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Idade: 30

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Pitty que pariu

Quarta-feira, Julho 09, 2008




Corremos para os braços de Morpheu


Desde a lida mais remota da consciência do ser humano abundam preocupações e elaborações sobre o sono. Ela inspira histórias diversas, seja a Bela Adormecida, seja o soneca dos sete anões, seja na mitologia a história de Morpheu.

Pode ser idiota ter que admitir, mas o descanso, a reposição das energias, o reequilíbrio do corpo, se dá através do sono. E ele nos faz toda diferença. Se dormimos pouco ficamos com olheiras, défict de atenção, impaciência e moleza. Se dormimos muito ficamos do mesmo jeito! Certa vez uma amiga me garantiu que o sono é retroalimentado. O que ela queria me convencer era de que quanto mais dormimos, mais precisamos dormir.

O que fazemos com frequência é idealizar o sono. Aliás, romanceamos o sono. Uma noite longa, tranquila, regular, de preferência fechando os olhos vendo a imagem do ser amado, e abrindo os olhos calmamente pela manhã e já o enxergando. Parece bonito, mas não é. É a visão do inferno! Já se olhou no espelho ao acordar? Tem condição do amor surgir? Bonito ao acordar, só gato e criança. De resto é uma tristeza, digno de pena mesmo. O cabelo desgrenhado, um hálito que não se comenta, os olhos e narizes inchados como os de quem tomou uma porrada na cara, uma lástima. Se alguém acorda bonito, por favor, vem dormir comigo!

Pra muitas pessoas, creio até que eu me inclua entre essas, o sono tranquilo é como um sonho de consumo. Eu não quero um carro do ano, eu não quero uma mansão luxuosa, eu não quero um sem número de amantes. Tudo isso parece ótimo, mas no fundo só me acrescentam em aborrecimentos. Eu quero é dormir. Dormir muito, consolada, tranqüila, calma.

Mas o sono, como tudo em nossas vidas, está a reboque da modernidade. Ele é maltratado, desconsiderado, desprestigiado pela economia que regula o mundo em que vivemos por insistência, por pura pirraça. Há frases que impulsionaram o capitalismo do tipo: coma ou durma bem. Quem trabalha muito, supostamente, deveria comer bem. E quem dorme muito, supostamente, trabalharia pouco e pouco ganharia para comer. Eis que se o intuito era me fazer prezar o trabalho, só consegue me colocar em dúvida. Adoro tanto comer quanto dormir, mas quando estou muito cansada, acabada, se tiver que escolher entre comer ou dormir, eu desabo.
Logo, se o êxito do indivíduo no mundo capitalista é informado pela proporção inversa do seu sono, eu estou fadada ao fracasso. Alguém me joga uma esmola?

Enfim, é muita condenação moral para o sono. Não se pode dormir no trabalho. Não se pode dormir no shopping. E pior, não se pode dormir nem no trânsito. O simples ato de dormir é tão civilizado, tão regulado, que eu vejo o sono quase como uma cerimônia. Não faltam protocolos: tem que ter um lugar solene, a cama. Com um traje apropriado, camisola ou pijama. Há ainda um horário fixado, afinal, quem está a salvo de um despertador? E como se não bastasse, o local tem que ser escuro e silencioso, tal e qual algo feito às escondidas, quase um crime.

Como tenho uma veia insubordinada, insisto em não seguir todas as regras. Por exemplo, eu me acabo numa naninha a tarde, mas tenho noção que é um regalo de poucos. E adoro dormir com qualquer roupa, pois me sinto pronta pra festa a fantasia quando visto pijama ou algo do gênero. Pra finalizar, despertador só me serve para piadas. E você, segue todas as medidas protocolares do sono?

:: Postado Por Priscilla Xavier :: 9:22 AM :: Escreve que eu leio!:


Quarta-feira, Julho 02, 2008




Se evolui, o quanto me influi?




Os jornais têm matérias diversas. Há algumas dedicadas ao futebol, outras à política e ainda há as que se dedicam a economia, cultura ou ciência. Não importa muito se você abre o segundo caderno, o caderno de esporte ou o de economia. O que está por trás das notícias é sempre uma idéia de evolução. É incrível, não se pode estagnar, tudo tem que evoluir. E evoluir é tanto apresentado como uma aspiração quanto como um temor.
Compreendo bem que a vida é dinâmica, mais pra a mobilidade do que para a estática. Mas os extremismos me apavoram. Não à toa um dos argumentos imagéticos que mais me apavora é a do evolucionismo de Charles Darwin.
Eu não duvido um segundo que os seres humanos se transformam, ou se adaptam, ao ambiente. Todavia não acato a idéia de que o homem descende do macaco. Ninguém me convence de que quando vou ao zoológico faço visita aos meus primos.
Por mais pêlos que brotem pelo meu corpo, por mais envergada que se torne minha coluna, não tem jeito. Eu acho um ser humano tão parecido com um macaco quanto com um porco ou felino. Aliás, o macaco é bem mais condizente com uma adaptação ao mundo moderno, do que os seres humanos.
Se formos nos valer dos critérios de adaptação, o macaco sem tempo pra perder sendo improdutivo não se depila. Tem os dedos compridos de tanto digitar teclados. E a coluna dos macacos é envergada por horas seguidas de frente para um computador. O macaco é o homem do futuro? Será simiesco o homem do futuro? Não é bem assim, minha gente! Devagar com a evolução.
Muitas evoluções tecnológicas, evoluções biológicas, evoluções em técnicas esportivas, evoluções no mercado financeiro, em contraponto com bem pouca evolução moral. O mundo avança para um lado e os seres humanos retrocedem para o outro. Quando éramos poucos prezávamos o coletivo, agora que somos muitos o individualismo se sobrepõe a coletividade, esmagadoramente. E a cada edição de jornal abundante em avanços condizentes com o capitalismo, mais piegas se torna falar em evolução espiritual. A cordialidade, alguém viu por aí?
Façam um teste: Sublinhem quantas vezes aparece a palavra generosidade no jornal, e em comparação quantas vezes aparece a palavra violência. Bem vindos à evolução!


:: Postado Por Priscilla Xavier :: 9:44 AM :: Escreve que eu leio!: