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Quarta-feira, Janeiro 24, 2007




Laissez Faire


Eu já cansei de pedir que parem o mundo pois quero descer. Não sei se peguei esse mundo as pressas porque foi o primeiro que passou, ou se eu li errado a placa, mas o rumo que ele toma não é o meu, em definitivo.
Todos os dias eu faço uma exercício mental internalizando a idéia de que, não importa o que eu veja, não importa o que eu ouça, eu não irei criticar, não irei me importar. Nada do que é externo a mim pode me abalar. Entôo o mantra ZENN ZENN ZENN. É o principio básico que ordena o mundo segundo a lógica do liberalismo laissez faire, laissez aller, laissez passer, que significa literalmente "deixai fazer, deixai ir, deixai passar". Nada de interferências!
Hoje ouvi na televisão (apenas ouvi mesmo) um fofoqueiro , daqueles que curtem um pecado venial, falando que era amigos de um monte de gente famosa (todos a medida do sucesso). Falava da vida dessas pessoas com muita propriedade, como quem efetivamente participa. Primeiro disse que o erro do amigo Ronaldo Esper (detido pela acusaão de roubar vasos em cemitério) é indefensável. Juro que me contive, mas eu só pensava QUEM É ESSE SUJEITO pra sentenciar o pseudo amigo? Certo ou errado, usar um espaço na televisão para em termos fofoca dizer que o amigo ta mais certo ou mais errado é o fim.
Na seqüência desse bloco, eu já estava com os olhos numa coisa e os ouvidos em outra. O que eu ouvi dessa vez foi que a Luciana Vendramini, amiga de Roberto Carlos, ex-qualquer parada do Paulo Ricardo, e modelo que sofreu de Toc (Transtorno Obsessivo Compulsivo), recebeu um telefonema de um amigo que mora em Nova York, comunicando-a que um amigo (que em algum momento da vida fora namorado dela) se suicidou. O apresentador fazia voz lamuriosa, dizendo que nesse momento deveríamos ter muito carinho com a Luciana, afinal a vida dela é complicadinha (nesses termos). A pergunta é: nós QUEM? Você conhece a Vendramini? Nem EU! Mas temos que ter compaixão, dar nosso carinho, pra ela poder sair dessa situação difícil. E os meus peitos com isso?
Para não observar apenas o que ocorre na televisão, tem cenas domésticas. Meu pai colocou numa panelinha (daquelas na medida de um miojo) um copo e meio de água e um quilo de aipim para cozinhar. Não bastando a desproporção, o aipim cozinhou horas a fio, parecia mais um guisado de galo de briga, nunca que amolecia. Enfim, não tem o que comentar, meio copo de água, um quilo de aipim encruado e várias horas de desperdício de gás, é a receita para minar minha paciência. E eu só no laissez faire.
Vez por outra ouço acusações de que eu altero de humor, não tenho paciência, sou muito crítica, e coisas do tipo. Discordo e invisto em minha defesa. Não tenho variações de estado de humor. Em verdade tenho especificamente dois, o ¿estou tranqüila¿ e o ¿estou puta¿. Isso é uma benção, pois há quem fique magoado, angustiado, ansioso, irritado, apreensivo, constrangido, aperreado, compenetrado, instigado, enfadado, furioso, nervoso, estressado, e tantos mais. E é isso, SE QUISER! Então, parem o mundo que eu pretendo descer.



:: Postado Por Priscilla Xavier :: 7:58 PM :: Escreve que eu leio!:


