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Idade: 30

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Pitty que pariu

Domingo, Maio 25, 2008




A pobreza em vários atos



Estive uma temporada afastada, forçosamente da internet. Nesses dias de abstinência pensei num milhão de coisas para escrever. Aliás, cheguei a fazer a composição das idéias para meu cunhado. Ele riu um bocado. Mas pra ser sincera, olhando pra minha cara raramente alguém não ri. Então as vezes chego a achar que pouco importa o que eu tenho pra dizer, pois importante mesmo é como eu digo. Agora, escrever é outra coisa! Mas mesmo perdendo um tanto o efeito em comparação com minha atuação oral, insisto em escrever.
O tema do meu discurso era o sabor e o dissabor de ser pobre. Certamente eu não conheço muitas pessoas ricas. Se é que as conheço. Enfim, a pobreza nos rodeia, nos entranha, nos consome.
O pobre é o elemento essencial da modernidade. O pobre é a engrenagem do capitalismo. Já pararam pra calcular quantos miseráveis são precisos para fazer um só rico? Muitos!
Observando as coisas ao nosso redor é que eu noto como pobre é predado pelas artimanhas do sistema. E o mais expressivo dessa relação é que não morre, só se prolifera. As estratégias de dizimar os pobres são inúmeras e diversas.
A primeira estratégia é na alimentação. Todos os produtos com prazo de validade vencendo são ofertados aos pobres. E os pobres compram. Biscoitos, barras de cereal, enlatados, laticínios, tudo tão apto ao lixo quanto ao consumo do pobre. Carne que está em acelerado processo de deterioração, já duvidosa, é temperada e vendida em temperatura ambiente a preço de custo. Pobre compra. E não só compra como promove churrasco. Ninguém tá aqui querendo morrer sozinho!
Aliás, uma modalidade interessante de extermínio coletivo são as quermesses. Aquela pujança, aquela fartura, é uma alegria que só Deus e pobre sabe como dói. Quem nunca ouviu falar na maionese que intoxica dezenas? Só que, quando muito, mata um ou dois. Fracos! Se morre por conta de uma maionese realmente não tinha vocação pra ser pobre.
E o que dizer das bebidas? A água mineral custa R$1,00 enquanto um Guaravita R$0,50. Preciso perguntar o que o pobre bebe? Um líquido que custa mais barato do que água não pode ser de Deus! Eu tenho medo de Guaravita. Não sei de que poço sai a água que ele é fabricado.
Se o problema fosse apenas a procedência da água eu ficaria até tranqüila. E a composição química? Aquilo tem estimulante, acidulante, é um repositor energético. Aí o sujeito que tem “pôbrema de pressão alta”, desavisadamente, toma o guaravita e se sente melhor. Muito bem disposto. Até porquê, mesmo pra morrer tem que ter disposição.
E o que dizer da infinidade de bebidas com o prefixo ou sufixo COLA!? Para cada mercado há um refrigerante de cola. E pobre valoriza como ninguém a indústria nacional. Aliás, a distrital, a circunvizinha, basta engarrafar!
Acima de tudo e qualquer coisa o pobre é um aventureiro, um guerreiro, um herói. Qualquer coisa simples do cotidiano para o pobre é uma missão que faz Bruce Willis, Schwarzenegger, Tom Cruiser ou Stallone parecerem fichinha. Um cidadão comum se locomove para o trabalho por carro, trem, metrô, ônibus ou barca. Sem emoção! Pobre ou vai de van, ou vai de mototaxi. Simples assim.
Se alguém conhece uma modalidade de extermínio de pobre mais eficiente do que van, favor, me informe. Van não tem erro, é bateu fudeu. Ou mata geral, ou fode geral. Claro, morrer é preferível na maioria dos casos. Pessoalmente eu penso que as vans não deveriam ter na frente o nome de um bairro, mas o slogan que esclarecesse ao que veio (ou mais exatamente pra onde que vai), do tipo: céu, inferno, paraíso. Algo mais objetivo e sincero.
Você pode tentar advertir dos perigos das vans, mas todo pobre irá defendê-la dizendo que é rapidinho. Concordo! É o meio mais rápido da vida pra morte, sem escala. Uma conhecida minha pegou uma pneumonia andando de van. Eu perguntei como. Ela disse que sai de casa as cinco da manhã, e a janela da van que ela pega é quebrada. Visualiza! Imagina essa brisa das cinco, excelente para os pulmões, porrando a cara da pessoa num percurso de no mínimo 40 minutos. É gostoso demais. Aliás, deveria até ser indicado como massagem facial.
Gente, viver ao é fácil, não é uma brincadeira. Eu gostaria de ser feia e pobre só por um dia na minha vida, pois todos os dias já está me cansando.


