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Pitty que pariu
Quinta-feira, Junho 26, 2008
A saia justa é o uniforme da modernidadeO cenário da modernidade é o da instabilidade. Tudo é volúvel, guiado por uma dinâmica cujo fluxo não temos controle. Dito isto imaginemos duas situações. A primeira uma reunião de família e a outra uma de amigos. Mesa posta, várias comidas, um burburinho vindo da cozinha, pratos e talheres já a postos, a televisão na sala sendo zapeada sem que ninguém fale nada, até que a comida é posta na mesa. Começa aquele vamos nos sentar, vamos comer, vem pra cá, vem fulano, chega pra lá e todos se servem e se acomodam. Entre o ruídos dos talheres, surge um minuto de silêncio. Logo olham para o ser que tem entre 20 e 35 anos e perguntam: e aí, o que você ta fazendo? O sujeito para de comer na hora, pensa em como compor um discurso que não vá causar choro ou pânico na família. Dá uma pausa e fala que está com um contrato temporário de seis meses numa empresa. Não entendendo bem o avô pergunta se tem carteira assinada. A pessoa inquirida quase morre, pois essa tal carteira de trabalho mencionada é o tipo de documento que ele usa pra calçar a televisão do quarto. É o máximo de utilidade que ele conseguiu arranjar pra carteira. O sujeito fica muito constrangido, chama a mãe no canto e diz: ta vendo, era por isso que eu não queria vir. Fica todo mundo me pressionando, me perguntando, me cobrando isso e aquilo. A mãe pede deculpas, como se de fato alguma culpa tivesse, e volta pra mesa dizendo que o trabalho do filho, embora seja temporário paga muito bem e que ele tem até algo melhor já em vista. A situação é a de um barzinho. Um bando de amigos se amontoam numa mesa, disputam aos gritos quem fala mais bobeira, bebem bastante e chegam naquele ponto em que o grupo vai dissipando e a mesa do botequim torna-se divã de analista. Um olha para o outro e dispara: - e aí, como que ta sua relação com a Silvia? Ao que o amigo responde: - Na boa, mas terminamos já tem um mês. - Ah, desculpa. - Não, tudo bem. E você e a Alessandra? - Casamos! - Que maravilha. E têm filhos? - Ela tem, eu não. - Eu não sabia que ela já tinha filhos. - Não, ela teve por esses dias. Me chamou pra ser padrinho, mas acho que não vai dar, pois to pretendendo voltar com ela. No caso o papel de padrasto já ta de bom tamanho. - Mas e aí, você ta trabalhando? - Não. Claro que não. Mas meus pais me sustentam e estão doidos pra ter um neto. Acho que vou dar essa alegria pra eles. - Alegria ou despesa? - As duas coisas! Ambos saem dão o assunto por encerrado. Chega de bebedeira, pedem a saideira. Depois de quatro saideiras acompanhadas de um silêncio sepulcral, pedem a conta, pagam e vão embora, cada qual pra um canto. Ambos pensavam o quanto o outro era entrometido, que fica perguntando tudo, achando isso ou aquilo bom ou ruim, cheio de opiniões que não queriam ouvir, afinal, ninguém tem nada a ver com isso. E é assim a modernidade! Ela nos deixa ressabiados o tempo inteiro. Nos dá tanta liberdade quanto aprisionamento. Sequer sabemos como agir mediante a tantos avanços de um lado e retrocessos de outro. E então, qual a pergunta mais saia justa que você tenta fugir, seja feita pela família, seja feita pelos amigos. No meu caso são três: ta trabalhando? Quando vai casar? E aí, não vai ter filhos? :: Postado Por Priscilla Xavier :: 9:35 PM :: Escreve que eu leio!: Sexta-feira, Junho 20, 2008
O erêNão adianta negar, todo mundo já foi criança. E não foi um dia, foram vários. Ninguém nasce adulto, nem Sidarta, nem Jesus Cristo, nem Matusalém, nem Hittler, nem Napoleão, nem ninguém. Por mais desconfortável que seja acreditar, até o Cid Moreira, a Dercy Gonçalves e a Zilca Salaberri foram crianças. A criança precisa cuidados, carinho, atenção e de amparo dos pais e do Estado. Há um estatuto apropriado em prol do seu pleno desenvolvimento social. A nossa sociedade introspectou de forma decisiva a concepção de que a criança é um ser que precisa se desenvolver até estar apto para ser socialmente atuante, reprodutivo e, mais que tudo isso, produtivo. Mas não foi sempre assim! Ainda no início do séc. XX as crianças eram numerosas na mão-de-obra que tocava tecelagens e industrias diversas, além de exercerem outros pequenos trabalhos domésticos, no comércio e até na agricultura. E hoje, a realidade é diferente? Os otimistas diriam que sim, os pessimistas diriam que não. O componente ideológico de compreender a criança como um ser em formação é a distinção principal. Claro que atualmente há crianças que trabalham, mas não há mais a idéia de que isso é legal. O amparo da criança pelo Estado é algo que em forma inevitavelmente gera controvérsias, mas há concórdia em reconhecer a sua necessidade. Não tomo as crianças como débeis ou incapazes, ao contrário, eu acho que elas são humanas, com todos os instintos a flor da pele. O que fazem é um processo de socialização. É como ensinar para elas as regras de um jogo. Aliás, as brincadeiras são por certo atividades que de alguma forma preparam o ser para a vida adulta. Os brinquedos são elementos da vida adulta adaptáveis às atuações infantis. As sociedades se reproduzem nos brinquedos. Por exemplo, a divisão sexual de atividades pode ser perfeitamente apreendida através dos brinquedos que são ditos próprios aos meninos e próprias às meninas. A mulher, que há de se preparar para o lar, toma conta da boneca, arruma a decoração, faz comidinha, passeia com o bebê no carrinho, brinca com a caixa registradora, escritório, se pinta para ser atraente ao sexo oposto (isso é o inferno na terra, mas é a mais dolorosa verdade) e uma infinidade de porcarias que a fazem quase tão estática, manipulável e inútil como uma Barbie. Já os meninos competem em piques, no futebol, em jogos de cartas, tabuleiros, dirigem carrinhos de controle remoto, caminhões, empilhadeiras, carros de bombeiros, carros de polícia, motocas, lidam com bonecos e monstros (seus futuros patrões), guitarras, baterias, e são muito estimulados em jogos de raciocínio lógico e de percepção espacial. Conseguem perceber a nossa sociedade através dos brinquedos? E logo na infância os instintos da criança vão sendo domados, as habilidades vão sendo trabalhadas para que esses pequenos seres se adaptem a sociedade. Há os que aceitam totalmente a socialização, mas há os que aceitam apenas parcialmente, como é o caso dos meninos que adoram as maquiagens e bonecas, ou as meninas que insistem em jogar bola. Mas devemos admitir que a sociedade anda, ainda que em passos lentos, investindo numa certa equidade entre as funções sociais, dissolvendo a duras penas o critério de gênero. Pessoalmente tenho com as crianças uma relação excelente, afinal fui uma muito feliz e bem resolvida. Não menosprezo a necessidade de proteger, amparar e demonstrar as regras do grande jogo social, contudo, não trato as crianças como tolas. Elas já são pessoas, já têm personalidade definida desde os primeiros anos de vida. Costumo dizer que eles não mudam a personalidade, apenas a complexificam ou potencializam. É mais ou menos a teoria de que o filha da puta nasce! Pra manter a tradição, que sem perceber incorporei ao meu blogger, de fechar o post com uma questão, quais as brincadeiras da sua infância que são reproduzidas ou que influenciaram decisivamente sua vida adulta, ou carreira profissional? :: Postado Por Priscilla Xavier :: 12:33 PM :: Escreve que eu leio!: Terça-feira, Junho 17, 2008
Quebrando o geloQuando os termômetros registram menos de 18º eu já dou o dia como duro. Acordar não é acordar, é sofrer mais do que em condições normais. E o que dizer do banho? É pensar nele e não levantamos mesmo. O jeito é tirar a coberta aos poucos, entoando as palavras de força: eu vou vencer. Sim, vencerei, mas só daqui uns minutinhos. Se aconchega novamente no travesseiro, pensa que piscou o olho, mas dormiu mais meia hora. É preciso tomar uma decisão urgentemente: fechar os olhos só mais um pouquinho. Se encolhe daqui, se ajeita de lá, até que não tem jeito. Da cama para o banheiro! Que dificuldade se acostumar com a dura temperatura fora dos cobertores. Vai à pia escovar os dentes, lembra que a água é fria e acha melhor escovar os dentes durante o banho. Enfim, banho tomado. E a roupa? Casaco tem dois tipos: os bonitos e os quentes. É porque os que aquecem são preenchidos, estragam as formas, e faz todo mundo parecer um tonel, um tambor, ou algo que o valha. Inverno é sempre assim. As mulheres são de longe as mais prejudicadas, pois casaco não combina com nada, desvaloriza um monte de adereços e de consolação só mesmo o poder usar bota. No meu caso no way! Contrariada pela escolha do casaco, chega a hora de sair. Na rua faz um sol muito do fajuto, que não dá vazão para o frio. O vento impiedoso vai solapando as faces e rachando os lábios. Na mente um só pensamento é intermitente: eu quero minha cama, eu preciso voltar pra cama. Assim o dia passa. Aliás, não passa, se arrasta. É olhar pra cara de qualquer pessoa na rua e você lê que ela queria mesmo era estar na cama, quentinha, aconchegada com um amorzinho do lado, vários dvds de porcarias pra ver (hoje pensei em ver História sem Fim, Minha Vida de Cachorro, Madame Bovary e Amazing Histories) . E no intervalos entre um dvd e outro, um sexo e uma refeição. Claro, algo balanceado, como crepe de nutela com morango, brigadeiro ainda morno, pão de queijo com requeijão e até uma pizza. Pensando bem, dependendo da companhia na cama, a comida é um elemento quase que dispensável. Por exemplo, com o George Clooney eu ficaria relax a pão e água. E Claro, há quem me fizesse dispensar até o pão! Ai ai ai, um dia frio serve ao menos pra pensar possibilidades de morrer de prazer. Eu sou mesmo uma hedonista incurável. Me consumo em pensar, por exemplo, como se vive no Alasca. Suponho que eles não devem sair pra tomar uma gelada! E você, qual é a boa do dia frio? Que petiscos animariam seu dia? Que filmes? Que companhia te faria ficar a pão e água? :: Postado Por Priscilla Xavier :: 10:20 PM :: Escreve que eu leio!: Sábado, Junho 14, 2008
Podia acordar feliz (parodiando Cazuza)Hoje acordei com o humor ruim, meio mastigada. Calma, podem prosseguir na leitura pois não irei descrever passo-a-passo o meu cotidiano. Já passei da idade! Mas enfim, o humor ta na sola do pé. Tenho duas causas possíveis para o humor desagradável.O tombo que levei ontem a noite, ou os pesadelos que embalaram meu sono. Talvez até a combinação dos dois seja a causa mais provável. Noite calma, todos em casa exceto minha mãe. Quando minha mãe mexe na maçaneta da porta eu avanço pela sala num salto para assustá-la. Meu pé agarra no pé do sofá, meu corpo girou numa semi pirueta, fui lançada contra a parede, não consegui apoio e fui direto ao chão. Imagina isso no apertamento em que eu moro. É um apertamento de primeira. De primeira porque se jogar a segunda vaza pela janela! Não é fácil arrumar 1,60m para poder lançar meu corpo ao chão. Eu arrumei! E se minha intenção era a de assustar minha mãe eu consegui. Aliás, não só ela. Assustei minhas irmãs, meu pai e até meu cunhado. O tombo foi o ohhh, mas ninguém conseguiu rir. Ainda mais porque tem uma semana que tirei uma bota imobilizadora do pé torcido. Acharam logo que era a revanche do pé. Agora falando dos sonhos, nossa, como eles influenciam nosso humor. Quando sonho que to namorando, beijando, abraçando, pegando, ou os complementos dignos desses atos, acordo rindo à toa. E rindo mais ainda quando tudo se passa nos conformes, quando a situação foi boa, tudo bonito, o dia há de ser bom. O mesmo não ocorre quando sonho que estou trabalhando, sendo cobrada, xingada, fracassada, contrariada. Quando no sonho brotam pessoas que em oração sempre pedimos pra não mais encontrarmos na vida (ocorre bastante com os ex e seus amigos), acordamos com o mesmo desgosto que tínhamos no pesadelo. Quando saímos do sono para o acordar, tudo tem ar de continuidade. Enfim, o fato é que quando o dia está bom nem queremos dormir. E quando o sonho ta bom não dá vontade de acordar. Só que meu sonho era ruim, e acordei no efeito. Mesmo não lembrando exatamente o que sonhei, tenho certeza que era algo que me contrariava. Contrariada ou não, me inspirou escrever essas confusas linhas. Então, qual seu melhor sonho e pior pesadelo que influenciam seu acordar? :: Postado Por Priscilla Xavier :: 1:54 AM :: Escreve que eu leio!: Segunda-feira, Junho 09, 2008
Em homenagem ao dia dos namorados, falemos de modernidade!Estive ouvindo, falando, vendo e lendo sobre o amor, relacionamentos e casamentos. Se notar bem, a temática já vem na seqüência. Vivemos um momento não exatamente de crise do amor, mas de inadequação. Penso em algo como um descompasso entre o ideal romântico, o ideal moral e o ideal moderno. Em comum aos três o fato de não se ajustarem perfeitamente à realidade. O romantismo é moderno. sheakspeare é um divisor de águas da emergência do eu, do indivíduo, frente as tradições, o poder da comunidade, sua imperiosidade frente ao sujeito. Antes de Romeu e Julieta o casamento nada tinha a ver com um ideal romântico. Era um acordo familiar que pregava a união de dois indivíduos, sem contar muito com a escolha, com a decisão dos que se uniam. Em Romeu e Julieta nasce o amor romântico. O ser não mais aceita as imposições de sua comunidade, do seu grupo, de sua família. Ele passa a decidir, ele escolhe, ele se apaixona, ele ama. E ama profundamente e padece desejoso dessa união que fere e desobedece as tradições. Esse é o amor, tão maior e sublime quanto mais impossível. Transcender a vida é um dos aportes do amor. O romantismo então é construído nessa ruptura, do tradicional para o moderno, mas não sem regras, não sem limites. O amor tem que ser único. O ser amado é idealizado em perfeição. Esse ser será amado e desejado exclusivamente, só ele e mais ninguém. E a união com ele há de ser eterna. Ora essa, este é o amor: impossível. Costumo dizer que este é o contrato. Nele as cláusulas são, pretensamente, iguais para ambos os envolvidos. Contudo, é sempre mais fácil cobrar que as regras sejam cumpridas do que seguí-las. Me atire uma flecha um só cupido que discorde. Esse é o complicador moral. Oras mais, oras menos, o social nos cobra uma postura moral tanto de inibir nossos possíveis deslizes, quanto o de fiscalizar os alheios. E o nosso descumprimento de uma regra moral é sempre menor e menos importante do que o descumprimento dos outros, que é uma afronta grave. Em outros termos, eu estar namorando e ocorrer de ficar com outro é um fato isolado, sem importância. Já a minha vizinha, aquela vagabunda...dá pra entender? Enfim, mesmo com sansões morais a fidelidade é mesmo uma espécie de sacrifício em nome do amor. Digo sacrifício sem reservas, e me apoio tanto num discurso biológico, como num sociológico. Não é novidade pra ninguém que no reino animal a única espécie que permanece fiel são as baleias. Saindo correndo da biologia, que não é mesmo a minha área, vamos para o discurso sociológico. Vivemos um período sem par de transformações. A nossa vida é ditada por um ritmo frenético. Temos que estar aptos a mudanças. No trabalho, sempre nos atualizando. Mudando de emprego, nos adaptando a novas regras e grupos. Mudando de espaço físico, agregando umas e esquecendo outras referências. Sempre buscando inovações. E no amor? Temos mesmo que nos estagnar? Temos que nos contentar com um, e pra sempre? Se formos analisar detidamente a questão é bem confusa. O ficar já é um indicativo que pode ser que as mudanças na esfera profissional e social influenciem decisivamente a afetiva. Mas, enquanto essas mudanças não se efetivam, um brinde ao amor! Possível ou impossível, pra sempre ou apenas enquanto dure, um viva às uniões. A despeito dos argumentos tendenciosamente racionais, sou uma passional. Pois o amor, assim como os Deuses e os sonhos, quando não se acredita nele, ele deixa de existir. EU ACREDITO! Me valendo de João Gilberto: Fundamental é mesmo o amor/ é impossível ser feliz sozinho Amor, um beijo! :: Postado Por Priscilla Xavier :: 10:45 PM :: Escreve que eu leio!: Sexta-feira, Junho 06, 2008
Um anjo safado/o chato do QuerubimAmy Winehouse é a mais nova habitante, ou o entretenimento mais atual, da imprensa mundial. Na internet, nos tablóides, nas revistas, nos jornais, no rádio e na televisão, só dá Amy. Antes dos escândalos eu ouvia a música rehabit, adorava a melodia, ficava tocada com a letra e seduzida pela voz. Acreditava tratar-se de uma musa negra. Mas era ela, Amy Winehouse. Eu não ligava a voz à criatura. E que criatura! Ligando uma coisa a outra, passei a ver fotos da cantora. Primeiro achei que ela tinha algum parentesco com primo Itt, dos Adams, ou Marge Simpson. Que cabelo! Era como um ninho, um mafuá, um aglomerado, um tufo em forma de cone, era uma voz e um cabelo. Não tardou para eu perceber que o sorriso não era o da Mona Lisa, mas nele havia um mistério. Faltava um back lateral, um centro-avante, não sei bem. O que sei bem é que o time tinha um desfalque. Agora era uma voz, um cabelo e um sorriso. E assim fui construindo Amy. Em pouco tempo o corpo dela começou a aparecer. Aliás, o físico dela se assemelha consideravelmente ao meu. Um tipo magro, fraco, tíssico, mas com uma protuberância abdominal. Imagina uma cobra quando engole um sapo, é mais ou menos isso. Pensa que acabou? A voz, o cabelo, o sorriso e o físico são acompanhados de uma personalidade ímpar. Eu não entro no mérito se boa ou ruim, apenas na originalidade. Bêbada, drogada, fumante, acessível (é flagrada em qualquer bar, qualquer esquina), dona-de-casa e namorada de presidiário. Para a mídia ela é o anticristo, o exemplo acabado da depredação do ser humano. Pessoalmente eu a vejo como a forma quase que ordinária do indivíduo moderno, que apesar de tudo vive. Aliás, poucas vezes vi um artista tão humano, tão mortal, tão errante. Amy é Amy, gostem ou não. Em algum momento da vida dela, aposto, ela quis ser igual as amigas porrérrimas da escola. Em algum momento ela deve ter sonhado com um casamento bonito, socialmente abençoado. Em algum momento quis namorar aquele nerd bonzinho com futuro promissor. Deve ter sonhado também com um lar, cheio de crianças branquinhas sorrindo de um canto a outro promovendo a devastação da decoração que custou os