Segunda-feira, Janeiro 15, 2007




Ou sai o samba ou saio eu


Eu quero, antes de qualquer coisa, fazer um apelo. Por obséquio, não me chamem para ir a ensaios de escola de samba. É mágico, é cultural, uma das maravilhas da humanidade, é o caralho, ou o que mais queiram, mas eu não estou com pachorra pra samba. É uma implicância! Pode ser momentânea, mas não gratuita. Deixa quieto.
Mal consuminos a primeira quinzena de janeiro e as pessoas não sossegam. Há uma pergunta no ar: O que nós vamos fazer no carnaval?
Essa pergunta me foi proferida três vezes, a queima-roupa, por pessoas distintas, num mesmo dia. Aos três franco-atiradores não tive resposta. A única noção que pude transmitir a eles é a de que para mim esse será o carnaval mais humilde de todos os tempos. A dureza me consome como vermes a um cadáver: impiedosa e incessantemente.
Sem maiores perspectivas sobre o carnaval 2007, hoje estive a recordar meus carnavais. Em grande medida pra tentar recordar que milagre eu operava nos meus auros tempos de "juventude mesada escassa".
De muitos carnavais houve uma memória que fez cócegas no meu cérebro. Quantas vezes faço lembrar, tantas vezes me farto de rir. Foi um carnaval que passei em São João Nepomuceno. Só pra eu gravar o nome do lugar demorou semanas. Lá fui eu com a mochila nas costas, alguns trocados no bolso e três amigas a tira-colo aproveitar os dias de folia numa cidade pequena, em Minas Gerais.
A viagem não era das mais longas, logo chegamos até a cidade. Deparei-me com uma realidade truculenta que se tornaria parte do meu dia-a-dia enquanto foliã. A casa em que eu iria me hospedar era a última de uma ladeira tão íngrime que se colocassem corrimão era tal e qual uma escada. O trajeto até a casa não era feito por menos de três minutos, dois suspiros e um desmaio. Calculo três minutos na passada larga e ligeira, pois no manso cinco já era lucro. Coisa fina! Era esse meu comitê de recepção. Mais especificamente decepção aos mais fracos.
Como todo esforço é recompensado, a casa não deixava a desejar. Era um oásis, grande, confortável e cheia de gente. E não era qualquer tipo de gente, eram tias da minha amiga. Sem entrar em detalhes, mesmo com o desgaste da folia retornei pra casa com uns três quilos a mais. A mesa da casa era farta e ficava o dia inteiro sendo abastecida. Por mais que comêssemos as tias sempre ralhavam dizendo que não tínhamos comido quase nada. E a vida era essa, de comer, dormir, jogar baralho e rir, mas nada fazia a hora passar. Foram apenas alguns dias, mas são tantas lembranças que mais parecem uma vida.
A noite, por volta das 7h, começava o rodízio para o banho. Três horas depois descíamos num grupo de sete. Aos primeiros raios da manhã, subíamos cada qual em horários e estados distintos.
O maior atrativo da cidade era o Bloco do Barril, o qual congregava foliões vindos de cidades próximas, como Bicas e até mesmo de Juiz de Fora. O bloco era tão grande, e a bem da verdade a cidade tão pequena, que a cabeça encontrava com o rabo sem que ele saísse do lugar. Era lindo de se ver um pequeno carro de som, com um barril, arrastando uma multidão. O barril que abastecia os foliões era cheio de qualquer bebida alcoólica cedida por quem quer que fosse. Grosso modo, os comerciantes locais cediam garrafas de qualquer cachaça, aguardente ou o que fosse combustível para encher o barril. Os foliões bebiam num ato de coragem mais do que de animação, e pulavam o quanto aguentavam. Como eu costumo dizer, era bem um ensaio para o apocalipse.
A bebida do barril era bem consumida, mas naquela cidade consumido mesmo era desodorante a base de álcool. Nas farmácias não existia. Da mesma forma não se encontrava éter. Todos eles eram consumidos em forma de loló. Notei inclusive que tinha muita vovó na merda, cheirando a cecê, por conta dessas maldades. Eu acho que o avanço do vovô e o cashmere bouquet da vovó são sagrados, mas tem vagabundo que não respeita, se desalinha.
Tudo muito bom, tudo maravilhoso, nada de detalhes comprometedores, mas a folia acaba. E foi justo no dia de voltar para casa que eu vi, meninos (as) eu vi. Voltei nas primeiras horas da manhã da quarta-feira de cinzas, ou seja, muita gente ainda estava de pirraça esticando a folia.
Pegamos o primeiro ônibus para o Rio. O ônibus fez uma parada breve na rodoviária de Bicas. Eu fiquei na janela oposta ao terminal, na qual se via algo como uma quadra de esporte, cercada de barracas e algumas pessoas já entregues à indigência, dançando com as últimas forças. Entre eles sobressaía ama altiva bailarina, negra esguia com os ossos adornando o contorno do corpo, por certo mendiga local. Todos os que ali estavam lutando bravamente contra o cansaço enchiam o copo dela, e tal e qual ao Barril de São João Nepomuceno, não importava com o quê, desde que alcoólico.
A dançarina não parava, as coreografias eram exuberantes com a intenção lasciva, mas em verdade passavam no máximo por risíveis de apurado que era o físico e a coordenação dos movimentos. Lembro-me que um funk tocava muito alto, insinuando uma descida até o chão. A memória me falha a letra da música, mas a coreografia me vem impecável. Ela foi até o chão! Mas por lá ficou até que alguém a socorresse. Delírio da galera do ônibus.
Mas como pouca miséria não basta, parece que o DJ estava achando o espetáculo pouco. Todos dentro do ônibus nessa hora estavam animadíssimos, rindo e tentando acompanhar a desenvoltura da dançarina. Foi aí que o DJ, que certamente não tinha mãe, fez o arremate. Introduziu a música que naquele momento deveria ser proibida por lei. Alto e em bom som já iniciou com o refrão: Tira a CAMISA! E não tinha outra coreografia: Ela tirou a camisa e começou a rodar. Era a visão do inferno, eu chorei e até hoje choro e agradeço por ter presenciado aquilo. Mil anos não irão me apagar essa hilária lembrança. Não sei o que era mais engraçado: se a cara da dançarina sensualidade a toda prova, se a rodada da camisa, se o soutiã em estado deplorável, ou se a escassês unida da flacides mamária. Eram muitas informações, fiquei indecisa!
E então vejamos o que vai ser nesse carnaval 2007. Aceito convites, propostas e/ou sugestões!


