![]() Menu · Home · Arquivo : Diagnóstico Idade: 28 Profissão: publicitária Estuda: Ciências Sociais Vocação: vadiagem Hobby: ler,comer e domir : Prescrições · E-pipoca · Contos e Crônicas · Eyepunch · DiAAmante · Pequi-up · Corra Alcira, corra · O Pastim · Balde de Gelo · Fried my Little Brains · Hai-Kai · Alma transparente · Tudo o que é sólido desmancha no ar . Idéias de Lívia Lamblet : Visitaram meu rebento
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Pitty que pariu
Sexta-feira, Maio 18, 2007
Boas ReferênciasComo sou dada a observar atentamente o comportamento alheio, acabo elaborando teorias mirabolantes a respeito do que observo. Essa semana uma amiga da faculdade ouviu-me chamar o local de instituto e riu. Quando perguntei qual era a graça ela me disse que a vó dela quando vai fazer o cabelo diz que vai ao instituto. Duvidei imensamente dessa ilustração. Que vó é essa? Instituto não é palavra que componha o vocabulário de uma vó. Desde quando uma vó vai ao INSTITUTO de beleza? Ora essa, em que mundo estamos? A partir de então meus olhos se voltaram para os idosos. Fernanda Young a certa altura teve a infeliz sinceridade de declarar no programa "SAIA JUSTA" o seguinte: "Eu tô cagando pra velho. Eu tenho uma teoria que até já escrevi a respeito: Todo velho é um filho-da-puta que envelheceu. Sabe aquela história de que "vaso ruim não quebra? Pois é, pra mim velho é um vaso ruim, é por isso que não quebrou; se chegou à velhice é vaso ruim, é filho-da-puta!". Ela foi infeliz não em pensar, apenas em expor tão sem reservas o que pensa. Em verdade muita gente pensa e age a partir da mesma idéia, mas poucos tiveram a audácia e originalidade de, num meio de comunicação de massa restrita, dizer isso, que ¿tá cagando para os velhos¿. O estado caga para os velhos. Os filhos que os colocam em asilos cagam para os velhos. Os que maltratam velhos cagam para os velhos. Mas, enfim, o correto socialmente é execrar a escritora que diz isso. Não em defesa, mas pode ser que ela no trato com idosos seja muito mais razoável do que as pessoas que se escandalizaram com o que ela disse. De minha parte, velho ou novo, o filho-da-puta nasce. O mesmo ocorre com as pessoas boas, legais, interessantes e mesmo as indiferentes. Mas, voltando ao velho, idoso, vivido ou gasto, eles estão aí, compondo a nossa realidade. O que mais acho interessante é a concepção de que eles transcenderam períodos de aceleradas transformações, e trazem em si fragmentos de períodos diversos. Adoro quando consigo identificar períodos históricos nos hábitos de alguns idosos. Seja nas vestes, seja no discurso, seja na postura, seja no consumo, eles são de uma riqueza ímpar. Tenho certeza que você já se deparou com um velho que usa óculos de armação quadrada, contorno generoso preto, com remendo de durepox em uma ou nas duas pernas. Bingo. Período de Getúlio. Esse é bastante velho mesmo, acompanhou a sucessão de Dutra por Getúlio, tem um grau de escolaridade baixo, até porque nesse período boa parte da população era analfabeta, a despeito do empenho ideológico/pedagógico dos militares. Esse velho trás esses óculos como testemunha do tempo. O remendo é um ardiloso artifício que se presta menos para colocar o objeto em condições de uso, e mais para despertar a atenção de quem olha. Quando percebe que alguém está intrigado reparando, logo começa a falar que tem o óculos desde 1950, e engata a palestra de OSPBP ¿ Organização Social Política Brasileira Pessoal. Tem o velho que usa o chapéu panamá. Esse dispensa maiores apresentações, sem cerimônia ou medo de arrar: é o malandro. Sabe tudo e mais alguma coisa. Chico Buarque já fez a maestral homenagem em verso, prosa e peça em forma de ópera. Os tempos são outros, bem disso o poeta, esse saudoso malandro ¿não existe mais¿. Dei exemplos pendentes ao masculino, mas não se iludam, as mulheres morrem menos e só por isso envelhecem mais. Os acessórios femininos são relíquias, contudo, estão sempre sendo resgatados, o que dificulta apreender o teor da originalidade. Pó de arroz: Um clássico da maquiagem tradicional. Chegou a virar símbolo de um famoso time de futebol carioca. Na atualidade a indústria de cosmético está muito desenvolvida, a bem da verdade soberba. Qualquer hora dessas vem um movimento retrô e dá-lhe pó-de-arroz. Leque: velho sim, mas providencial numa cidade assolada pela inclemência climática como o Rio de Janeiro. De maneira, de plástica, com rendinhas, com pedrinhas, cubanos, chineses, tão variados e dissociados esteticamente que não é possível colar um tipo ou modelo a um período, sobretudo porque os chineses ajudam a confundir, cabendo tão somente coloca-lo no mural das antiguidades. Mesmo que tenha sido comprado um minuto atrás na loja do chinês no Saara ¿ Sociedade de Amigos e Adjacências da Rua da Alfândega. Já deu pra notar que o centro do Rio de Janeiro é meu reduto. Ali não se preservam apenas fachadas. É uma preservação social, política e econômica que convive lado a lado com uma lógica de produção e consumo distinto, que obedece a marcha frenética do desenvolvimento neo-liberal, da ordem global. E tudo isso, quem me faz vez, são os idosos. Quem sabe um dia eu possa ter a hombridade de servir de referência. :: Postado Por Priscilla Xavier :: 7:30 PM :: Escreve que eu leio!: Segunda-feira, Maio 07, 2007
Se comporta: olha a visitaA cadeira do meu quarto anda se tornando o trono da minha nulidade criativa. Quando estou caminhando, conversando, viajando, ou até deitada consigo pensar num milhão de coisas bacanas para serem desenvolvidas. Basta sentar diante do computador para que todas as idéias desapareçam. É um processo tão incrível quanto angustiante. Há semanas que olho meu blogger e penso que ele merece atualização. Esse é também o tempo que eu me pergunto porquê ao sentar diante do computador não consigo lembrar de nada, não consigo seguir uma linha de raciocínio eficientemente. Já tentei até escrever num papel, mas leio as dicas do papel e nada me dizem. Vuduzaram minha cadeira? Enfim, das coisas que me saltam aos olhos e me saltam os olhos são as declarações de Bento XVI. Sobre ele, a primeira observação que faço, ou denúncia, é para que Tom Cavalcante, Renato Aragão, Chico Anysio, Heloísa Perisse, Luis Fernando Guimarães, Fernanda Torres e tantos outros comediantes e humoristas atentem para além da vocação, a imperiosidade do Papa na área do entreter e fazer rir. O sindicado dos humoristas deveria registrar Bento XVI. Já não procuro as charges do Aroeiras, as piadas do Tom Cavalcanti, as crônicas do Millor ou demais nas revistas e jornais. Vou direto às notícias sobre o Papa ou mais especificamente aos seus pronunciamentos. Como brasileira e batizada na igreja católica me sinto muito à vontade de expressar o que eu sinto e mesmo o que eu deveria sentir em relação a minha religião. Isso é dos pontos mais interessantes e honrosos que vejo na igreja católica. Não noto um católico querendo explodir um protestante. Não costumo ver um católico ofendido por terem feito uma charge. O poder de transcender e buscar um motivo maior que em si é a paz e o bem viver passa bastante na questão da aceitação, respeito e não exaltação da religião para encobrir ódios diversos. Interesses sim, ódios nem tanto. Sobre o passado já nem me pronuncio. Mas enfim, darei seqüência às minhas desprezíveis observações. Das graças de Bento XVI, a redução dos sacramentos, vai lá. Torna até a igreja mais dinâmica. Mas o que dizer de classificar como verdadeira praga o divórcio, o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo e a eutanásia? Por analogia, o Brasil é uma praga. E tenho cá minhas dúvidas se que mundo igualmente não seja. Minha analogia foi precipitada. Nem tanto pelos divorciados, mas pelos casais do mesmo sexo e a eutanásia. O vaticano, tendo o pontífice como seu porta-voz e emblema, se pronuncia contrário ao matrimônio dos homossexuais. Desconstruindo, eu também sou contrária ao matrimônio. Sobretudo porque a função primeira e última é a procriação. Não creio que estejamos num momento propício. Sobre os homossexuais, eu lá sei o que vem a ser isso? Esse termo é das coisas mais tristes e redutíveis do mundo, pois atrela a condição de um ser a sua prática sexual. É o fim da picada! Pelo termo, não é alguém que vive, trabalha, tem pais, amigos, produz, pensa e sente, mas sim alguém que faz sexo. Chamar alguém de heterossexual é bem próximo a isso, contudo o heterossexual é também denominado normal, e o mesmo nunca ocorre com os homo. Já a eutanásia no Brasil não cola. Aqui é possível e bem provável morrer de tantas coisas que dar cabo da vida com uma injeção é no mínimo perder em criatividade e emoção. Morre-se de falta de atendimento em hospitais, de mau atendimento, de acidentes nas estradas precárias, tiroteio, fome, vingança, assalto, seqüestro, e pergunto: é preciso uma injeção? A igreja subestima a originalidade do Brasil. Deve estar tomando o Brasil por Portugal ou Itália. Recordo-me que nos idos de 80, quando eu era uma criança, o Papa João Paulo II veio ao Rio de Janeiro. A mídia, de maneira geral, não era tão potente quanto na atualidade, recém saíamos do período militar, e ainda assim era assombrosa a mobilização para a visita do Papa, tudo o que se via e ouvia era a sua chegada. Flâmulas, calendários, cartazes, rádio e tv, e uma música que até hoje ouço, canto e me emociono: A benção João de Deus/ A benção João de Deus/ Nosso povo te abraça/ tu vens em missão de paz/ se bem-vindo, e abençoa esse povo que te ama/ A benção João de Deus. Ora essa, eu não irei para o limbo, sou batizada. Aliás, Bento XVI tá dando cabo até do limbo. Assim eu perco as referências que me tinham alguma utilidade. E sobre a chegada do Bento XVI? Onde está o carisma desse pontífice? O foco da sua visita é o esquema de segurança e os dois papa-móveis (um batmóvel adaptado para missões religiosas). O que ele vem fazer no Brasil? Onde está a música? Até então só notei a igreja católica e a polícia mobilizados para a famigerada visita. É necessário uma mudança nos rumos, nas práticas e nas ideologias da religião católica. Eu sou católica, daquelas que desacreditam em qualquer coisa e não duvidam de nada. Mas, se há uma religião que resolve objetivamente problemas modernas são as pentecostais. Eles prometem a CURA da falta de emprego, alcoolismo, vício de drogas, depressão, angústia, solidão, stress e tudo o que aflige o ser humano. Se curam? Isso não vem ao caso. E a igreja católica? Nem promete! Eu, por exemplo, tenho caspa. A religião resolve? Não. Mas poderia prometer, pois se eu acreditasse poderia até induzir meu subconsciente à cura. E se eu não curasse, problema seria meu por não ter confiado o bastante, incompetência da minha fé, e não da religião em si. Assim o pentecostalismo cresce avassaladoramente. Não se pode menosprezar a presteza dos exus e demais espíritos que o pentecostalismo também dizer combater. É uma convivência de dependência harmoniosa, a qual os brasileiros são muito familiarizados, tipo polícia e traficantes, políticos e eleitores, contraventores e juízes, patrões e líderes sindicais. Vou fazer um feriado pessoal no dia da chegada, e tentar acompanhar pela televisão. Sempre me comovo, me envolvo, me emociono! Agora, os motivos de tal envolvimento podem não ser rigidamente os da fé. :: Postado Por Priscilla Xavier :: 9:39 PM :: Escreve que eu leio!: |