olhos da cara. Tudo isso é lindo, mas é caro demais para um espírito grandioso, para pessoas habitadas. Alguém já ouviu falar num certinho que fez diferença no mundo? Eu só conheço o Bill Gates, mas é um exemplo lastimável demais. Napoleão não devia obedecer muito a mãe, Bethoven não tirava boas notas na escola e Einsten não tem cara de quem comia legumes ou de quem era muito rigoroso com a higiene. Porque a exigência de ser tão reto se o mundo é torto? Porque as pessoas insistem em ser quadradas se o mundo é redondo? Não sou notoriedade, não sou bom exemplo pra quase nada, não sou porta-voz da verdade. Mas demorei um bocado pra me entender e me respeitar do jeito que eu sou, e não do jeito que gostariam que eu fosse. Desde pequena eu me atormentava por não obter grande êxito em ser igualzinha aos outros. Mas eu me destacava! Só em atividades pouco gloriosas, como em contar piadas recheadas de palavrões, fazer paródias de músicas (com palavrões), inventar apelidos, bolar formas de sacanear adultos, crianças e idosos, imitar tudo e todos, dançar (com coreografias no mínimo exóticas), escrever histórias (com palavrões e humor duvidoso) e desenhar charges e caricaturas. Quando tinha reunião de pais e os professores comentavam as peripécias do alunado, minha mãe nunca duvidou de que a liderança da balbúrdia era eu. Quando havia uma festa e comentavam que roubaram os doces, furaram as bolas, abaixaram a cabeça do aniversariante no bolo ou dançaram sacaneando, meu pai em nenhum momento pensou que pudesse se tratar de outra criatura a não ser eu. Nunca se iludiram com a idéia de tentar me consertar, fosse com choque ou com surras. E como a infância é um aprendizado para a vida adulta, sempre que me perguntavam o que eu queria ser, eu dizia que eu já era. E já era mesmo! E já era de um jeito que quando ouvia a música do Chico Buarque pensava que ele estava coberto de razão: Quando eu nasci veio um anjo safado/ o chato do Querubim/ e decretou que eu estava predestinado/ a ser a ser errado assim/ já de saída a minha estrada entortou/ MAS VOU ATÉ O FIM! :: Postado Por Priscilla Xavier :: 7:45 PM :: Escreve que eu leio!: Segunda-feira, Junho 02, 2008
Saltando foraEu não preciso me desgastar tentando explicar algo que vocês presenciam em suas vidas cotidianamente: a televisão influencia o comportamento das pessoas. Essa afirmativa, creio, tem mais de consenso do que de discórdia. Não sou uma audiência muito vigorosa, mas por conta de uma torção no pé estive exposta àquela luz que ilumina nossas faces e obscurece nossas mentes. Vi um comercial da Tim Web. Várias pessoas jovens jogam o modem de um para o outro, fazendo acrobacias. Eu entendi bem, ou só jovens estilosos acessam a internet sem fio? E pior, pra acessar têm que fazer acrobacias? Aquilo me deixou complicada! Mas não parou por aí. Lázaro Ramos numa festa da Ingrid Guimarães se enche de beliscos e começa a passar mal. Toma sal de frutas Eno, vai dançar e, pasmem, dá uma pirueta. Logo, concluí, pirueta faz bem pra digestão. É isso mesmo? Agora, o que dizer de Dan Stulbach no comercial do Itaú. Ele dança break, ou street, não compreendo a dança, não compreendo o que ele fala, não acompanho as acrobacias, só lembro da música bi apaparapá/apaparapá e da logomarca do Itaú. Em resumo, não adianta repetir incansavelmente, eu não irei dar mortal, pierueta, cambalhota ou qualquer acrobacia pra acessar internet sem fio, nem pra acabar com a má digestão, e muito menos pra abrir uma conta no banco. Pode esquecer isso, fora de cogitação! Imagina se irei fazer atuações simiescas pra isso ou aquilo. :: Postado Por Priscilla Xavier :: 10:08 AM :: Escreve que eu leio!: |