:: Postado Por Priscilla Xavier :: 12:26 PM :: Escreve que eu leio!:


Sexta-feira, Maio 09, 2008




As verdades que o vento leva



Eu sempre digo, ninguém mente sozinho. Pra mentir é preciso no mínimo duas pessoas, uma pra mentir e outra pra acreditar. A cada dia estou mais convicta de que as pessoas não têm pudor de mentir.
Há quem acredite que mulher minta mais que homem. Mentira! Mulher faz atuações realmente mais sofisticadas, porém mentir por mentir não há como reduzir o feito dos homens. Ou seja, a mentira, em termos quantitativos, não pode ser avaliada por gênero.
Eu estava na barca, ouvindo a conversa alheia. Até aí, tudo sem novidade. Atrás de mim três mulheres me entretiam com sua conversa. E o assunto, tenho até vergonha de dizer (mentira!), era sexo.
Começou com uma dizendo que a primeira vez que fez sexo foi na lua-de-mel. Com essa declaração minhas orelhas ficaram mais em riste do que o membro do noivo. Se a conversa começava com uma mentira destas, daí por diante eu poderia morrer, mas minhas orelhas haveriam de continuar vivas para registrar tudo.
Então, a conversa estava apenas começando. Ainda tinha uns dez minutos de travessia para a mentira rolar solta. E assim foi! A cada declaração uma das amigas duvidava e dava um testemunho mais incrível. Assim, em resposta à primeira vez na lua-de-mel uma das amigas disse ter namorado seis anos e o namorado respeitando a decisão dela. Namorados, por favor, se manifestem. Se meu namorado me respeitasse tanto eu abandonava ele! Vai respeitar assim a puta que o pariu.
O que me deixava mais envergonhada era a desenvoltura das três em conversar tão abertamente sobre sexo, algo mais esperado de pessoas com posturas supostamente modernas, enaltecendo um “orgulho” tão retrógrado, um discurso tão tradicionalista. Tinha horas que eu não entendia nada, aquilo dava nó na minha cabeça. Ora essa, quem me mandou gostar tanto de ouvir a conversa alheia!
Deixando o exemplo das mentiras das moças, vejamos uma conversa de rapazes. Eu estava na sala de espera duma assistência técnica para celulares. O número da minha senha me convidava para a eternidade. Uma pressão me subia à cabeça, quase estourando de ódio, quando uns caras começaram a conversar. Coloquei logo fones nos ouvidos pra ouvir a conversa sem constrangimentos de parecer que estou mesmo prestando atenção neles.
Começaram falando de aparelhos celulares. Era só juntar três letras, quatro números, e a maioria deles já tiveram esse tal aparelho que duvido muito até que já tenha existido. Era fazer um scan, dos pés a cabeça, em cada qual e duvido que um só deles se vestisse com mais de R$25,00. Traje calça surrada, pochete no ombro, camisa fuleira e um ou outro de boné.
A conversa dos caras estava animada. Diferente das mulheres, um nunca duvidava do outro. Dizia que era verdade, e dava um exemplo que superasse o amigo. Um sacou da cintura um celular antigo, disse que já tinha caído muito, já tinha molhado na praia, o visor era rachado, mas funcionava perfeitamente. Todos acharam o máximo e concordaram que bom eram os celulares antigos. Não satisfeito, um sujeito que palitava os dentes (ninguém me disse, eu vi isso!) se coçou, tirou um celular do bolso, abriu o celular e o corpo com a bateria ficou numa mão, o flip na outra. Ele mostrou orgulhoso dizendo: esse aqui funciona perfeitamente, cabe qualquer chip, dá pra usar como rádio, e ainda recebe fax. Bastou pra ser o rei do pedaço.
Depois do celular Lego ninguém mais quis falar sobre o assunto. Era melhor partir pra outra conversa. Tinha um jornal jogado numa mesinha, e estampado na primeira página a foto do Romário. Um deles olhou e disse: o Romário vai virar presidente do Vasco. Todo mundo concordou!
Era preciso uma pauta mais polêmica pra reanimar o pessoal. Chegou um motoboy. Ele sentou do lado de um sujeito e pra quebrar o silêncio disse que tinha sido assaltado. O do palito na boca, que tinha uma voz bem rouca, perguntou o que ele perdeu. O boy disse que perdeu uma moto. Onde? Em Duque de Caxias. Meu irmão, naquela área é foda mesmo. Todo mundo concordou. Aí começou papo violência. Tudo o que se falava parecia cena de filme. Mas era realidade, porque num filme nunca vi tanta bala voando. Era tanto tiro que vez por outra eu me esquivava no reflexo, com medo de uma bala resvalar e me acertar.
O cara do palito na boca parecia impávido, sem achar aquele tiroteio, aquelas histórias bélicas, nada demais. Ele esperou o tiroteio dar uma pausa e disse que estava chegando em casa, quando o caveirão cismou de subir o morro, até que um cara, ele disse um cara e ainda descreveu o sujeito como magro e baixinho, plantou de frente com uma M2 fazendo o caveirão recuar. Todos impressionados, e um desavisado exaltou que era preciso força. Ao que o do palito na boca arregalou os olhos e quase desequilibrando o palito disse: força nada, tem que ter é disposição! Juntando os narizes dos caras dessa sala de espera acho que conseguiríamos um monumento maior que a muralha da China.
Acredito em tudo o que me dizem. Aliás, eu acredito até no que dizem para os outros. Por exemplo, eu acredito que o Ronaldinho achou que Andréia era mulher. Acredito que, como ele disse, nunca usou drogas e que é inteiramente heterossexual. Diga-se de passagem quando ele fala na categoria inteiramente heterossexual me faz ao menos intuir que compreende uma categoria parcialmente heterossexual, que por seu turno pode ser equivalente a parcialmente homossexual. E não acredito só no Ronaldinho. Acredito que Carolina Jatobá e Alexandre Nardone são tão inocentes quanto se defendem, e culpados quanto os acusam.
De minha parte fecho o post assumindo que nunca conto uma mentira. Até invento umas verdades. Algumas bem temporárias, outras mais duradouras. Mas mentira eu não conto. E você, já ouviu alguma mentira, digna de ser partilhada? No que você credita?


:: Postado Por Priscilla Xavier :: 6:29 PM :: Escreve que eu leio!: