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Pitty que pariu
Domingo, Setembro 10, 2006
ConcentraEu estou com uma dificuldade absurda de seguir uma linha de raciocínio. Isso seja para escrever, seja para desenvolver qualquer outra atividade. Começo a ler a página de um romance, emendo na notícia do jornal e, de saco cheio de ler, findo com uma consulta ao horóscopo. Penso em ir para sala, dou por mim na cozinha e de lá saio correndo para o banheiro sem lembrar o quê quero. E claro, quem vai á cozinha abre e fecha a geladeira como quem faz pregações no muro das lamentações, até encontrar resposta para esse ato compulsivo. Vendo televisão, ligo o rádio e acabo tocando violão, mas não a música inteira, pois já cansei. Penso em telefonar para um amigo e acabo indo pedalar e ver o mar, e lá chegando preciso urgentemente gravar um cd de fotos antigas. E o post que hoje escrevo obedece bem essa baixa concentração nas coisas. Aviso antecipadamente para não acharem que sou doida, mas dará pra notar que a situação é crítica. Cinco adolescentes morrem num acidente de carro na Lagoa. A tragédia comove o Rio de Janeiro. Comove quem, cara-pálida? O discurso da imprensa para mim torna-se asqueroso a não mais poder. Vamos ler as estatísticas de acidentes de trânsito, vamos ter noção de que, por exemplo, na Avenida Brasil (via de acesso a todo o subúrbio do estado do Rio de janeiro, leia-se subúrbio tudo o que não é mostrado na novela das oito) a quantidade de adolescentes mortos não é insignificante, mas, entendam bem, os que morreram na Lagoa são filhos de classe média, portanto, tinham uma bela vida e futuro tornando lamentável portanto suas mortes tão precoces. Afinal, suas vidas são bem mais valiosas do que a de quaisquer outras vítimas de trânsito. O Detran agora se anima em fazer campanhas de esclarecimento que atinjam os jovens, ora essa como se todo o problema fosse a irresponsabilidade da direção impulsiva de adolescentes. Vamos analisar o fato mais amplamente: apenas uma das vítimas tinha mais de 18 anos e vinham todos de uma boate (alcoolizados ou não, é fato que não se comenta muito). Menores de 18 anos não podem freqüentar casas noturnas. Uma das vítimas a mãe sequer sabia onde ela estava. Permissividade é a palavra. A dor dos pais pela perda dos filhos é enorme, porém ronda esses pais a culpa. E a culpa não é a de ter emprestado um carro, ou terem deixado os filhos irem à boate. Sem querer generalizar, o peso é o de muito provavelmente terem perdido esses filhos antes do acidente. Estive há pouco tempo muito exposta à luz que ilumina nossas faces e ofusca nossa mente. Como acompanhante de quarto do meu pai enquanto enfermo, a televisão era o que me restava. Depois de 11 dias de confinamento, não há como deixar de comentar sobre tal experiência. O que eu tenho de imprescindível pra dizer é que eu descobri para que serve a televisão ligada o dia inteiro: para suportar o tédio e/ou fazer o tempo passar. Primeiramente, sobre o GNT. Assistindo a esse canal eu me sentia como um teletubies: de novo! Tudo se repete à exaustão. Eu chegava ao cúmulo de decorar as falas. Alguns programas até me agradavam. Por exemplo, o Saia Justa é um Lusco Fusco maravilhoso. Mas a pergunta que não quer calar: O que a Márcia Tibúrio faz lá? Ela é muito chata. Ou melhor, ela é chata pra caralho. Quando a função é falar bobeira ela se supera. Além de ter ares de correta demais, daquele tipo que toma sopa de letrinhas e caga em ordem alfabética, um asco. Outra coisa que tem em abundância na televisão são programas de culinária. É tanta gente falando bobeira enquanto cozinha. Aliás, cozinha nada, e sim coloca alguém pra cozinhar. Enquanto um infeliz cozinha o outro alimenta o espectador de bobeira. Gosto mesmo é do Oliver Twister (que faz tudo rapidinho, no time da minha pouca paciência), e uma tal de Margela, que faz coisas saborosíssimas seguindo a cartilha caguei pra saúde. Ela fez a receita de um cheese cake com a massa feita de cookies, e o que ela acrescenta de manteiga nessa receita garanto que seria suficiente para enriquecer o inhame de no mínimo uns vinte somalianos. Mas o cheese cake foi oferecido a não mais de oito amigas que tomam diet shake, tac 500, chá sete ervas, magrins, desobesin e a dieta da Luciana Gimenez. Sobre a repetição da programação dos canais Globo Sat é até algo que compreensível. Para você bancar a assinatura da tv é preciso trabalhar a não ter tempo de usufruir de tal. Mas se um só dia você der o azar de poder assistir a programação, adeus assinatura. O GNT tem programas ótimos, mas tudo se repete. O multishow tem shows excelente, mas também repetitivos demais. Já a globo news, as informações tem até alguma atualização, mas me maltrata terem investido tão pouco na confecção de vinhetas. É tanta musiquinha de sampler eletrônico manjado, bases prontas, que o canal torna-se cansativo, enfadonho, irritante, mesmo não sendo a música o atrativo chave ela acaba sobressaindo, e mal. No final das contas, assina-se a tv à cabo para melhorar a imagem da tv aberta, metafórica e literalmente. Quem tiver o endereço, telefone, e-mail ou o que seja de um profissional que possa tratar essa minha pouca paciência, alta dispersão e nenhuma disciplina, por favor, não demore em me mandar. :: Postado Por Priscilla Xavier :: 11:40 PM :: Escreve que eu leio!: Sábado, Setembro 02, 2006 CaligraFRIA![]() :: Postado Por Priscilla Xavier :: 3:08 PM :: Escreve que eu leio!: |