:: Postado Por Priscilla Xavier :: 12:54 AM :: Escreve que eu leio!:


Segunda-feira, Janeiro 08, 2007




2007 não está pra quem quer, só pra quem aguenta




Não, não, não, mil vezes não. O ano ainda está nos primeiros dias e os brasileiros já padecem.
Na região sudeste chuvas constantes causam desastres, grandes perdas materiais e um razoável número de vítimas, algumas fatais.
No Rio de Janeiro Sérgio Cabral já capta forças com a união para conter o animado e crescente avanço da violência e criminalidade. Não para proteger a população do estado, esta tem mais é que se acostumar com isso. A ajuda federal é no sentido de poder realizar com tranqüilidade o Pan Americano.
Estive passando pelos arredores da mega construção do Estádio Olímpico Municipal João Havelange, nas imadiações do bairro do Engenho de Dentro, zona norte da cidade. Minha cabeça fervilhava de perguntas:
Por onde passarão os ônibus das delegações cheios de atletas? Todas as ruas são mal sinalizadas, esburacadas, de mão dupla e com PILOTOS fazendo manobras radicais a cada metro.
Já pediram autorização para os bandidos? Sim, pois a prefeitura sabe que não basta querer fazer algo, precisa pedir a autorização dos efetivos administradores locais, leia-se bandidos, grupos de extermínio, quadrilhas, milícias ou o nome que julgarem mais pertinente.
Já explicaram e treinaram os motoristas nos procedimentos ritualísticos para transitar em determinadas zonas? Sim, qualquer aspirante a Carlos Gardel, Mercedes Soza, Hugo Chaves, Rick Martin, Julio Iglesias, ou quem queira que seja a autoridade americana que conduza o veículo de sua delegação, deve saber que próximo das favelas há que dar uma piscada com os faróis e passar devagar. Em algumas circunstâncias é preciso esclarecer para onde vai.
Nem tudo é drama no Pan. Ouvi rumores de que Higuita, Maradona e Valderrama têm credenciais de livre acesso ali pela área da Vila do João, mais conhecido como Faixa de Gaza.
Ainda sobre os preparativos do Pan Americano, não consigo deixar de comentar sobre a Vila do Pan, um complexo residencial na região mais subdividida do Rio de Janeiro, Jacarepaguá. Primeiro de tudo, a especulação imobiliária faz com que alguns quilômetros de Jacarepaguá sejam chamados de Barra da Tijuca. Então, em Jacarepaguá, onde não há condomínios da Barra, é Anil, Gardênia, taquara, Tanque, Freguesia e favelas. A Vila do Pan foi uma obra faraônica, construída a três marretadas, logo na saída da linha amarela. Captaram mão de obra barata num local onde não há condução pública ou particular que trafegue a menos de 80km/h. Em parcas palavras, no trecho da Vila do Pan era possível ver a figura mitológica do Paraíba Alado de Vida Efêmera. Era o ser sair da obra, atravessar uma da várias pistas da linha amarela, tomar uma porrada seca e certeira de van, carro ou ônibus e voar para a eternidade. Mas claro, desde que façamos um bonito Pan, não importa a ninguém o número de vítimas.
E como se tudo isso fosse nada, vem aí mais uma temporada de Big Brother Brasil.
Tá bom pra você?


