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Idade: 28

Profissão: publicitária

Estuda: Ciências Sociais

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Snoopy

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Pitty que pariu

Quinta-feira, Janeiro 24, 2008




Vigiai o que fala, lê e escreve



Eu moro numa cidade pequena. De fato nem tão pequena, mas que todo mundo se conhece. Não é o se conhecer de saber a cor favorita e o dia do aniversário. É aquele conhecer velado, aquele que identificamos o ser de algum lugar, sabemos que ele estudou sei lá onde, é amigo ou chegado de sei lá quem, mora nas redondezas do bairro tal e trabalho nisso ou naquilo. Claro, isso é matéria-prima para a boa e velha fofoca. Convenhamos, o mundo não acontece sem a fofoca.
Uma simples pedalada pela orla é como entrar num túnel do tempo, ou perceber o quanto você ta amarrado numa trama enorme. Eu sou só um pouquinho neurótica e tal coisa me deixa assustadíssima, faltando nada pra largar a bicicleta e sair correndo. É a minha cara fazer uma estupidez dessas. É olhar nos olhos de uma pessoa qualquer que está no ponto de ônibus e ela abre um sorriso sem tamanho, como quem engoliu um cabide, e dispara que você ta sumido, que o pessoal se encontrou quinta passada na Cantareira, que fulana tá grávida (isso não ocorre com gente, só com poste), que o primo de beltrano morreu, o irmão de cicrano passou no concurso e toca a desencravar gente e acontecimentos, tudo isso enquanto eu pedalo na praia! Não agüento. Pedalo para espairecer, mas acabo mesmo é absorvendo um mundo de informações. A criatura falando de gente e eu preocupada se as formigas entram no cio, ou se avencas gostam de ópera.
Eu evito ler jornais porquê minha mente capta as coisas de forma muito pessoal e reproduzo tudo num linguajar chulo, truncando informações, fazendo pouco caso das coisas e colocando em pé de igualdade os conflitos na faixa de Gaza e os estudos científicos sobre os benefícios do consumo de café. Aliás, já repararam como num dia dizem que é bom e no outro que é ruim!? Me dá um enorme alívio sentir que no mundo não há consenso. Me sinto no ápice do ser humano.
Mas retornando ao nosso mundinho particular, Niterói, aqui é complicado até aquele bate-papo de botequim em que, por algum motivo extraordinário, resolvemos falar mal de alguém. Em qualquer lugar do mundo as pessoas têm a tranquilidade se expressar abertamente (claro que é mentira!), dizer nome, sobrenome e empreitada de um grande filho da puta. Aqui em Niterói é preciso parcimônia. Antes de falar mal de uma pessoa sondamos como quem não quer nada: Alguém aqui conhece, é parente ou é muito amigo de fulano Silveira? Em caso negativo, olhamos ao redor cuidadosamente, e só depois destilamos aquele gostoso veneno sobre o referido. E mesmo com todo o zelo podemos dar o azar de um vizinho do dito cujo estar de ouvidos atentos na mesa ao lado. FUDEU!
Melhor do que falar é ouvir. Adoro a conversa dos outros. Aliás, quando a conversa é nossa raramente é tão interessante. Certa vez saí com as amigas pra comer pizza. Mentira, a pizza era pretexto pra falarmos mal dos namorados, peguetes e afins. Nessa noite nem nos demos a tal trabalho, pois na mesa ao lado só falavam do meu ex. Eu rolava de rir, eram coisas que eu não sabia, mas me davam um alívio cômico de não estar mais com ele. No fim da noite eu já estava até com pena, querendo ligar pra ele e oferecer aquele ombro amigo e o que mais fosse conveniente.
Essa cidade me sufoca! Eu odeio a idéia de conhecer a amante do marido de uma de minhas melhores amigas. Na frase é complicado entender o quê e quem, mas é chato ver o marido da minha amiga namorando e noivando com uma vizinha, dar bom dia, boa tarde e/ou boa noite “tranquila”. Não tenho nada a ver com a história, ou que eu já não tenha feito igual ou parecido, mas acabo me sentindo mais amiga dele do que da minha amiga por conta da conivência. Isso parece plágio de Nélson Rodrigues, mas é Niterói.
O conceito de anonimato em Niterói é vazio. Ninguém passa despercebido. Romário desfila no centro de Niterói e nada demais acontece. Isso eu vi, ninguém me disse. “Tá ligado” (um ilustre andarilho) atravessa a rua e todo mundo mexe, grita, xinga. Claro, ele responde! Eu corria na praia as 6h da manhã e as 11h já choviam recados no orkut dizendo que me viram. No caso a atividade era até saudável, nada demais comentaram, mas e quando me viam na súcia? Dei fim a essa vida! A do orkut, não a da súcia, ok?!
O que dizer dos professores da cidade que a cada semestre conhecem no mínimo mais sessenta pessoas? Multiplica por dez anos de magistério e tenta ir à praia sem ser apontada. Pois bem, esse post foi inspirado um pouco numa professora. De link em link cheguei a uma crônica muito rica e preocupada para ter a autoria de um imbecil qualquer. Contudo, eu não tinha ligado o nome a pessoa. Pelo gentil e carinhoso recado deixado aqui no blogger já fiquei esperta e feliz. Mas no lugar dela eu já acionaria o mecanismo neurose perseguição, largaria o teclado e sairia correndo.
PS: A atualização constante do blogger é proporcional com a minha falta do que fazer. Não é à toa que dias chuvosos me inspiram. Em relação as neuroses e perseguições, dou um tom fatalista porque não me custa. Sobre falar de Niterói, ela é realmente uma cidade muito peculiar, mas eu até gosto. Nada que embace meu desejo de ser vizinha de Roberto Carlos na Urca. Mas se eu sou arrogante morando num pombal em Niterói, que Deus vos livre de eu morar numa cachanga na Urca.



:: Postado Por Priscilla Xavier :: 12:36 PM :: Escreve que eu leio!:


Quarta-feira, Janeiro 23, 2008




Chove chuva/chove sem parar


Ontem foi um dia chuvoso. Aliás, a chuva foi a personagem principal do dia, não saiu de cena um só minuto. Por vezes sua atuação era rala, fraquinha, mas sempre ela em cena. A baixa temperatura e luminosidade me enterraram no sofá, numa falta de postura muito convidativa a um cochilo. Pensei logo que num dia assim Djavan bem compôs: um dia frio/um bom lugar pra ler um livro. Segui tal sugestão.
Eu diria que sou uma completa devassa no quesito leitura. Tudo bem, talvez até em outros mais que não vêm ao caso. As vezes me incomoda não conseguir ler apenas um livro. Adoraria a monogamia que me levaria a consumir ávida e disciplinarmente um livro por vez. Minha tara, impaciência e leviandade me fazem ler, na atualidade, três livros. Diga-se de passagem que a quantidade é nada mediante a diversidade. A saber, leio “Poço da Solidão”, de Mary Radcliff-Hall, “Na trilha do Jeca” de Enio Passiani e releio de Bukowski,”Crônicas de um amor louco”.
Essa promiscuidade pode parecer sem critério. Não é! Leio cada livro em ocasiões e ânimos diferentes. Já até li livros com temáticas aproximadas, e desaconselho. O Livreiro de Kabul e o Caçador de Pipas em algum momento em minha mente se tornaram uma só história, não sei ao certo se num momento de fuga ou se num bombardeio. Enfim, Inês é morta e minha covardia potencializada pela ignorância homogeneizante da cultura islâmica já foi posta em prática. Sobre as leituras cuidadosas de temáticas distintas, ocorre de um livro ou outro sumir. Pior do que isso, é que justamente quero ler o que está sumido. Enquanto ele não aparece eu não leio. E ontem isso ocorreu. Minha irmã levou Bukowski de refém para o trabalho. Eu apenas soube disso a noite, mas era tarde e a vontade e necessidade de ler já tinha passado. O jeito foi partir para a segunda atividade condizente com um dia chuvoso, ver filmes.
O DVD player aqui de casa não tem marca. Para ser exata ele tem raça, e é ordinária. Foi comprado por um preço módico, praticamente simbólico, e eu costumo contar a história dele dizendo que veio na embalagem de biscoito. Estilo compre três biscoitos e leve o dvd player. Tudo isso é pra declarar que tenho um DVD player, mas é como se não tivesse. Ele já foi trocado, mas apenas muda o defeito. O atual vai travando o dvd de modo que um filme de 114 minutos pode ser visto em 240, contando com a sorte.
Resta a TV por assinatura. Eu queria diminuir a fonte que estou escrevendo, como quem fala sussurrando, pois tenho vergonha de dizer que assino a TVA. Assim como o DVD player, tenho TV por assinatura mas é como se não tivesse. Da maneira que for, disponho de uns pares de canais para zapear enquanto a rede globo está no comercial. Pra quem assiste televisão tanto quanto eu tá bom até demais.
A dificuldade de assistir filmes da TV a cabo.é a falta de informação. No caso da minha assinatura, nada de nome do filme na tela. Além disso, passa o filme todo sem pausa. No cinema estamos num ambiente fechado, “isolados” de aborrecimentos, preocupações e telefones. Em casa tem campainha, telefone, gente andando, perguntando e o que mais. Então eu “vi” dois filmes. O que deles posso dizer é que no primeiro a Sandra Bullok parece ser irmã de uma bruxa e alguém é acusado de matar um homem. No segundo Robin Willians é um homem apaixonado pela mulher e se amam mesmo que um ou outro vá pra não sei onde, ou faça não sei bem o quê. Se alguém consegue identificar esses filmes, por piedade, eu adoraria que me dissesse o nome e me fizesse uma sinopse. Me salvou um vídeo do youtube, pois me identifico sobreforma com o depoimento do sujeito. Aliás, minha mãe diz que ele é tão escroto ou mais do que eu. Tento tomar como elogio.
De bem feito e completo a única empreitada do dia foi devastar a dispensa. Não é possível discriminar tudo o que foi consumido, mas quando o pessoal voltou do trabalho e viu o lixo abarrotado e as várias garrafas pets ao redor me perguntaram se dei uma festa. Quase isso, excluindo os convidados.
O dia foi isso! Não coloquei o pé pra fora de casa. Esquisito mesmo é eu ficar confinada sem câmeras me seguindo, e sem estar concorrendo a uma bolada ao final do confinamento. Muito estranho mesmo.

O Vídeo: Traficante Cruzeirense




:: Postado Por Priscilla Xavier :: 9:51 AM :: Escreve que eu leio!:


Quarta-feira, Janeiro 16, 2008




Vale o escrito



Eu amo escrever. Escrever certamente está entre as coisas que eu mais gosto de fazer. Pode até ser que não figure entre as coisas que eu faço melhor, mas faço com muito gosto. Chega a ser engraçado eu falar como gralha e um segundo depois lamentar ter dito e não escrito. E pior do que falar e não escrever é pensar e não escrever. Quando você fala ao menos alguém ouviu.
Escrever é legal, é interessante, é algo que propaga muito firmemente distinções, seja de personalidade pelo que expressa, seja de formação pelo modo como expressa. Contudo, para escrever é preciso suporte. No mínimo um papel e algo que imprima, seja um lápis, uma caneta, um hidrocor, vai lá, até um baton. Não é raro virem as idéias, a intenção e esbarrarem com a ausência de suporte.
Certa altura ouvi dizer que o Padre Anchieta, por falta de apetrechos mais apropriados, escrevia na areia. Até que as ondas levassem seus escritos havia tempo para memoriza-los. O inconveniente das marés exercitava bem a mente de tal figura. Para escrever na areia deve ser preciso concisão. Que falta tal coisa me faz! Não sei qual a maior faixa de praia do litoral brasileiro, mas sei que nela caberia, com algum esforço, qualquer coisinha corriqueira. Sim, escrevo bilhetes em papel A4!
Não é raro vermos nomes, telefones e endereços em letras toscas, em papéis mal ajambrados. A idéia é o de guardar rapidinho. Para tal feito qualquer artifício basta. De mais a mais, com o advento celular o romantismo do improviso cai por terra. Mas quando falo de escrever me refiro a versos, contos, crônicas, comentários, idéias, poemas e mais, os quais requerem recursos e algum zelo.
Confesso que não sou das criaturas que põem a escrita em prática a próprio punho. Até uso os punhos, mas quem acerta as teclas são os dedos. Embora eu não confio no computador para guardar o que escrevo, é através dele que crio um arquivo para velar meu rebento.
Ontem eu estava falando comigo ao volante. Era uma conversa ótima, a interlocutora era agradável, um pouco pedante, mas absolutamente inteligente e espirituosa. Eu precisava registrar aquela conversa, aquele momento, aquelas idéias me apareciam já quase como um texto. Tinha uma divisão bonita e encadeada de parágrafos. Diga-se de passagem, coisa que nesse texto não está a contento. Mas, enfim, perdi tudo no sopro fugaz das idéias.
Tal perda me deixou bastante atordoada. Eu bem sei que daqui um tempo eu leria e acharia uma bobeira, coisa de momento, chiclete mastigado e sem sabor, mas pra hoje era de uma pertinência insultuosa ao meu despreparo para captar e registrar o que pairou.
Imagine e tente enumerar a quantidade de vezes que você pensou algo legal e não conseguiu registrar. Mesmo que fosse pra achar uma bobeira depois de uma semana, escrever era essencial. E assim lido com a escrita, algo que cada vez mais assume importância dentro de mim. Carrego sempre uma caneta, mas confesso que espero que o acaso me ceda o papel. Nem sempre acontece.
Essa semana chegou a mim duas observações interessantes de personalidades relacionadas com a escrita. A primeira foi no filme Vinícius, em que diziam que o poeta escrevia para fugir de si, colocando o cotidiano brasileiro na métrica poética. A segunda observação foi sobre Luis Fernando Veríssimo. Numa entrevista a “Caros Amigos”. Me chamou atenção o fato de que a entrevista deveria ser uma conversa entre ele e alguns colaboradores da revista. Mas o escritor apenas consentiu em dar a entrevista caso as perguntas fossem escritas. Respondeu a todas, por escrito. É ótimo escrever até para se precaver de possíveis deslizes. Não se escreve sem pensar!
Você que acabou de me ler, porquê não tenta me escrever ao invés de guardar para si e fadar o que paira em sua mente ao esquecimento?


:: Postado Por Priscilla Xavier :: 8:31 PM :: Escreve que eu leio!:


Sexta-feira, Janeiro 04, 2008




Até então, só o ano é novo


Momento de clichês. O primeiro a ser descaracterizado é o “ano novo, vida nova”. Para mim, ano novo, e a bobeira de sempre. Contudo, se a frase não denota agencia transformadora, a temática que inspira meu post sim. Darei um pulo esse ano. Minha famigerada carteira de trabalho virgem esse ano será inaugurada. E não será uma inauguração qualquer, será em grande estilo.
Eu estive pensando que eu penso muito. Enquanto eu penso tem gente que faz. Eu pensando merda, e um bando de gente executando. Arregaçarei as mangas. Para ser mais franca, não me contentarei num mero arregaçamento, irei mesmo me despir. Andei vislumbrando profissões e mais profissões, e basta de me esquivar desta ou de outra atividade por preconceito ou algo que o valha. Quem quer trabalhar, trabalha.
Então, dia desses numa boate de reputação não das mais familiares eu vi que estava a um passo para mudar de vida. Ambiente escuro, com luzes coloridas piscando confusamente, música alta, várias pessoas se movimentando querendo passar tal movimento por dança, e eis que de uma parede brota um palco. Sim, a parede se desmancha e dela vem uma espécie de plataforma. Coisa de louco, hiper precário em estrutura, mas interessante em idéia e efeito.
O palco era o cenário, a trilha era uma batida envolvendo tendo ao fundo a voz desenxabida da Nely Furtado. Adentram dois dançarinos, um rapaz e uma moça, ambos fantasiados de marinheiro. Iam de um lado a outro do palco dançando, até que por uma espécie de transe danaram a se livrar das roupas ao embalo da música. A música não é das mais longas, e em no máximo quatro minutos ambos estavam nus em pêlo. Aliás, nem pêlos a mulher tinha.
É isso! É isso que eu quero para minha vida. Dançar num palco, e arrancar minha roupa como nada fosse. Não sei bem a remuneração para tal tipo de serviço. O que sei é que não é nada tão simples quanto possa parecer. O rapaz, para fazer bonito, dançar pelado e armado. Sim, ele não desanimou um só minutos. Me causa curiosidade extrema saber como ele se concentra na música, na coreografia, interage com o público e consegue deixar o membro em riste. Aprendi o termo “em riste” lendo muitos instrutivos contos eróticos, e aconselho que a pessoa que me lê nunca perca a oportunidade de experimentar uma leitura dessa natureza. Enfim, reconheço e valorizo o feito do rapaz, absolutamente encantada! Já a moça, embora não tenha que mostrar mais vigorosamente seus dotes, ilustra aos que têm argúcia toda a coragem de um ser. Depilar-se na íntegra, incluindo a faixa de gaza (eis uma região de intensos conflitos) é algo surtado. Para fazer um bigodinho de Hitler fartas são as furtivas lágrimas, quiçá devastação. Nem sob o poder de psicotrópicos se faz algo do tipo sem violenta sensação de dor, para não mencionar o desespero.
Todos são testemunhas que eu tentei. Eu bem tentei me estimular para mudar de vida, mas o ano novo, por ora terá que esperar para ser acompanhado por uma vida nova. Quem souber de uma atividade mais condizente com vinte e quatro anos de investimento acadêmico, favor, entrar em contato e/ou deixar e-mail ou endereço para envio de currículo. Enquanto nada aparece, continuarei pensando e até escrevendo merdas. Nada de prática!


:: Postado Por Priscilla Xavier :: 1:09 PM :: Escreve que eu leio!: