme iraniano ou árabe, em que o tempo opera de forma diferenciada e os atos são repetidos, contudo, num documentário sobre animais que habitam imensidões congeladas a fórmula não foi das mais felizes. Não fosse a narração tola, mas por vezes bem humorada, e a simpatia dos pingüins, realmente o filme seria um desgaste só. À guisa de palpite, coisa que nunca me falta tanto quanto nunca me é pedido, sugiro um roteiro de animação sobre a Marcha dos Pingüins, filmado todo no freezer de um botequim, tendo como atores aqueles pingüins de geladeira. Eu poderia ajustar umas falas espirituosas para esses personagens e caso o filme não concorra ao Oscar, garanto premiação no Framboesa de Ouro. :: Postado Por Priscilla Xavier :: 12:56 PM :: Escreve que eu leio!: Sexta-feira, Agosto 11, 2006
Não perturbem a fera que há em mimEu estou com uma carência. Sim, careço de algum motivo plausível para não estar aqui postando. Afinal, em algum momento da minha vida eu me convenci de que gosto de escrever. De verdade foi mais para fugir da oralidade do que qualquer outra coisa. Mas enfim, ando um bocado à toa. Há uma coisa que assola a humanidade, que é obter enorme prazer em não fazer nada, e ter enorme receio de admitir. Pois então, eu ultimamente me dedico a negócios. Para os que se interessam por morfologia gramatical, é exatamente negar Ando lendo de tudo, e me aprofundando em nada. É aquela versão de "li as 20 primeiras páginas". Um tanto inspirada em "O código da Vinci", ou mais sinceramente contida por Zinho Jupará que me afasta do ímpeto de adquirir um livro do Bukowisk, há dois dias ando tentando ler "A linhagem do Santo Graal", livro que tomei emprestado do cunhado. Como digo e repito, cunhado começa com cú não é à toa, e o livro segue essa linhagem. É um emaranhado de dados históricos que antecederam e justificaram a chegada de um Messias. Sabe aquele livro que você tenta ler, deixa ele meio que solto pela casa e quando o encontra já fizeram a presteza de desmarcar a página que você estava? Então, esse é um típico livro que é tão pouco conexo que você lê o mesmo capítulo e capítulos diferentes com a mesma sensação de que tem algo solto, vago. Mas indico, sobretudo para as mulheres grávidas, ou aos futuros pais. Se como livro ele não anima, certamente como listagem de nomes gloriosos da história é excelente. Aliás, talvez seja presunçoso usar o conceito história, pois não sei à partir de quando há história, ou sequer o que vem a ser história. O fato é que sou cética e a coisa piora ainda mais quando é mal contada. As vezes é melhor eu ler as pequenas notas que preenchem os jornais on line. Essa semana li que Bono Vox transfere sede do U2 de Dublin para Amsterdã para não pagar impostos sobre o lucro da banda. Deixa estar que U2 é a banda mais rica do mundo, e que no ano passado faturou 201 milhões de euros. Eu admiro a banda, admiro Bono e tanto quanto ele eu me sentiria muito mal em ter que ficar sendo usurpada pelo estado. Mas o que mais me admira na notícia é a disposição. Sim, pois se eu tivesse só a metade desse dinheiro eu nunca que iria ficar viajando pra lá e pra cá, cheia de tralhas, datas, coletivas para imprensa, pose para fotógrafos, ensaios, gravação de clip e shows. Só de enumerar eu canso. Com metade do faturamento da banda eu não tocava nem pro meu pai... E tenho dito, é por isso que Deus não dá asas para cobra. Eu com minhas aspirações medíocres e inteligência cretina, com tanto dinheiro só pensaria em não fazer nada pra ninguém. E o pior, eu ainda daria um jeito de corromper os amigos para largarem seus trabalhos e se unirem a mim, aproveitar o mar, o sol, a brisa e tudo o mais, convencendo-os de que na vida tudo está pronto para usufruirmos. Mas, como nada é perfeito, enquanto eu penso assim, em contemplação, em ócio, em paz, há japoneses trabalhando e estudando. Eu não preciso de um computador mais veloz, pois tenho todo o tempo do mundo. Deixemos tudo como está e nos ocupemos apenas com a manutenção. Num sistema de rodízio, há tanta gente desempregada que se dividirmos o trabalho este não onera nossa tranqüilidade e bem estar. De verdade o trabalho só é trabalho porque está para além da nossa capacidade de desenvolver tal atividade enquanto prazerosa. Já imaginou você saindo cedo e dizendo, ao invés de vou trabalhol, vou ao lazer! E como se não bastassem os japas, enquanto eu durmo Bill Gates enriquece mais e mais em nome do alto desenvolvimento tecnológico. Bill, pra quê tanto dinheiro se você sequer sabe como gastar? Seu prazer é fazer janelinhas, o meu é padecer com os frequentes erros nelas. É difícil competir com eles, mas como diz meu pai: EU VOU VENCER! Agora chega, pois eu preciso dormir. Parafraseando um sábio amigo do meu pai: O dia é pra descansar, e a noite é pra dormir. :: Postado Por Priscilla Xavier :: 10:53 PM :: Escreve que eu leio!: |