:: Postado Por Priscilla Xavier :: 4:06 PM :: Escreve que eu leio!:


Segunda-feira, Janeiro 01, 2007




As viradas para 2007



A preguiça que acomete um ser já insubordinado por essência, como eu, deixa seqüelas. Sem receio admito que se algum dia tive jeito para escrever, nesse momento por certo não o tenho mais. Tudo é uma questão de prática e exercício, e estou na abstinência quase absoluta. Há os que dizem que não se desaprende a andar de bicicleta. Digamos que não desaprendi, mas estou insegura e cambaleante.
Um bom exercício é escrever sobre as coisas mais simples e cotidianas. Aos que não têm paciência ou interesse, podem parar aqui, deixar ou não comentário, pois já antecipo que não haverá prejuízos à minha estima.
A virada de ano de 2006 para 2007. Sem ser exaustiva nas retrospectivas, 2006 foi um ano só razoável. E por razoável já me coloco como generosa. No Brasil, CPIs, dossiês e milhões de intrigas que tornaram um fato midiático a corrupção na esfera política. Midiático é o termo, e não pública visto que nada surpreendeu a população. Teve ainda eleições e, claro, escâdalos. No mundo tsunami, Katrina (geograficamente, no meu entender tem perspectivas bastante positivas), crescentes e calorosas disputas políticas e econômicas camufladas de religiosa, a perpetuação das reservas beligerantes no estado da palestina (o que os EUA impõem ao mundo sobre a insígnia de Israel), e um exacerbado temor a um monstro gerado e bem nutrido pelos EUA chamado terrorismo. Esse monstro nos EUA é uma espécie de deus, oniciente, onipresente e onipotente. Desde o bicho-papão não se via tamanho poder de um mito.
Já que mito veio à baila, cumpre destacar um dos episódios mais historicamente marcante, o julgamento e a pena capital do Saddam Hussein. Lamento muito e sinto-me quase que inconformada com sua execução. Normalmente sou contra a pena de morte, mas no caso do Saddam minha postura é ainda mais firme. É um absurdo matar Saddam. Em Saddam eu nunca que dava de pau, visto que correria o risco do pau quebrar. Em Saddam eu dava era com uma barra de ferro, pois se na pior das hipóteses entortasse eu dava com o outro lado até ajeitar. Eu em verdade zelaria pela vida de Saddam com afinco. De dia ele apanhava e a noite ficaria resguardado numa enfermaria. E que ele tivesse vida longa!
Pelo ínfimo repertório é fácil concluir que para 2007 não faltam votos de que seja um ótimo ano. E pela atuação de 2006, tampouco ser melhor parece difícil. Esperança é o que embala e entusiasma a virada, torcendo para que seja literal. No primeiro dia cumpre tão somente descansar da farra. No meu caso é o dia de já colocar para frente algumas metas pessoas, como dominar a preguiça ao invés de ser dominada por ela, e vivenciar tudo absorvendo o máximo das coisas boas. Rendo então homenagem a uma amiga, Fernandinha Preá. No momento mister das superstições, em que se come uva, pula onda, guarda caroço de romã, veste calcinha amarela, joga palmas e barcos ao mar e todos trajam branco, Preá estava no seu traje civil de sempre: tênis (momento gala, pois normal mesmo é havaianas), calça jeans e uma regata que não tinha uma cor bem definida (uma cor que muito fazia lembrar a daquelas Brasílias, chevettes ou fuscas adulterados que são vendidos até hoje em feiras clandestinas nas margens da avenida Brasil escrito no parabrisa: RARIDADE , muito nova, carro de mulher. Algo entre o bege, creme, cáqui, caramelo, marrom claro, bronze, café-com-leite ou palha). Tive a intenção de tentar compreender que mensagem ela estava transmitindo através do traje. No auge de sua sabedoria mundana e alucinações intorpecentes, perguntada sobre o que desejava para 2007 vestindo aquela cor, na lucidez e empolgação disse: Qualquer porra que vier tá bom. Tem é que vir.
E assim desejo 2007, que venham muitas coisas, pois quero estar preparada para saber aproveita-las. E que para todos os que lêem esse post o 2007 seja o tanto mais próximo possível do que vocês imaginam ser um ano bom.


:: Postado Por Priscilla Xavier :: 12:58 PM :: Escreve que eu leio!: